
É tão absurdo o que aconteceu com o jogador Tinga, do Cruzeiro, que vou ter que voltar ao tema do futebol aqui no blog, e ainda ressaltando um jogo do meu time rival. Porque, na verdade, ultrapassa, em muito, a questão esportiva. Para quem não viu, ontem, na estreia do Cruzeiro na Libertadores contra o Real Garcilaso, no Peru, a torcida peruana começou a imitar o som de macacos e gritar outras ofensas a cada vez que Tinga tocava na bola. Era só ele passar para outro jogador, e os gritos pré-históricos se encerravam.
Racismo! Como bem disse o jogador, após a partida, é chocante que isso ainda aconteça, tão descaradamente, “em pleno 2014”. Ele também destacou que já jogou vários anos na Alemanha e nunca tinha visto isso — foi ver num país tão próximo da gente…
A fala inteira do gaúcho, logo que terminou o jogo, merece ser lida:
“A gente fica muito chateado, tenta esquecer ali dentro, tenta competir, mas a gente fica muito chateado de acontecer isso em pleno 2014, acontecer uma coisa dessa em um país tão perto da gente. Infelizmente aconteceu. Eu joguei alguns anos na Alemanha e nunca aconteceu isso e, de repente, aqui, um país tão próximo, tão parecido com a gente, cheio de mistura, acontece uma coisa dessas. Eu queria, se pudesse não ganhar nada e ganhar este título contra o preconceito, eu trocaria todos os meus títulos por uma igualdade em todas as áreas, em todas as classes.”
A reação foi imediata. O Cruzeiro disse que entraria com uma representação junto à Conmebol, que já respondeu dizendo que repudia o racismo e “possíveis sanções” serão analisadas. Tem que punir da forma mais severa possível, muito além de como se pune a falta mais grave que ocorra em um campo. Acho que tem que radicalizar. Inclusive, está previsto no regulamento da Libertadores a exclusão do clube no campeonato, em caso de racismo que parta dos jogadores – e multa se partir dos torcedores. Vamos ver o que a Conmebol nos reserva.
A presidente Dilma Rousseff também deu várias declarações, via Twitter, repudiando o racismo:
E também vários outros atleticanos (Dilma é atleticana) se manifestaram contra o que aconteceu, a começar por jogadores do Galo, como Tardelli e Réver. O cartola Alexandre Kalil tuitou:
Foi mais ou menos como me senti ontem. Fiquei feliz por ver o Cruzeiro perder, ainda por cima de virada, contra um time mais fraco. Quando vi o que estava acontecendo com o Tinga, fiquei com um gosto amargo na boca, como se tivessem jogado um balde de café sem açúcar, direto do funil, garganta abaixo. Racismo é algo nojento, que ultrapassa qualquer fronteira de rivalidade futebolística.
Tanto é assim que a comunidade “Vamu Galo“, com mais de 20 mil seguidores no Facebook, já fez uma proposta muito bacana:
“Domingo tem clássico na nossa casa. Sugiro que a Massa mostre sua indignação com os atos racistas de ontem no Peru e leve faixas e mensagens anti-racistas. Seria uma demonstração clara de que existem coisas que estão acima da rivalidade e do futebol. O que acham?”
Não sei se outros grupos de atleticanos também sugeriram o mesmo, ou se movimentaram no mesmo sentido. Eu acho excelente ideia. Galo e Cruzeiro se enfrentam pelo Campeonato Mineiro, no Estádio Independência, com torcida única de atleticanos. 100% atleticanos. Imagine se eles, incluindo as organizadas, levassem várias faixas em apoio ao Tinga e repudinando o racismo? Acho que aqueceria o coração de muita gente. Inclusive dos nossos queridos jogadores negros e pardos, como os grandes Jô e Léo Silva. Somos todos seres humanos, independente da camisa que optamos por vestir.
Que tal passar a ideia adiante? ;)
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