Parte 2: A boa música que não está no eixo Rio-SP (nem no nicho das Leis de Incentivo)

Só ontem fiquei conhecendo a Denise Reis, carioca, que participou em três músicas do show. Vou falar dela no próximo post!

Todos os músicos brilhantes, no fim do show, sendo aplaudidos de pé. Foto: CMC

Acabo de ler, no blog do músico e professor Alexei Michailowsky, um post que complementa direitinho meu post de ontem, que resolvi republicar aqui, tomando a liberdade de chamá-lo de “parte 2” do que escrevi.

Os aprendizados e reflexões que estão surgindo sobre os grandes músicos lutadores do nosso Brasil chegam a ser emocionantes. Para quem gosta de música de verdade, para quem gosta de descobrir novas canções fantásticas em vez de ouvir sempre as mesmas, pra quem gosta de aprender um pouco sobre produção musical e as dificuldades de seguir nesse ofício que mal é visto como ofício no Brasil, fica a dica: leiam AQUI a parte 1 e AQUI a parte 2. De quebra, aproveitem pra ler AQUI um terceiro post que Alexei escreveu sobre o que andava aprendendo com Affonsinho, em junho.

Abaixo, trechos deste último post: “Além do eixo Rio-SP, além do Fora do Eixo e além das leis de incentivo, há muitas lições para aprendermos…

“Concordo em gênero, número e grau com Cristina Castro quando ela exalta os talentos desse rapaz para compor lindas canções, cantar e tocar guitarra e revolta-se com o pouco espaço dado a grandes talentos mineiros como ele – embora discorde que esse pouco espaço seja concedido em detrimento de músicos cariocas e paulistas, porque há muitos grandes talentos cariocas e paulistas lutando muito por espaço para sua grande música… (…)
Tenho 40 anos de idade e sou músico há 34. Passei por muitas dúvidas, tive inúmeros momentos de altos e baixos nessa minha relação com a música. E, pertencendo a uma família de classe média alta belo-horizontina, enfrentei a oposição dos meus pais quando a coisa começou a ir além de um hobby e tomou ares de profissão. Compreensível: a caminhada deles foi dura e eles temiam pelo meu futuro. Música, na Belo Horizonte dos anos 80 e 90, era uma carreira muito difícil e pouco segura. E eu estava cheio de sonhos, bem como vários companheiros que encontrei pelo caminho e que depois vi se perdendo. Precisavam pagar suas contas, se casar, ter seus filhos, realizar outros sonhos. Por isso digo que essa geração de músicos belo-horizontinos que está hoje na casa dos 35, 40 anos de idade, é a geração perdida.
O meio musical está repleto de relações frágeis e falsas onde as pessoas se encontram, se tratam muito bem quando juntas mas não estabelecem colaborações verdadeiras que estejam além dos interesses específico e diretos. (…)
Affonsinho é um grande compositor? É. É um grande guitarrista? É sim, dos maiores. Coloque uma guitarra Fender, Gibson ou Kian em suas mãos e abra-lhe espaço para um solo e você verá o Super-Homem das pentatônicas surgir por detrás de uma pastinha de letras e de um pedestal de microfone… É um grande cantor? É sim, daqueles que envolvem e emocionam com sua voz de travesseiro e faz com que suas canções soem como puro veludo. É um grande letrista? Sim, dos maiores que já conheci. Mas a principal razão pela qual elogio e seguirei elogiando Affonsinho é a sua sincera generosidade para acolher artistas novos em seus discos e shows. (…)”

Leia tudo AQUI.

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Ah, e descobri um vídeo com um trechinho de “Flores pra Ela“, do show de anteontem, gravado pela Clarisse Salles. Logo nos primeiros segundos do vídeo, dá pra ver que o Kadu Vianna e a Denise Reis estavam fazendo um duelinho de trompete vocal sensacional. Vou falar mais disso no post de amanhã 😉 Depois, todos do palco — os dois, e mais Mariana Nunes, Péricles Garcia, Malvina Lacerda e o próprio Affonsinho —  cantam juntos o refrão da música. No fim, Affonsinho canta sozinho, e todos os músicos ficam olhando para ele, embasbacados e sem reação. Até que ele fala: “É procês cantarem também!” e todos riem, naquele clima bom do show. O vídeo é interrompido, mas lembro que, naquela hora, os músicos ficaram falando: “Achei que você estava cantando pra gente!” ou “A gente ficou viajando aqui com você cantando”, tudo entre risadas boas. E assim continuou, até o fim do show, com aquela plateia extasiada e feliz, aplaudindo de pé, na maior alegria. Confiram:

Atualização em 24/11: mais um vídeo do show, AQUI.

(Eu tinha gravado essa apresentação todinha, mas o áudio da câmera faiô — e perdi tudo :()

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