Ouça as canções do novo álbum de Affonsinho: ‘Certeza?’

O músico mineiro Affonsinho vai lançar seu novo álbum, “Certeza?”, nos dias 3, 4 e 5 de agosto, no Palácio das Artes. Até agora, se não me engano, ele já pingou cinco canções desse novo CD, uma delas com videoclipe.

É a minha favorita, pela letra e pela música, e a que dá nome do álbum. Para abrir o post:

Minha segunda favorita é “O meu pai tava triste”, que ele compôs para minha sobrinha querida, a Laurinha, de 9 anos (!). Ele explica: Continuar lendo

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Parte 2: A boa música que não está no eixo Rio-SP (nem no nicho das Leis de Incentivo)

Só ontem fiquei conhecendo a Denise Reis, carioca, que participou em três músicas do show. Vou falar dela no próximo post!

Todos os músicos brilhantes, no fim do show, sendo aplaudidos de pé. Foto: CMC

Acabo de ler, no blog do músico e professor Alexei Michailowsky, um post que complementa direitinho meu post de ontem, que resolvi republicar aqui, tomando a liberdade de chamá-lo de “parte 2” do que escrevi.

Os aprendizados e reflexões que estão surgindo sobre os grandes músicos lutadores do nosso Brasil chegam a ser emocionantes. Para quem gosta de música de verdade, para quem gosta de descobrir novas canções fantásticas em vez de ouvir sempre as mesmas, pra quem gosta de aprender um pouco sobre produção musical e as dificuldades de seguir nesse ofício que mal é visto como ofício no Brasil, fica a dica: leiam AQUI a parte 1 e AQUI a parte 2. De quebra, aproveitem pra ler AQUI um terceiro post que Alexei escreveu sobre o que andava aprendendo com Affonsinho, em junho.

Abaixo, trechos deste último post: “Além do eixo Rio-SP, além do Fora do Eixo e além das leis de incentivo, há muitas lições para aprendermos…

“Concordo em gênero, número e grau com Cristina Castro quando ela exalta os talentos desse rapaz para compor lindas canções, cantar e tocar guitarra e revolta-se com o pouco espaço dado a grandes talentos mineiros como ele – embora discorde que esse pouco espaço seja concedido em detrimento de músicos cariocas e paulistas, porque há muitos grandes talentos cariocas e paulistas lutando muito por espaço para sua grande música… (…)
Tenho 40 anos de idade e sou músico há 34. Passei por muitas dúvidas, tive inúmeros momentos de altos e baixos nessa minha relação com a música. E, pertencendo a uma família de classe média alta belo-horizontina, enfrentei a oposição dos meus pais quando a coisa começou a ir além de um hobby e tomou ares de profissão. Compreensível: a caminhada deles foi dura e eles temiam pelo meu futuro. Música, na Belo Horizonte dos anos 80 e 90, era uma carreira muito difícil e pouco segura. E eu estava cheio de sonhos, bem como vários companheiros que encontrei pelo caminho e que depois vi se perdendo. Precisavam pagar suas contas, se casar, ter seus filhos, realizar outros sonhos. Por isso digo que essa geração de músicos belo-horizontinos que está hoje na casa dos 35, 40 anos de idade, é a geração perdida.
O meio musical está repleto de relações frágeis e falsas onde as pessoas se encontram, se tratam muito bem quando juntas mas não estabelecem colaborações verdadeiras que estejam além dos interesses específico e diretos. (…)
Affonsinho é um grande compositor? É. É um grande guitarrista? É sim, dos maiores. Coloque uma guitarra Fender, Gibson ou Kian em suas mãos e abra-lhe espaço para um solo e você verá o Super-Homem das pentatônicas surgir por detrás de uma pastinha de letras e de um pedestal de microfone… É um grande cantor? É sim, daqueles que envolvem e emocionam com sua voz de travesseiro e faz com que suas canções soem como puro veludo. É um grande letrista? Sim, dos maiores que já conheci. Mas a principal razão pela qual elogio e seguirei elogiando Affonsinho é a sua sincera generosidade para acolher artistas novos em seus discos e shows. (…)”

Leia tudo AQUI.

***

Ah, e descobri um vídeo com um trechinho de “Flores pra Ela“, do show de anteontem, gravado pela Clarisse Salles. Logo nos primeiros segundos do vídeo, dá pra ver que o Kadu Vianna e a Denise Reis estavam fazendo um duelinho de trompete vocal sensacional. Vou falar mais disso no post de amanhã 😉 Depois, todos do palco — os dois, e mais Mariana Nunes, Péricles Garcia, Malvina Lacerda e o próprio Affonsinho —  cantam juntos o refrão da música. No fim, Affonsinho canta sozinho, e todos os músicos ficam olhando para ele, embasbacados e sem reação. Até que ele fala: “É procês cantarem também!” e todos riem, naquele clima bom do show. O vídeo é interrompido, mas lembro que, naquela hora, os músicos ficaram falando: “Achei que você estava cantando pra gente!” ou “A gente ficou viajando aqui com você cantando”, tudo entre risadas boas. E assim continuou, até o fim do show, com aquela plateia extasiada e feliz, aplaudindo de pé, na maior alegria. Confiram:

Atualização em 24/11: mais um vídeo do show, AQUI.

(Eu tinha gravado essa apresentação todinha, mas o áudio da câmera faiô — e perdi tudo :()

A boa música que não está no eixo Rio-SP (nem no nicho das Leis de Incentivo)

Fotos: CMC

Fotos: CMC

Estou numa tristeza danada. Ontem fui ao show do Affonsinho e gravei várias das músicas e lindíssimos solos de guitarra, pensando em colocar aqui no blog, mas descobri (da pior forma possível) que o áudio do meu novo celular é tenebroso. Se eu colocasse aqui, ia desmerecer o talento de um grande músico.

Mas ainda me resta descrever o que vi e ouvi lá ontem, no Teatro Alterosa. E recomendo a todos que gostam de música que leiam este post com atenção.

Estou falando de um músico que não está no mainstream, que não toca na novela da Globo, que não é do eixo Rio-São Paulo, que não procura recursos de nenhuma lei de incentivo, de qualquer esfera, que não aparece todos os dias na imprensa (e, quando aparece, costuma ser na mineira), enfim, que é totalmente independente, e, mesmo assim, já chegou a 12 álbuns, em quase 30 consolidadíssimos anos de carreira. É respeitado pelos outros músicos que o conhecem, por saber tocar bem em todas as searas que já testou: do blues à bossa nova, do rock ao samba e, agora, neste último álbum, ao folk.

Com Péricles Garcia.

Com Péricles Garcia.

Ontem ele convidou para o palco outros cinco músicos excepcionais, e presenciei eles declarando, em público, que o que o Affonsinho faz é “coisa de gênio” (disse Denise Reis), “profundamente emocionante” (disse Péricles Garcia) e que é fã do trabalho dele (disse Kadu Vianna). Também passaram pelo palco a voz maravilhosa de Mariana Nunes e a cantora Malvina Lacerda.

Bom, eu também virei fã do Affonsinho, como vocês podem ver pelos posts neste blog. Quando o conheci, na condição de cunhado, nunca tinha ouvido um CD dele, porque infelizmente até os belo-horizontinos às vezes não conhecem os feras que têm em sua cidade. Aos poucos fui indo aos shows, babando com a facilidade com que ele toca violão e guitarra, e com a voz suave que usa nas canções. E a cada show a que vou, fico feliz pelo clima ótimo, pessoas felizes, de todas as idades, comentando no fim do show o quanto foi bom terem ido até lá.

Com Kadu Vianna.

Com Kadu Vianna.

Mas, a cada show, fico indignada e meio triste por nossos talentos de Minas Gerais, que são tantos (os músicos que acompanham Affonsinho — o baixista Fred Heliodoro, o baterista Felipe Continentino e o tecladista Christiano Caldas — são bons exemplos disso, além dos convidados que subiram no palco), serem tão esmagados pelos talentos paulistanos e cariocas, em termos de recursos, tempo de mídia etc. Para resumir: um músico paulista que venha tocar em BH recebe um cachê razoável, enquanto um músico de BH que vai tocar em São Paulo não recebe nada, precisa arcar com todos os custos e tem ainda que agradecer pela oportunidade. E falo também em nome de outros Estados: quantos músicos catarinenses o Brasil conhece? E maranhenses? Os baianos que fizeram sucesso já tinham embarcado no eixo antes.

Enfim, faço minha parte ao jogar esse conteúdo na internet. Desta vez, infelizmente, sem vídeos. Mas vocês podem ver uma amostra do penúltimo show dele que vi, AQUI. E, se começarem a pipocar vídeos no Youtube, acrescento a este post. De qualquer forma, a Rede Minas vai transmitir o show inteirinho em breve, e provavelmente também vai jogar na internet. Assim que eu souber quando, aviso por aqui 😉

Só ontem fiquei conhecendo a Denise Reis, carioca, que participou em três músicas do show. Vou falar dela no próximo post!

A banda e todos os convidados, no final do show.

P.S. Só ontem fiquei conhecendo a Denise Reis, que participou em três músicas do show. Vou falar dela no próximo post!

Atualização em 24/11: achei dois vídeos do show! Vejam AQUI e AQUI.