Você também é racista

Aquele meu post de anteontem, “Nem todo negro no restaurante é o garçom“, rendeu uma ótima reflexão da jornalista Larissa Veloso.

Hoje o post é só para indicar a leitura, mais uma vez. Por favor, CLIQUEM AQUI e descubram como ela descobriu que é racista.

Leram? Agora convido vocês a lembrarem de outras situações em que sofreram com o racismo próprio ou alheio e compartilharem as memórias na parte de comentários deste post. Tá passando da hora de o Brasil fazer essa terapia coletiva e encarar o monstrengo de frente — começando por assumir que ele existe, inclusive, dentro de nós.

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9 comentários sobre “Você também é racista

  1. Oi Cris, que texto legal de sua amiga, super sensível e bem escrito. Grato por compartilhar. Há uns anos atrás, creio que por de 94 foi feita uma pesquisa, se não me engano pela Unicamp, em que se perguntava às pessoas: Existe preconceito no Brasil? Mais de 80% dizia que sim. Ao ser perguntado: você é racista? A maioria dizia que não! Simples e complexo assim!

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  2. Ah, lembrei de outro episódio: quando eu estava na oitava série, fiz um trabalho de escola que envolvia uma pesquisa sobre racismo. Eu e uma colega minha saímos perguntando para as pessoas na rua:
    – Você se considera racista?
    – Não.
    – Você se sentiria confortável se a sua filha ou seu filho se casasse com um negro?
    – Hmm… bem… é… não.

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  3. Cris, no meu tempo de criança, todos nós, os brancos no interior de MInas, éramos racistas. Só não sabíamos disso, porque a questão nunca era discutida dentro de casa ou nas escolas e nos livros. Lendo seu texto, comecei a rememorar e, para meu espanto, descobri que nos cinco anos que estudei num colégio interno dirigido por um padre alemão, não havia colegas negros. No ginásio, mais tarde, só havia uma negra entre todos os 150 estudantes. Mesmo assim, porque a filha do fazendeiro para quem trabalhava, a 20 minutos de caminhada da escola, precisava de companhia na estrada, para ir e vir. A negra nunca se enturmou com ninguém ali – mas hoje é professora do estado. Na faculdade, não tive colegas negros. Dos empregados domésticos na casa de meus pais, só me lembro de uma negra (a lavadeira, que ia lavar roupas duas vezes por semana… uma diarista). Na fazenda, tratava-se o negro como se trata hoje uma vaca: se o preto era bom trabalhador, tinha serviço; se a vaca é ruim de leite, é descartada. O Brasil avançou muito nesses 50 anos, inclusive nessa questão. Graças a pessoas como você.

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    • Avançou um bocado, mas ainda falta muito. Eu também tive muito poucos negros ao meu redor durante a vida. No Barão, que era escola estadual, tinha alguns, mas ainda eram minoria. No Santo Antônio só me lembro de um na minha série! Na UFMG também eram minoria da minoria da minoria. E assim em todos os lugares: do cursinho de inglês à natação no Minas ao Banco do Brasil à Folha (na Redação da Folha acho que tinha uns dois, se muito)…. Eles são menos qualificados que os demais? Claro que não! Têm menos escolaridade? Hoje em dia, também não. Então qual o problema, né? Por outro lado, fora da Redação e do círculo de concursados do BB, trabalhei ao lado de vários negros: que estavam nos cargos de limpeza e vigilância, por exemplo. Ou seja, trabalhos que pagam menos e têm menos “status” na sociedade. Há um longo caminho ainda…

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