Texto de José de Souza Castro:
“Memórias de uma guerra suja”. A existência desse livro, que será lançado pela editora Topbooks, foi revelada nesta quarta por Tales Faria, do iG, e está bombando na Internet. A notícia pode ser lida, por exemplo, AQUI.
Conheci um dos autores, Rogério Medeiros, na década de 1970, quando ele era correspondente do “Jornal do Brasil” no Espírito Santo e eu chefiava a redação da sucursal mineira. Ele tinha fama de bom jornalista. Foi ganhador do Prêmio Esso. No final da década de 80, depois de ter dirigido o Sindicato dos Jornalistas capixabas, entrou para a política e foi vice-prefeito de Vitória, entre outros cargos públicos. Do outro autor, Marcelo Netto, também jornalista, nada sei.
Também nunca ouvira falar do delegado Cláudio Guerra. Se ele fez o que declarou ter feito, há motivos para concordar, em princípio, com a ressalva de Luís Nassif, ao publicar o texto de Tales Faria:
“Vamos com cuidado, há muitas informações desencontradas. Como é possível um delegado desconhecido do pessoal de direitos humanos ser responsável por quase um quarto dos mortos pela ditadura? E não se entende o fato de corpos serem incinerados em usinas em Campos, sendo muito mais fácil jogá-los no mar próximo. Melhor aguardar um pouco antes de endossar o livro.”
Mas não se pode simplesmente descartar alguém que nos últimos anos enfrentou dezenas de processos na Justiça abertos pelos que, como a Aracruz Celulose, tentavam impedir a continuidade das denúncias publicadas pelo “Século Diário”, de Rogério Medeiros. Geraldo Hasse fez um bom apanhado dessa luta no Observatório da Imprensa.
Espero que o livro chegue logo às livrarias de Belo Horizonte. Será, certamente, uma leitura extremamente interessante.
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