Já briguei com vários amigos ao longo da vida, ou simplesmente me afastei, por força das circunstâncias. No último ano, por exemplo, duas amigas ficaram para trás e agora são praticamente apenas parte da memória.
Isso me lembra que, quanto mais crescemos, mais as coisas vão se tornando “definitivas”. É por isso que um velho escritor disse, certa vez, que afortunado é aquele que tem um amigo verdadeiro na hora da morte, porque valerá mais do que dez amigos fajutos.
Eu acho que ainda conto uns dez verdadeiros, mas é uma contagem que se altera com o passar do tempo. E, ao mesmo tempo, nos adaptamos cada vez mais fácil a esse tipo de perda.
Por outro lado, quando somos crianças, as brigas duram meia hora, e logo se faz as pazes, sem ressentimentos, como se a memoriazinha curta, ainda em formação, não alcançasse mais do que isso. (Ou – acho mais provável – quando somos crianças os problemas e as sacanagens cometidas são bem menos graves ou doloridos do que com o avançar da idade.)
Quando eu era criança, era muito comum brigar no recreio, por qualquer bobagem, e olhar para a amiga, fazendo um gesto da mão dando um tapinha nas bochechas, alternadamente, entoando: “Belém-belém, nunca mais tou de bem!”
Cada cidade e época deve ter sua variante para a tradição.
Eu própria “criei” uma, que preferia usar: “Belém-belém, daqui a pouco tou de bem.” Achava mais realista.
Lembrei disso agora por causa da minha sobrinha de 3 anos.
Certo dia, ela chegou para a mãe e disse: “Você é minha melhor amiga para sempre!”
Semanas depois, esquecida da declaração, a mãe a chateou por algum motivo e ela soltou a seguinte pérola:
“Nunca mais falo com você!!!”
Pensativa, ruminou o que acabara de dizer por alguns segundos e completou:
“… só quando eu precisar de ajuda pra fazer cocô!”
:D






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