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Os dois lados de Belo Monte

Texto de José de Souza Castro:

Há alguns dias, 19 artistas da Rede Globo de Televisão desferiram um ataque maciço contra a construção da Usina de Belo Monte. O canhoneio veio na forma de um simpático vídeo que se inspirou num outro feito nos Estados Unidos por Spielberg durante a campanha eleitoral que elegeu o atual presidente, para motivar os eleitores a votarem.

O vídeo dirigido por Marcos Prado pode ser visto AQUI.

No dia 25 último, o blog Verde informou que o Movimento Gota D’Água conseguiu, por meio desse vídeo, reunir mais de um milhão de assinaturas em sua página na internet, num abaixo-assinado a ser entregue à presidente Dilma Rousseff pedindo a interrupção imediata das obras da hidrelétrica de Belo Monte.

Um dos que assinaram, impressionado com os argumentos de Ary Fontoura, Juliana Paes, Cissa Guimarães, Maitê Proença, Marcos Palmeiras e outros 14 atores globais, me enviou no último dia 25 o vídeo. Perguntei se ele se preocupara em ouvir o outro lado. Não. Três dias depois, se redimiu, enviando este outro vídeo, que responde com números ao vídeo anterior. Usa-os, em vez de artistas. O vídeo é uma voz de homem, duas mãos, papéis, caneta… e números.

Antes de tomar posição a respeito, é preciso pelo menos ver os dois vídeos. Ou então ir ao site da Agência Nacional de Energia Elétrica e procurar lá, no mapa do site, o edital de geração, publicado em 2009, da usina de Belo Monte. Parece que foi isso que fez o jornalista Davis Sena Filho, do blog Palavra Livre, do site do Jornal do Brasil, antes de escrever ESTE artigo.

Um artigo que, se convidado, eu assinaria embaixo.

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

16 comentários em “Os dois lados de Belo Monte Deixe um comentário

  1. O vídeos dos números é bom, mas o artigo que você recomendou não deu para passar do segundo parágrafo. Pensei em parar quando ele disse ‘grandes capitalistas’, mas resisti. Quando chegou no “padim-Lula-nunca-antez-nazhistóriadeztepaiz-cumpanhêra-diuma”, parei. Ninguém mais aguenta discussão politiqueira, seja a favor ou contra Belo Monte.

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    • Eu também não gostei desse artigo do JB e não assinaria embaixo.
      Mas gostei muito do vídeo dos números.
      E acho que o da Globo teve o mérito de popularizar a discussão sobre Belo Monte: distorce muitos fatos, mas tb incentiva as pessoas a correrem atrás de mais informações, como o próprio cara do outro vídeo parece ter feito ao olhar os contratos no site da Aneel.

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    • Haroldo, ao ler o artigo do Davis fui descartando expressões como as que você apontou com propriedade, como sempre faço quando leio autores claramente tendenciosos, e me limitei ao cerne da questão, presente tanto no vídeo Gota D’Água como no texto do jornalista. Por questão de princípio, me esforço para ler argumentos com os quais de início não concordo, atento à necessidade de não me guiar por uma única diretriz sem antes buscar alternativas. O que achei interessante no artigo dele – e que assino embaixo – é a oposição a uma visão de ambientalistas estrangeiros sobre a amazônia que venha a impedir a sobrevivência de pessoas, e não apenas de animais raros, na região. Para tal sobrevivência, essa hidrelétrica é importante, nos termos descritos no segundo vídeo. Espero que a presidente Dilma analise bem os vários ângulos da questão, nem tanto para interromper a obra, mas para criar condições de impor o cumprimento das promessas implícitas ou explícitas no segundo vídeo, de respeito ao meio ambiente e aos indígenas que serão afetados pelo projeto. Volte sempre.

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  2. Cris, tem razão. O vídeo dos artistas da Globo faz o pessoal pensar. Como se vê aqui:
    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1013457-estudantes-parodiam-globais-em-video-pro-belo-monte.shtml
    O vídeo acima foi divulgado hoje pela Folha.com, que informou:

    “Alunos de engenharia civil e economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), defensores da construção da usina de Belo Monte no rio Xingu (PA), produziram vídeo em resposta ao projeto “Gota D’Água”, que reúne atores da TV Globo numa campanha contra a instalação da hidrelétrica.

    No vídeo, os estudantes usam roteiro semelhante ao utilizado na gravação dos artistas.

    O grupo criou ainda o movimento “Tempestade em Copo D’Água”, uma sátira a campanha original.

    Sobre o alagamento de área verde para a instalação da usina, os alunos argumentam que a “floresta já vem sendo desmatada ilegalmente na Amazônia a troco de nenhum ganho econômico e social”. Eles defendem ainda o “emprego de recursos gerados pela usina em benefícios para a região”.

    Para Sebastião de Amorim, professor da Unicamp que participa do vídeo, “Belo Monte será um belíssimo projeto sobre os aspectos econômico, social e ambiental”.

    Em nota, a Unicamp disse que o vídeo é de responsabilidade do grupo Tempestade em Copo D’Água e que não tem vínculo com a universidade.”

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  3. Quando eu vi o vídeo dos atores da Globo, já vinha acompanhando a discussão há algum tempo. Conheço os números, sei que menos de 0,01% da área da Amazônia será prejudicada, que o desmatamento destrói muito mais, que a energia vai colaborar para o desenvolvimento do Brasil, que a usina não produzirá no auge da sua capacidade porque vai obedecer o regime fluvial.
    Mas as questões que pesam para mim não são essas. A questão é que diversos relatórios do Ministério Público sobre esse tema foram desconsiderados. O MP do Pará alerta inclusive que se poderia produzir a mesma quantidade de energia de Belo Monte com melhorias técnicas e adaptações das hidrelétricas que já existem. O MP do Pará luta há 10 anos para impedir a construção da obra, e ainda não desistiu.
    O que ambientalistas, ribeirinhos, indígenas e o próprio MP dizem é que, apesar de não alagar as áreas de reserva indígena, a construção da usina vai sim alterar o regime do rio Xingu e prejudicar seriamente comunidades que tiram o sustento das suas águas. Além disso, outra questão grave é o fato de a comunidade de Altamira e os indígenas não terem sido ouvidos antes do início do projeto. Esse fato é tão grave que até a OEA chamou o governo brasiliero a prestar esclarecimentos sobre esse fato.
    Por trás de tudo isso, eu vejo uma questão ainda mais triste: o progresso mais uma vez passando por cima de grupos minoritários, que serão os mais prejudicados. Existem ainda 12 ações contra a usina que estão simplesmente paradas no Judiciário. No fundo, essa é a mesma cultura (de não se ver e não se considerar os povos da Amazônia) que leva a assassinatos de líders ambientais.

    Deixo aqui algumas das fontes que me ajudaram a formar minha opinião, pra caso alguém queira consultar:
    http://belomontedeviolencias.blogspot.com/
    http://xingu-vivo.blogspot.com/
    http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/09/um-procurador-contra-belo-monte.html

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  4. Oi Cristina,

    Belo Monte é um projeto estratégico para o futuro do Brasil e que vem sendo discutido e melhorado por 30 anos. É claro que um projeto desse tamanho e complexidade gera dúvidas, ansiedades e discussões.

    Venha conhecer nossa TV Belo Monte e nos ajude a mostrar para as pessoas a importância e o cuidado com que esse projeto está sendo feito.

    http://www.tvbelomonte.com.br/

    Nossa ideia é ir construindo Belo Monte junto com você.

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  5. Bom, já estive no Pará algumas vezes, em geral em regiões de grandes conflitos, e acho que a questao amazônica é infinitamente mais complicada do que pessoas como aquelas que protestaram na África do Sul essa semana contra o desmatamento na Amazônia brasileira pensam. O governo tem adotado medidas bastante interessantes que efetivamente vem conseguindo diminuir o desmatamento na maior floresta tropical do mundo (apesar de as vezes dar tiros no pe).

    Sobre Belo Monte especificamente, porém, acho que o erro é não discutirmos. A verdade é que ninguém sabe efetivamente porque Belo Monte será construida e como issso esta sendo feito. Estive em Altamira há 2 anos, pouco depois de a usina conseguir as lincenças do Ibama e da Funai, e o que vi foi que nada foi feito como a mídia, os políticos e os defensores da usina disseram que foi. Foi feito sim como tudo no Brasil é feito: passando por cima, com trator e tudo, dos brasileiros “invisíveis” por sua pobreza e falta de educação formal. O fato de o reservatório não alagar uma aldeia não significa, e isso eu vi com meus próprios olhos, que ele não vai afetar a vida nessa aldeia.

    O fato de gerarmos energia muito menos significa que a vida dos brasileiros vai melhorar: quando estava em Altamira, a usina de Tucuruí estava fazendo a expansão das suas linhas de transmissão. Uma dessas linhas passaria exatamente em cima de uma Reserva Extrativista. E as pessoas dessa revserva continuariam como sempre estiveram: sem acesso a luz elétrica. Eu acho que sim, precisamos de energia para crescer e não podemos ser inocentes de achar que conseguiremos isso sem causar nenhum tipo de impacto negativo, mas acho que esse impacto poderia ser melhor estudado e melhor exposto para a população para que as pessoas pudessem escolher.

    O vídeo dos atores globais chega a ser patético, mas no minimo leva o assunto para povo. Belo Monte está sendo imposta, foi a obra que o governo federal resolveu que vai fazer e pronto. E não sabemos nem mesmo quais sao os reais interesses federais por tras da obra. Achei essa entrevista sobre o assunto bastante interessante: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/10/belo-monte-nosso-dinheiro-e-o-bigode-do-sarney.html

    (nossa, falei demais… foi mal…)

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  6. A conta é simples, é só somar o número de miseráveis, doentes, ignorantes e amaldiçoados, depois multiplica pelos recursos e produtos necessários e desnecessários, assim teremos um enorme crédito ambiental devido pela mãe natureza

    ainda temos os chineses e indianos….os africanos podem esperar mais um tempo já que são biodegradáveis mesmo

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  7. @Urian,

    Sabemos que Belo Monte, por ser projeto muito complexo, gera muitos questionamentos. E todos eles merecem atenção e respostas.

    Venha colocar suas questões no nossa TV Belo Monte e nos ajude a construir um projeto melhor.

    http://www.tvbelomonte.com.br/

    Nossa ideia é ir construindo Belo Monte junto com você.

    Obrigado,
    TV BeloMonte

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  8. Acho falho a construção de Belo Monte pelo fato de termos muitas outras fontes de energia que podemos explorar, e não engulo a desculpa de que a demanda de energia no Brasil está crescendo, mesmo assim volto a falar das outras fontes de energia. E se por ventura o Brasil necessitasse de mais papeis? A desculpa seria o desmatamento que já acontece, e derrubar mais umas arvores não faria diferença! #SOUCONTRABELOMONTE

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