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Os 50 dias que justificam os 500

Para pegar na locadora: 500 DIAS COM ELA ((500) Days of Summer)

Nota 7

A Talita me indicou alugar o filme “500 Dias com Ela” e escrever sobre ele aqui.

Tendo em vista o poema que escrevi ontem, não sei se fiz bem ou mal de assisti-lo hoje. Mas, enquanto escrevo este post, vou pensando melhor a respeito.

O filme mostra a relação entre Summer (Zooey Deschanel, os olhos grandes de Quase Famosos) e Tom (Joseph Gordon-Levitt, de A Origem). Ela, uma menina independente e moderna, que morre de medo de relacionamento e não quer se envolver seriamente com ninguém. Ele, um romântico, que pensava ter encontrado a mulher de sua vida.

(Parêntesis: alguém mais já deu uma de Tom com algum homem-frango à la Summer, ou sou só eu?)

Um dos diálogos que mais fizeram sentido em todo o filme foi o seguinte, transcrito de memória:

“Tom: Preciso de algo mais consistente (do que só a amizade colorida).

Summer: Eu sei…

Tom: Preciso saber que você não vai acordar no dia seguinte sentindo outra coisa por mim.

Summer: Eu não posso te dar essa garantia… Ninguém pode.”

É isso, gente. A vida é um barco sem garantias. O amor e os relacionamentos são só parte do risco. Não há como impedir que alguém simplesmente acorde um dia sem sentir mais o que sentia antes. Sem rir das piadas que antes agradaram tanto. (O que me remete à música mais triste do mundo, na versão mais triste feita para ela até hoje.)

Acontece, com todos nós, e às vezes fazemos o papel do Tom, às vezes o da Summer, mas inevitavelmente em algum momento da vida deixamos de sentir a mesma coisa por alguém e não há o que o outro possa fazer a respeito disso.

Dito isso, acrescento outras coisas que andei aprendendo: nessas horas o velho ensinamento do “Pequeno Príncipe” é muito sábio e faz muito sentido. Somos responsáveis por aqueles que cativamos. Portanto, por mais que você tenha acordado e descoberto que não gosta mais do seu antigo amor, você precisa entender que ele ainda gosta de você. Respeitar o sentimento dele. Ter paciência. E tentar ajudá-lo a sofrer menos (nisso não se inclui arrastar o relacionamento, porque fazer isso é covarde e ainda mais cruel com os dois).

Ah, sim, porque o sofrimento é inevitável. É a tal dor mais doída do mundo de que escrevi ontem. E só o tempo, ou outra atividade intensa (muito trabalho, mudança de ares etc), ou outra paixão podem ajudar alguém a curar essa dor.

Enquanto estamos vivendo a fossa que o Tom vive, a dor doída de ver a outra pessoa seguindo a vida como se você nunca tivesse existido ou importado, geralmente ficamos martelando apenas as boas lembranças sobre aquela pessoa, martelando que era “the one”, a perfeita para você. É uma pena que seja assim, porque isso só torna a fossa muito mais longa e sofrida.

Só depois de muito tempo é que é possível olhar para aquela pessoa com a serenidade e a sobriedade das lembranças realistas, que incluem os bons e maus momentos vividos juntos. É só nessa fase que, talvez, possa ser possível voltar a ser amigo de um ex. Voltar a torcer para que ele seja feliz, mesmo que com outras pessoas.

Uma coisa é certa: não há o que se fazer quanto a nada disso, a não ser viver, experimentar essas coisas. Uma fossa nunca será menos doída por ser a décima oitava fossa: todas elas doem, mesmo quando você tem 12 anos de idade. A dor é proporcional à importância que a pessoa teve para você e ao quanto ela te fez mal depois, por não ter levado em conta a sabedoria do Pequeno Príncipe.

Mas nada substitui a alegria dos bons momentos, como na cena do filme em que o Tom sai cantando pela rua, dançando, cumprimentando todo mundo, com passarinhos animados, quando ele finalmente consegue ficar com Summer: é a leveza da alma de quando finalmente conquistamos alguém, é aquela nossa vontade de dançar sozinhos e de assobiar Singing in the Rain.

Se eu queria nunca ter vivido uma fossa na vida? Não. Porque isso significaria nunca ter sentido a leveza anterior, a alegria pura do amor correspondido, mesmo que ele tenha durado alguns dias, ou meses, ou muitos anos. Esses breves momentos (uns 50 dias, em 500?) justificam toda uma vida, e só acontecem porque estamos bem vivos.

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

16 comentários em “Os 50 dias que justificam os 500 Deixe um comentário

    • Não sei se amizade é a palavra certa, mas acho que é possível sentar numa mesa entre amigos comuns e tomar uma cerveja e conversar numa boa.
      Mas só depois de um longo tempo, depois dessa cicatriz da parte mais ferida.
      Tipo, hoje converso normalmente com meu primeiro ex. E conversaria também com o segundo, se não tivesse perdido contato. Mas não consigo nem sentar perto do último, pelo menos por enquanto. Ainda dá choque 🙂

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  1. Eu (ainda) não passei por uma fossa dessas na vida, mas o filme é lindo e eu adoro aquelas cenas “expectations versus real life. Pobre Tom…

    Acho que a gente, de fato, cria muita expectativa em cima das pessoas, das coisas, da vida…

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  2. Nós somos ninguém mais ninguém menos do que Tom Hansen!
    E aí Kika, gostou do filme?
    No começo ele avisa que não é de amor, mas mesmo assim não evitou que eu sofresse do começo ao fim com o Tom!
    Eu consegui sentir a dor dele, e fiquei arrasada em plena madrugada vendo isso, daí peguei trauma da Zooey Deschanel e fiquei meses sem conseguir as musiquinhas dela do “She & Him” que eu gostava tanto.
    Agora passou e acho que voltei ao normal…
    Acho que a pior parte de uma fossa é você ouvir de alguém que não foi a primeira e nem será a última!

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    • Sim, é terrível pensar que isso irá se repetir. Na verdade, já é minha quarta ou quinta fossa, eu acho. Mas, como eu disse no texto, as fossas são proporcionais à importância que a pessoa teve pra gente. Então esta que eu estou sentindo está sendo a pior de todas, a mais avassaladora. Mas certamente não será a última. O lado bom de botar essas coisas pra fora é descobrir que é tudo tão natural, mas tão natural, que todos já passaram pro isso e tantos se identificam com o filme e o poema.
      Gostei do filme, ele me trouxe boas reflexões sobre tudo, obrigada pela dica 🙂

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      • Ah que bom porque eu fiquei com medo dele te deixar pior, é bom pra refletir né?!
        Acho que até hoje nos meus 20 anos de vida só tive 3 fossas, e essa última também foi a pior…
        C’est la vie
        Agora assiste Amélie pra ficar feliz! (eu fico feliz com esse filme)
        =)

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  3. Ah que bom!
    Então aproveita sua folga nesse dia ensolarado (mas se eu fosse você e estivesse de folga estaria dormindo ainda) e vá passear!
    =D

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  4. No momento que tomamos a porrada é quando brigamos para ficar de pé!
    Hoje, eu agradeço as pessoas ingratas ou que não sabiam o que queiram .
    Afinal, além de amadurecer, ainda conheci os melhores blues…rss

    bjos.

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