‘Fascismo: um alerta’, de Madeleine Albright: uma resenha concisa

Texto escrito por Douglas Garcia, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e colaborador frequente deste blog, sobre o livro ‘Fascismo: um Alerta’:

1. Quem é a  autora?

A autora de “Fascismo: um alerta” é a norte-americana (de origem tcheca) Madeleine Albright, diplomata e professora universitária. Ocupou o cargo de Secretária de Estado dos Estados Unidos durante a presidência de Bill Clinton, entre 1997 e 2001.

2. De que trata o livro?

O livro é sobre o autoritarismo de regimes políticos que desgastaram e aboliram instituições democráticas ao longo dos séculos XX e XXI. Ele reconta histórias de ascensão e consolidação de regimes autoritários particularmente emblemáticos em suas práticas antidemocráticas e extrai as características comuns mais importantes do fascismo a partir desses casos. À parte o primeiro (contextual) e os dois últimos capítulos (de balanço e reflexão), os demais capítulos podem ser lidos de maneira independente, na ordem que o leitor preferir. Eles tratam, entre outros, dos casos emblemáticos da Itália de Mussolini, da Alemanha de Hitler; e, já no século XXI, da Turquia de Erdogan, da Rússia de Putin, e da Hungria de Orban.

3. Por que vale a pena ler?

Porque apresenta riqueza de informação histórica aliada a uma reflexão sobre o presente. Certamente motivada pela eleição de Trump, no final de 2016, Madeleine Albright, contudo, não dirige seu foco à administração do republicano. Seu caminho é interessante: mostrar como práticas e discursos antidemocráticos apareceram em diversos lugares do mundo nos séculos XX e XXI, trazendo impactos muito negativos na capacidade de as sociedades orientarem suas políticas de forma participativa, respeitosa dos direitos individuais e atenta ao bem-estar universal de seus cidadãos.

4. Quais são as áreas de interesse relacionadas ao livro?

As áreas de interesse deste livro são muito diversas, com destaque para História, Relações Internacionais e Ciência Política. Quem tem interesse na história do século XX, especialmente nos seus momentos de repressão política, guerra e autoritarismo, terá aqui um vasto campo a ser explorado.

5. Este livro é de leitura acessível ou é difícil?

Sua leitura é acessível e agradável, uma vez que a autora narra vários eventos históricos dos quais foi testemunha direta (é o caso da ascensão do nazismo, na infância) e também protagonista (é o caso das relações com a Coreia do Norte, durante o governo Clinton). Sua linguagem é direta e expositiva, sempre em busca de comunicação com o leitor.

Fascismo: um alerta
Autora: Madeleine Albright
Tradução:  Jaime Biaggio
Editora: Planeta
Ano de publicação: 2018
299 páginas
Preço: R$ 54,90

 

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Um recado ao eleitor que vai votar nulo ou branco

Arte do Guto Respi: www.facebook.com/guto.respi

Oi! Tudo bem? É com você mesmo que eu quero falar. Com você, que diz para quem quiser ouvir que não vota, que nunca votou na vida. Que repete que “todos os políticos são iguais”. Que nem sabe onde está guardado o título de eleitor, porque nunca foi usado.

Também estou falando com você, que já votou em candidatos do PT, já votou em candidatos do PSDB, “se desiludiu com a política”, e hoje prefere ficar em cima do muro. Vai votar branco, só pra não ter que pagar multa no TRE.

E você aí! Que vai estar em trânsito, mas, em vez de dar um jeito de votar, vai preferir justificar, “para não ter que participar desse circo”. Afinal, “um voto não faz a menor diferença”, não é mesmo?

Isso para não falar de você, que acredita naquele boato, já desmentido zilhões de vezes, de que, se mais da metade dos eleitores anularem o voto, uma nova eleição é convocada. Isso é mentira. O que vai acontecer é que todos esses votos nulos serão considerados inválidos e será preciso bem menos pessoas para eleger um boçal.

Ôxe, eu até entendo a desilusão com a política, entendo que um voto parece não fazer a menor diferença, mas não entendo alguém abrir mão de um direito tão sagrado, conquistado a tão duras penas, que é o direito de exercer a cidadania e votar em um representante. Porque, obviamente, a maior falácia do universo é acreditar que “todos os políticos são iguais”. Isso é discurso populista de quem nunca acompanhou a política de perto, de pessoas completamente despolitizadas e desinformadas.

E, mais grave que abrir mão do direito de votar é fazer isso nestas eleições polarizadíssimas, em que temos o grande risco de um sujeito que defende a ditadura militar, que defende o assassinato de cidadãos, cujo livro de cabeceira é de um reconhecido torturador brasileiro, de um sujeito com este naipe ser eleito.

Quem cala consente.

Quem fica em cima do muro, também.

Estas não são eleições para dar de ombros e deixar o barco andar, não. São eleições para se posicionar.

O risco à democracia, com o fortalecimento desse Jair Bolsonaro, é tão grande, que eleitores de todos os matizes ideológicos, gente que vai votar em Boulos/Ciro/Haddad, em Marina/Alckmin, em João Amoedo/Meirelles, em tudo quanto há, estão se unindo por uma causa comum: #EleNão. Pessoas que em 2014 estavam se estapeando nas ruas hoje estão unidas para tentar evitar a tragédia que seria para nosso país se um sujeito como Bolsonaro fosse eleito, ou mesmo chegasse ao segundo turno.

Tragédia não só dos direitos humanos, que os eleitores do sujeito parecem desdenhar mesmo, mas de todas as outras áreas importantes para dar sustentação a este frágil país: economia, educação, saúde, trabalho. Porque o sujeito, além de tudo, é um boçal, que nada entende de nada.

Por isso, amigo que está em cima do muro, amiga que nunca votou na vida, talvez seja a hora de sentar no computador, passar os olhos nos programas de governo que esses 13 presidenciáveis têm a apresentar para o Brasil, tirar um tempo para racionalizar em torno da sua escolha, e dar valor ao incrível benefício que foi conquistado para você por seus pais ou avós, essa dádiva que é poder votar a cada dois anos. Aproveite enquanto esse direito ainda não tiver sido arrancado de você, porque existe sim o risco de, em breve, não termos nem os mais básicos pilares da democracia em nosso país, como bem escreveu Celso Rocha de Barros nesta semana, em sua coluna na “Folha de S.Paulo”:Segundo o Datafolha, 13% dos eleitores pretendem anular o voto, um percentual altíssimo. Esses 13% poderiam virar o jogo do tabuleiro das eleições deste ano, poderiam dar asas a pelo menos uns cinco candidatos que ainda estão no páreo, poderiam enfraquecer este senhor que levou uma facada mas foi fazer pose de arminha na cadeira do hospital. (Como se não estivesse cercado por seguranças armados quando levou a facada…)

Se você faz parte dessa turma, saiba que tem um grande poder em mãos. E, com ele, como bem sabem os super-heróis, vem uma grande responsabilidade.

Você sempre se perguntou como um Hitler conseguiu chegar ao poder e fazer tudo o que fez? Ou como o golpe militar pôde acontecer no Brasil e perdurar por 20 anos? Eu também, mas hoje isso é claro como água. Quem avisa amigo é…

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