A importância do elogio no ambiente de trabalho

Placa de parabéns, elogio, "bem feito", "bravo!"

Sabem uma coisa que é INSUPORTÁVEL no trabalho? Quando os gestores só criticam tudo o que você faz. Você pode entregar um trabalho brilhante, mas as únicas trocas que acontecem entre quem recebe seu “entregável” e você são para apontar erros, problemas, dizer que algo poderia ser melhorado, que deveria ser assim ou assado.

Trabalhei em cargos de liderança e com gestão de equipes por muitos anos e uma das coisas que mais percebi, empiricamente mesmo, é que as pessoas trabalham muito melhor quando são valorizadas.

Elogios fazem TODA, TODA a diferença mesmo. Essa foi uma coisa que aprendi cedo na vida e que sempre procurei aplicar enquanto tive que coordenar equipes.

Aliás, se as críticas devem ser pontuais e SEMPRE a portas fechadas, os elogios podem e devem ser públicos. Eu adorava jogar no grupo de zap do time, por exemplo, que fulana arrasou numa matéria, que a outra deu um furo espetacular e que o outro foi o mais lido do mês – todos de parabéns etc e tal.

Não é um “truque” de gestão, não é uma coisa que li num desses livros de dicas para o meio corporativo. É algo que aprendi na prática. E quando falo na prática, não é só na prática estando num cargo de chefia, mas também quando eu estava lá no chão de fábrica. Porque eu sempre percebi que trabalhava melhor, mais feliz e mais motivada quando meu trabalho era valorizado.

E o valor vai muito além do salário (embora este seja fundamental). Tem a ver com inúmeras coisas, e essas coisas são subjetivas, pesam de jeitos diferentes pra cada um. Mas o elogio segue sendo um termômetro importante de valorização de um trabalho. E ainda é grátis 😉

Se você é responsável por avaliar o trabalho de outra pessoa, lembre-se disso. Não fale com ela só pra encher o saco, apontar problemas (às vezes problemas que você, na sua função, é responsável por sanar), ainda correndo o risco de ser implicante, de virar picuinha. Fale com ela de forma respeitosa, valorizando a bagagem dela, e elogiando sempre que possível. Você vai ver que isso fará toda a diferença, tanto nas entregas quanto na relação entre vocês 🤗

P.S. Tenho a hipótese de que um dos motivos pelos quais a IA tem feito tanto sucesso como assistente é pela forma sempre gentil, educada e elogiosa com que ela traz suas respostas. As pessoas gostam de trabalhar com gente assim. E, se as “gentes” não são mais assim, apelam para os robôs que sejam 🤷

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Escrevi o post acima em 6 de fevereiro e, na época, teve grande repercussão no meu LinkedIn. Foram mais de 7 mil pessoas alcançadas, mais de 100 reagiram ao post e 32 resolveram comentar. Compartilho a seguir alguns desses comentários:

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Jorge Soufen Junior: “Quando o chefe é gestor de pessoas, ele faz bem pro subordinado e pra ele próprio. Trata o colega como parceiro, não como subordinado. E fazendo isso, o vínculo e a admiração perdura mesmo quando mudam de emprego. Entre um cara supercompetente que traz resultados e outro super bom gestor, sempre indico o segundo.”

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Tadeu Meniconi: “Além de concordar com cada vírgula do seu texto, acrescento uma questão que me incomoda demais: quando chefe acha que é ombudsman. Esculacha o que está sendo feito como se ele não fosse parte do processo. Não faz nada para melhorar a situação, só critica, e muitas vezes sem muito fundamento.”

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Rafael Simi: “Isso que você está falando tem sido tratado por diversos profissionais de saúde mental como uma das causas de tantos transtornos de ansiedade atuais. A falta de reconhecimento impede que as pessoas “fechem” seus dias, porque elas nunca sentem que cumpriram algo. Tudo é dívida. Assim, elas vivem num dia que não termina, sempre ansiosas, sempre correndo e sempre sem entender quando é hora de relaxar e celebrar um trabalho feito com competência.”

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Leticia Villas: “Concordo totalmente com você sobre a importância do elogio e da valorização no dia a dia. Mas confesso que também tem me incomodado outro extremo: a dificuldade de dizer, com clareza, que algo não era o que a pessoa esperava. Tudo começa com um elogio protocolar, especialmente na relação com fornecedores, para depois vir uma lista interminável de “ajustes”. Talvez a gente precise normalizar mais o feedback honesto, direto e respeitoso. Dizer “vamos procurar outro caminho” também é maturidade e não desvalorização.”

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Giselle Zambiazzi: “Trabalhei um tempo curto para uma agência grande, conceituada, metida a famosinha, numa assessoria de imprensa. Eu, uma idosa de 45 anos na época com mais de 20 anos de experiência, tive que me subordinar a uma garota recém-formada que dizia que “odiava velhos”. Junto com os microcontroles absurdos e a pressão, não existia feedback positivo. Nada. Tudo o que eu produzia era insatisfatório. Os documentos de Word com comentários e pintados de vermelho circulavam pela equipe. Saí de lá achando simplesmente que eu não sabia escrever. Travei. Simplesmente não conseguia mais escrever pra mais ninguém. Eu tinha que aprovar até as trocas de mensagens de WhatsApp antes de enviar para os clientes e nem isso servia! Nada! Adoeci feio e passei a rejeitar propostas de trabalho por me sentir incapaz. Uma editora me resgatou daquele inferno, tive muita sorte, mas foi difícil demais. Gestores confundem muito críticas e sugestões com sentimentozinho de poder, eu acho.”

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Cristiane Leite: “Oi, xará! Você deveria criar um curso para gestores. Sabe muito. Eu já pensei em criar o conteúdo inverso, focado nos colaboradores. Como diziam sobre mim no passado: “você é muito bem mandada”. Seria uma estratégia de sobrevivência de quem aprendeu a dominar o jogo corporativo?”

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Juliana Baeta: “Nossa, Cris, concordo 100% com você. Uma gestão humanizada e parceira faz toda a diferença, não só pra saúde mental do funcionário, mas pra saúde da empresa mesmo. Os resultados falam por si só. E eu concordo com a sua xará, você deveria dar um curso sobre isso. Já tive a sorte de estar sob sua liderança em duas oportunidades, e você sabe fazer isso como ninguém!”

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Rodrigo Salgado: “Cris, te admiro muito como gestora e esse é um dos principais motivos!”

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Danielle Moreira: “Reconhecimento é um dos fatores que mais aparecerem nas pesquisas referentes ao que colaboradores buscam em uma cultura! Ele nem sempre precisa ser financeiro, feedbacks constante impulsionam resultados. Adorei sua reflexão, Cris!”

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Lays Sabrina: “Críticas são importantes, mas às vezes elas nos dão um retrabalho desnecessário. Quando eu sei o que está bom no trabalho, quando o meu resultado é elogiado, apesar das falar, eu consigo melhorar o que não está 100%. Mas, quando só apontam defeitos, fica mais difícil de saber o que estamos fazendo direito.”

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Carlos Eduardo Pedrosa Mechoullam: “Um chefe que se limita a criticar sua equipe, ignorando os esforços e conquistas, é um exemplo clássico de liderança destrutiva. Esse comportamento transforma o ambiente de trabalho em um lugar inóspito e extremamente tóxico. A falta de reconhecimento sincero e a ênfase constante nos erros matam a motivação, gerando insegurança e ansiedade nos colaboradores, o que pode levar ao burnout e ao aumento do turnover (rotatividade de funcionários). O relacionamento no setor torna-se baseado no medo e na desconfiança, não no respeito mútuo. Em vez de colaboração, instala-se uma cultura de “cada um por si”, onde os colaboradores evitam assumir riscos ou inovar para não se tornarem alvos de novas críticas. Esse tipo de gestor não apenas destrói o clima, mas compromete diretamente os resultados da empresa, pois uma equipe desmotivada e acuada jamais alcançará seu potencial máximo.”

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Natália Lima: “Até uma IA tem mais “empatia” que um humano. O ser humano falhou miseravelmente.”

 

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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