Texto escrito por José de Souza Castro:
Antes de viajar para o Egito para participar da Conferência do Clima, da ONU, Luiz Inácio Lula da Silva deu um recado forte ao tal mercado que derrubava a Bolsa e subia o dólar. E Janio de Freitas, em sua última coluna na “Folha de S.Paulo”, subiu mais um pouco o tom.
Título da coluna, que a Folha, de olho nos anunciantes, tentou esconder nos seus espaços na Internet: “Falta ao mercado saber que Lula não foi eleito para servir à camadinha especulativa”.
Abaixo, os dois primeiros parágrafos:
“Ah, que horror! Lula disse que prioritário é acabar com a fome, não a contenção de gasto social, o tal teto de gastos! A Bolsa caiu! Reação imediata do mercado (nome de guerra dos que não produzem, não se incluem na infraestrutura econômica, e ganham no jogo financeiro das Bolsas). E tome de manchetes em primeiras páginas e comentaristas do “mau passo” com que “Lula já começou”. Todos sempre reforçando a exigência reiterada pelo mercado: “Lula tem que indicar logo o novo ministro da Economia”.
Tem que? Ainda falta ao mercado a informação de que Lula foi eleito para presidir um país de mais de 215 milhões de habitantes, não para servir à camadinha especulativa. A decisão eleitoral completa neste domingo duas semanas, apenas. Nas quais o mercado se fez de inquieto porque este é um método eficaz para acionar o sobe-desce lucrativo da especulação financeira. E de quebra dizer quem manda, para ver no que isso dá. Nenhuma empresa séria depende da urgência de um nome de ministro.”
Outros entraram em campo contra o mercado, que Jânio definiu bem: “nome de guerra dos que não produzem, não se incluem na infraestrutura econômica, e ganham no jogo financeiro das Bolsas”.

O ex-ministro da Fazenda no governo Sarney em 1987, Luiz Carlos Bresser-Pereira, em artigo na Folha no dia seguinte, criticou que o mercado financeiro e a centro-direita esperam que Lula adote os mesmos critérios de 2002 para a escolha de ministros que sejam simpáticos a eles.
“Em 2002 estávamos no auge do liberalismo”, lembrou Bresser-Pereira.
Mas vieram, em 2008, a crise bancária iniciada nos Estados Unidos e, oito anos depois, a crise política com a eleição de Donald Trump e, na Inglaterra, o referendo favorável ao Brexit. Mais grave ainda, com a chegada em 2020 da pandemia da Covid-19.
Tudo a demonstrar que o Estado era mais importante que o liberalismo para enfrentar as crises.
Em 2021, acrescenta, o neoliberalismo entrou em colapso com a nova política desenvolvimentista de Joe Biden, trazendo o Estado de volta.
“O neoliberalismo e a ortodoxia liberal fracassaram porque os resultados que produziram foram decepcionantes”, diz Bresser-Pereira.
Mais contundente foi o economista-chefe do Institute for Internacional Finance, de Washington, que reúne as maiores instituições financeiras privadas.
Robin Brooks, que há três anos vem defendendo que o valor justo para a moeda brasileira é R$ 4,50 por dólar, afirmou no domingo que sua opinião é a mesma, ao contrário dos especuladores brasileiros – a tal Faria Lima – que agora apostam contra o real e contra Lula. Diz o respeitado Robin Brooks, conforme Nelson de Sá em sua coluna de domingo:
“O Brasil teve eleições há duas semanas e a transferência de poder é pacífica. O mais raro dos presentes: uma grande economia emergente com uma democracia que funciona. O que fazem os mercados? Eles punem o Brasil”.
Uma canelada ianque bem dada, de quem aposta que “o real vai se recuperar para R$ 4,50.”
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