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‘Bela Vingança’: um jeito genial e divertido de abordar um assunto grave

Não deixe de assistir: BELA VINGANÇA (Promising Young Woman)
Nota 9

Carey Mulligan interpretando uma mulher bêbada na primeira cena do filme.

Uma mulher completamente bêbada, frágil, vulnerável. Não consegue achar o próprio telefone, mal sabe onde está. Um homem aparentemente bem-intencionado aparece para levá-la para casa. E ela vai parar na cama dele. Quantas cenas como esta já aconteceram no mundo? Com você, ou com alguma amiga sua?

Esta é a primeira cena do filmaço “Bela Vingança“, que tem em inglês o título bem mais sutil e sarcástico de “promising young woman”. Afinal, quantos homens foram acusados de estupro ao redor do planeta, ao fazerem sexo com mulheres inconscientes, e acabaram protegidos sob o argumento de que, “coitadinhos, são tão jovens, tão promissores, não sabiam o que estavam fazendo”?

Mas o melhor do filme é que a primeira reviravolta, das várias que aparecem em seu roteiro brilhante, já se dá logo neste início. E depois haverá muitas outras, tão boas quanto, até culminar num grand finale.

A responsável pelo melhor deste filme, que é seu roteiro, é Emerald Fennell. E ela conseguiu várias proezas com seu feito: foi a primeira mulher a ser indicada ao Oscar de melhor direção por um trabalho de estreia, e foi uma das pouquíssimas (três, pra ser mais exata), a ser indicada como melhor diretora, melhor roteirista e melhor produtora de uma tacada só. Este também é o primeiro ano em que duas mulheres concorrem na categoria de melhor direção.

Que estreia, hein, Emerald! Logo em seu primeiro longa-metragem, três indicações ao Oscar. Incluindo de melhor filme do ano. Isso é para poucos.

Este que pode ser o melhor do ano tem, ao meu ver, dois grandes méritos. Além de trazer tantas reviravoltas em sua narrativa, que contribuem para que ele seja catalogado como um thriller, um filme de crime e suspense, há o tema principal, que é na verdade um baita drama. Sem citar a palavra “estupro” nem uma única vez em quase duas horas, somos apresentados a várias formas de assédio.

Os homens que hoje em dia são chamados de “predadores” não são malvadões típicos, que pegam uma mulher num beco escuro e a agarram à força. Não, eles são os populares da faculdade, os bonitões, os ricaços que pagam bons advogados para manter suas vítimas acuadas. (E que talvez não se mostrassem tão machões se as vítimas estivessem perfeitamente sóbrias e conscientes.)

Já vi isso muito em episódios da minha série favorita, “Law & Order SVU”. Mas este filme consegue ser melhor que a série pela sutileza. Por ir nos indicando as peças do quebra-cabeças aos pouquinhos. Por não escancarar pra gente nenhum ato de violência brutal.

Porque não precisamos ver para entender tudo.

Assim como havia acontecido com “O Escândalo“, este “Promising Young Woman” cumpre um importante papel ao colocar em evidência uma temática crucial para estes tempos de enfrentamento ao machismo. É claro que existe uma diferença gritante entre os dois ótimos filmes: naquele, baseado em fatos reais, as vítimas escolheram o caminho legítimo da denúncia formal para combater os assédios que sofriam.

E, nesta ficção, temos uma pitada de loucura, de vingança com cara de filme de terror, que, junto a uma trilha sonora escolhida a dedo, traz um pouco de leveza para um assunto tão árduo, por ser tudo absurdo. Os métodos usados pela protagonista para combater os homens predadores são insanos e, ao mesmo tempo, geniais. Por isso é divertido de assistir – do contrário, só ficaríamos com o lado do drama, chorando no sofá.

Cena do filme ‘Promising Young Woman’

Por fim, antes que eu me esqueça, vale destacar o trabalho magnífico de outra grande mulher deste filme, a atriz Carey Mulligan, que foi indicada, agora, ao seu segundo Oscar (o primeiro foi por “Educação“, quando ela era apenas uma jovem iniciante na carreira, ainda com cara de adolescente). Ela sofre e apavora na mesma medida.

Que as jovens mulheres promissoras também possam ser ouvidas e ver seus agressores devidamente punidos quando eles cometerem um crime. Porque, para todo crime, há de haver um castigo.

Assista ao trailer do filme:

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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