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‘Mank’: a homenagem a um personagem interessantíssimo do cinema

Para ver na Netflix: MANK
Nota 8

Uma das belas cenas de “Mank”, com Gary Oldman no papel principal e Amanda Seyfried muito bem no papel de Marion, que lhe rendeu indicação para o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Cá estamos de novo com Gary Oldman fazendo uma atuação magistral de um personagem real. Em 2018, escrevi que ele era o melhor ator do Oscar naquele ano, mesmo sem ter visto as atuações de Daniel Day-Lewis e Denzel Washington até aquele momento. Enquanto escrevo este post, ainda não vi as atuações de Anthony Hopkins e Steven Yeun, mas já acho que Oldman está, de novo, digno de uma estatueta de melhor ator principal.

É ele que segura este filme, interpretando Mank, um personagem que pode ser cínico, alcoólatra e grosseirão, mas que era de uma inteligência fora de série, de uma língua afiada como poucas, extremamente interessante, engraçado e cativante.

O filme é bom, principalmente, por seu personagem principal, e pelo ator excepcional que o interpreta. Fora isso, é interessante ver os bastidores da criação de um dos maiores filmes da história do cinema, “Cidadão Kane“, contado de um jeito que remete aos anos 30 e 40 em tudo: desde o figurino até o som, da fotografia em preto e branco até todo o resto do design de produção. Imagino que “Mank” vá levar várias dessas categorias mais técnicas.

Orson Welles aparece pouco no filme, mas o suficiente para eu ter ficado com a sensação de que ele era um babaca prepotente

Mas chama a atenção que o filme não concorre, em nenhuma de suas dez indicações, justamente naquela de que ele trata: o roteiro. Mank, ou Herman Mankiewicz, era, afinal, o roteirista brilhante daqueles anos e o roteirista brilhante de “Cidadão Kane” – filme que teve 9 indicações ao Oscar em 1942, mas só levou, justamente, pelo melhor roteiro. E eis que “Mank”, que fala sobre a concepção daquele roteiro, fica de fora dessa categoria.

Isso pode ajudar a explicar o maior incômodo que senti ao ver o filme, que me fez tirar dois pontos da minha nota final. A forma como a história é contada, com flashbacks escancarados e intercalados ao momento da produção de “Cidadão Kane”, deixa muito a desejar.

Os personagens reais que desfilam ao longo das mais de duas horas de filme também são mal apresentados, ou apresentados como se soubéssemos de antemão quem são todos eles. E, me desculpem a ignorância, mas eu não sabia. O roteiro também deveria prever um público que está sendo apresentado à Hollywood de 80 anos atrás, com tantas minúcias, apenas agora.

O fato é que levei um bom tempo para me acostumar a todos aqueles nomes e, mesmo quando consegui, não fiquei conhecendo a fundo nenhum dos personagens (ao contrário do que aconteceu com o excelente “Os 7 de Chicago“, que também tinha muuuuuitos personagens reais, mas um roteiro brilhante). A exceção, além do próprio Mank, ficou a cargo de um personagem fictício, o Shelly.

Independentemente disso, trata-se de uma bela homenagem ao Mank real e de um deleite para os cinéfilos de raiz. Mas, cá pra nós: terminei de assistir achando Orson Welles um babaca prepotente. Terá sido?

Assista ao trailer do filme:

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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