Vale a pena ver na Netflix: O IRLANDÊS (The Irishman)
Nota 7
Confesso que demorei a criar coragem para assistir ao filme “O Irlandês” – e olha que ele tem a grande vantagem de já estar disponível na Netflix.
O motivo é simples: não tenho muito tempo sobrando na vida e este filme tem 3 horas e meia de duração (!!!).
Por fim, meu esforço anual de ver os filmes do Oscar me empurrou para o trabalho, entre a última sexta e sábado.
O começo do filme, até sua metade, fluiu até muito bem. Martin Scorsese é um excelente contador de histórias, os principais atores do filme estão entre os melhores do planeta (Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci) e até a trilha sonora maravilhosa (como é sempre, em filmes de Scorsese) ajudou a segurar.
Não sou muito fã de filmes de gângsters e máfias, mas Scorsese e o roteirista Steven Zaillian (que já tem um Oscar por “A Lista de Schindler”, além de outras quatro indicações) construíram a história de modo a realmente torná-la interessante, mesclando as mortes e disputas com questões, por exemplo, políticas. Como a eleição de Kennedy e a invasão da baía dos Porcos, em Cuba.
O problema é que, por mais interessante que seja esta história, por melhores que sejam os atores e por mais boa vontade que a gente tenha, o filme começa a ficar custoso de assistir depois da segunda metade. A propósito: Al Pacino só aparece depois de 46 minutos. E ele está longe de ser o personagem mais interessante.

Na verdade, é difícil competir com a atuação de Joe Pesci. Reza a lenda que ele recusou participar do filme mais de 50 vezes, até finalmente ser convencido a aceitar fazer uma última parceria com Scorsese. Estava aposentado desde 2010. Mas valeu a pena a insistência: Pesci está sensacional. A naturalidade com que abraça o papel, a simplicidade de seu personagem, o risinho de canto de lábio – tudo o torna o melhor. E ele acabou recompensado por isso: foi indicado ao Oscar, assim como Al Pacino. Injustamente, o irlandês da história, o narrador, o protagonista, Robert De Niro, ficou de fora das nomeações.
Um dos grandes trunfos do filme, que vem sendo apresentado como novidade tecnológica, foi a forma como a equipe de efeitos visuais conseguiu rejuvenescer atores que estão com 76 (De Niro), 77 (Pesci) e 79 (Pacino) anos. É comum vermos filmes em que atores jovens são envelhecidos por maquiagem, efeitos especiais e boa atuação. Mas um rejuvenescimento de até 40 anos é muito mais raro. Afinal, é mais fácil um jovem atuar num papel de velho do que o contrário, que requer muito mais agilidade e energia do que um ator idoso é capaz de prover.
O que só reforça como, independentemente do mérito dos efeitos visuais, a atuação desses caras é realmente um diferencial.
Enfim, “O Irlandês” foi indicado ao Oscar por tudo isso que citei: boas atuações, bom roteiro, bom trabalho de efeitos visuais, bom trabalho de figurino e design de produção, que remetem àquele período pós-guerra. Boa fotografia. E, sim, boa direção e melhor filme do ano. Foram 10 categorias, incluindo as principais. Ainda assim, mesmo merecendo uma penca desses prêmios, é um filme difícil de assistir, lento, com cenas que poderiam ser cortadas totalmente para uma melhor fluidez. Assim como tinha acontecido a “O Lobo de Wall Street“, com 3 horas de duração, e “Gangues de Nova York“, com quase isso – ambos de Scorsese. Pelo bem da gente aqui, do outro lado da tela, esperamos que o próximo filme de Scorsese não vá pelo mesmo caminho.
Assista ao trailer do filme:
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7 ? Ah Kika pegou pesado rss. Mas falo por gosto pessoal, gosto muito de filmes de gangster então a afetividade me fez pensar em um 8 ou até 8,5. Joe Pesci esta incrivel mesmo e não achei injusto a não indicação do De Niro. Ele está muito bem mas sei lá, pra Oscar não. O lance do efeito especial tive a mesma impressão, o rosto da pra rejuvenescer mas a expressão do corpo, ainda mais quando pede mais “explosão”, a idade acaba pesando. Não é meu favorito pro Oscar não. Mas afetivamente me conquistou.
P.S: Você que adora cinema, conhece o podcast Central Cine Brasil? Tem boas analises de filmes nacionais sem o pedantismo de outros podcast’s.
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Ah, mas de 7 pra 8 nem faz tanta diferença, vai 😉 Acho que o cansaço pode ter comprometido minha avaliação rs. Vou buscar este podcast que vc indicou! E acompanhe os posts desta semana: vai ter resenha de um filme por dia! 😀
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