Datafolha: facada não se converteu em votos, rejeição do milico do PSL só cresce – mas tudo ainda pode acontecer

Após facada, vice de Bolsonaro disse: “Os profissionais da violência somos nós“. Laerte fez charge sobre a fala emblemática do general Mourão. Na Folha de S.Paulo (11/9/2018).

Na última sexta-feira, tentei fazer uma reflexão sobre o impacto que o ataque sofrido por Jair Bolsonaro poderia ter neste último mês de eleições. Vale ler AQUI, caso ainda não tenha lido.

Pois bem, a Folha acaba de divulgar a pesquisa Datafolha, realizada nesta segunda-feira (10), a primeira de peso feita após o fatídico 6 de setembro. Conclusões da pesquisa:

  • Bolsonaro apenas oscilou dois pontos, dentro da margem de erro. Não bastasse isso, sua rejeição (quando o eleitor diz que “não votaria de jeito nenhum no candidato”) subiu de 39% para 43%.
  • Nas simulações de um eventual segundo turno, ele perde para todos os demais candidatos principais, ficando empatado apenas com Haddad, do PT, surfando na onda do antipetismo e na lerdeza do Lula para passar o bastão.
  • Por falar em Haddad, mesmo sem aparecer em nenhum debate, mesmo estando numa campanha ambígua, que mostra o Lula mais como candidato do que ele, mesmo sendo publicizado como “vice” até hoje, numa estratégia que vem exasperando parte do eleitorado petista, mesmo assim ele cresceu, passando de 4% para 9%, tecnicamente empatado em segundo lugar, junto com Ciro, Marina e Alckmin.

Como eu disse na sexta, tudo pode acontecer nesses poucos dias para as eleições. O que, aliás, é bastante preocupante, porque denota o “vale-tudo” político em que o Brasil está mergulhado. Mas já me pareceu animador ver que Bolsonaro não conseguiu capitalizar a facada como muitos acharam que conseguiria (eu me incluindo nesses muitos). Talvez atitudes como esta tenham contribuído para o retrato flagrado hoje pelo Datafolha:

O extremismo e o autoritarismo que marcam essa chapa de Bolsonaro, cujo vice foi em plena Globonews dizer que pode haver um “autogolpe“, permaneceram. Mesmo depois que o presidenciável foi vítima da violência que ele sempre pregou. E, como bem disse Celso Rocha de Barros, “o eleitor é racional“.

É bem possível que, justamente por ser racional, o eleitor continue rejeitando Bolsonaro nos próximos dias, e ele nem mesmo chegue ao segundo turno. (Amém).

Enquanto isso, Lula segue tolhido pelo Judiciário, mesmo após reiterada decisão da ONU a favor de sua candidatura, e tende a sumir do noticiário depois que decidir finalmente passar o bastão para Haddad. Amanhã é o Dia D para o PT e seu maior líder deve estar na maior apreensão, porque, seja qual for sua decisão a partir de agora, ele vai ser ofuscado por ela. Depois das eleições, quando não tiver mais nenhum risco de ele apelar a qualquer Corte, nacional ou internacional, é bem capaz de o soltarem, como fizeram com o inimigo de Aécio que ficou preso ao longo de todo o ano de 2014, e só foi solto quando não tinha mais jeito de o tucano vencer, logo após o segundo turno…

Quem quer que vença nestas eleições, terá um homérico trabalho para juntar os caquinhos do Brasil e tentar reconstruir alguma coisa que se sustente minimamente de pé. Boa sorte para nós em outubro! E principalmente depois de outubro!

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4 comentários sobre “Datafolha: facada não se converteu em votos, rejeição do milico do PSL só cresce – mas tudo ainda pode acontecer

  1. Cris, concordo com o seu post. Desde o fatídico dia da facada eu estou cravando (sem ironia) que o evento não se transformará em votos significativos. Bolsonaro é um candidato muito polarizado e de elevada rejeição – e esta é a boa notícia. A rejeição, aliás, é muito grande, veja só, entre jovens, nordestinos e mulheres. Particularmente acho terrível este candidato conseguir tantos votos e ir para o segundo turno – por isso que eu venho dizendo que independente do resultado, ele é o vencedor deste processo todo: um político medíocre que conseguiu consolidar um eleitorado com expressiva votação. 😦

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  2. “mas tudo ainda pode acontecer” – a frase expressa uma dualidade, como uma faca de dois gumes; de todos os modos penso como você e assim espero, assim esperam todos aqueles que são contra o autoritarismo e o descaro do candidato Bolsonaro. Um abraço da Mariluz

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