A facada em Jair Bolsonaro – e a facada em Donald Trump

Texto escrito por José de Souza Castro:

“Quem semeia vento colhe tempestade”, diz o provérbio bíblico. Não digo isso como introdução a um artigo sobre Jair Bolsonaro e o que aconteceu a ele durante campanha em Juiz de Fora na véspera do 7 de Setembro. Muito já se falou sobre isso e muito será dito por analistas mais bem informados do que eu.

Vou falar do vento semeado por Donald Trump, um político mais importante do que o pobre Bolsonaro, pelo fato de presidir os Estados Unidos, país que aos poucos vai se apossando política e economicamente do Brasil como nos bons tempos coloniais. “Quem semeia o mal recebe maldade e perde todo o poder que possuía”, acrescenta aquele provérbio.

Não sei se esta parte se aplica a ambos os políticos. Mas vamos em frente.

A facada recebida por Bolsonaro teve repercussão imediata por estas plagas. A imprensa e as redes sociais se encarregaram disso.

A facada em Trump doeu menos, pois nem sangue correu. Foi dada por alguém da Casa Branca, não identificado pelo “New York Times”, que publicou no dia 5 de setembro um artigo em sua página Op-Ed. O jornal garantiu que o autor permanecerá anônimo, assegurando, porém, que se trata de um Oficial Sênior do governo Trump.

Imediatamente iniciou-se a busca, a começar por Trump. A Fox News, apoiadora desse governo direitista, declarou: “Trump Wants a Name”. Quem não deseja saber quem é o autor de um artigo que mereceu enorme atenção no mundo inteiro? Repórteres e comentaristas na Internet começaram logo a dissecar cada palavra, para tentar descobrir indícios que identifiquem a autoria.

Dan Bloom, um produtor da Panoply, empresa de podcast, observou que a palavra “lodestar”, que se lê em “We may no longer have Senator McCain. But we will always have his example — a lodestar for restoring honor to public life and our national dialogue”, é frequente em pronunciamentos do vice-presidente Mike Pence.

Se a facada foi dada no presidente Trump pelo vice-presidente dos Estados Unidos, qual a novidade, Temer? Porém, Mike Pence negou, na quinta-feira, ter escrito o artigo.

Em certo ponto, lê-se ali que, em razão da instabilidade de Trump que muitos na Casa Branca testemunharam, ocorreram no início sussurros dentro do Gabinete para se invocar a Emenda 25 da Constituição, o que desencadearia um processo complexo para remover o presidente (tal como o impeachment de Dilma). “But no one wanted to precipitate a constitutional crisis”, diz o articulista, e assim faremos o que pudermos para rumar o governo na direção certa até que, de um modo ou de outro, ele acabe.

Sem precipitar uma crise constitucional – o que, no Brasil, poucos, muito menos o vice-presidente, pensaram em evitar no caso Dilma Rousseff. E deu no que deu.

Quem se interessou pelo artigo do New York Times pode ler aqui, em inglês. Um trecho:

“The bigger concern is not what Mr. Trump has done to the presidency but rather what we as a nation have allowed him to do to us. We have sunk low with him and allowed our discourse to be stripped of civility.

Senator John McCain put it best in his farewell letter. All Americans should heed his words and break free of the tribalism trap, with the high aim of uniting through our shared values and love of this great nation.

We may no longer have Senator McCain. But we will always have his example — a lodestar for restoring honor to public life and our national dialogue. Mr. Trump may fear such honorable men, but we should revere them.”

Não encontrei no Google uma tradução em Português. Mas não duvido que o Inglês seja a segunda língua dos leitores deste blog. E, pelo andar da carruagem, de todos os brasileiros, no devido tempo.

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Descoberta musical da semana: o ‘beatnik blues’ de Taryn Donath

Passei o último fim de semana rejuvenescendo 11 anos. Uma grande amiga hospedou-se em nossa casa, passeamos pelos pontos turísticos mais legais de Beagá – Mercado Central, feira hippie, mirante do bairro Cruzeiro, Parque Municipal, Praça da Liberdade – e também participamos do primeiro Street Blues Festival, gratuito, que aconteceu no sábado e no domingo, de 12h às 21h, na praça José Mendes Júnior.

Blueseiros que reencontrei 😉

Digo que rejuvenesci tanto tempo assim porque eu me senti de volta em 2007, ano em que frequentei as barbearias de blues, fiz aulas de gaita com o Leandro Ferrari e criei o programa de rádio para blueseiros, que foi veiculado na UFMG Educativa durante 4 meses, logo antes de eu me mudar para São Paulo. Neste festival, voltei a rever os gaitistas da cidade (e de outras cidades) que eu não via há tanto tempo, e bateu uma saudade danada daqueles tempos em que eu ainda estava na faculdade, tocando tantos projetos ao mesmo tempo (estágio, TCC, blog, trabalho no Banco do Brasil, aulas na faculdade, aulas de gaita), e com energia suficiente para sonhar outros tantos projetos ainda.

(Onde foi parar toda aquela energia?)

Seja como for, digressão à parte, este post era para compartilhar uma artista que eu só fui conhecer no Street Blues Festival (aliás, excelente evento, que ficou cheio sem cair no insuportável, bem organizado… Que essa iniciativa se repita mais vezes!). A maioria das pessoas apareceu por lá para ver o Jason Ricci, gaitista de New Orleans que é considerado um dos melhores do mundo. Teve ainda Audergang, Alexandre da Mata, Danny Vincent, Rodrigo  Nézio e outras bandas. Todos ótimos.

E teve a californiana Taryn Donath, fechando o evento na noite de domingo. Além de ter um vozeirão, ela arrebenta num teclado suingado, que foi acompanhado por um baterista. E só: voz, piano e batera seguraram o show todo, com uma mistura de blues, jazz e soul, de boogie woogie, música latina e funk. Ela foi minha descoberta musical da semana, e eu gostaria de compartilhar com vocês:

 

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