‘Up’: um filme sobre morar, conviver e amar

Não deixe de assistir: UP: ALTAS AVENTURAS (de 2009)
Nota 9

Divulgação

Russell e Carl. Foto: Divulgação

Assim como “Divertida Mente“, filme do mesmo diretor, “Up” não é uma animação para crianças. Ou até pode ser, mas são os adultos — provavelmente os mais velhos — os que mais se emocionam com a história contada no filme.

“Up” conta a história de Carl Fredricksen, um velhinho que resolveu se aventurar até a Venezuela, a bordo de sua própria casa, para realizar tardiamente o sonho que ele compartilhava com sua amada esposa, Ellie, desde a infância.

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Foto: Divulgação

Sim, a bordo de sua própria casa! O lado mais fantástico da animação é justamente o dos balões coloridos que conseguem erguer o imóvel onde Carl morou a vida inteira e que estava sendo pressionado a deixar para que grandes empreiteiras pudessem demolir para construir prédios imensos no lugar.

Aí aparece, desde o comecinho do filme, o primeiro tema de interesse para os espectadores adultos: a especulação imobiliária. Carl se recusa a vender sua casinha por qualquer valor, mesmo após grande insistência. O personagem foi inspirado na história real da norte-americana Edith Macefield, que chegou a recusar a proposta de R$ 3 milhões por sua casa, quando estava com 84 anos de idade. (Depois que ela morreu, o “amigo” que herdou o imóvel acabou cedendo, e a casa foi demolida…)

Urbanismo, patrimônio histórico e cultural, qualidade de vida nas grandes cidades… A persistência de Carl — e de Edith — nos faz refletir sobre tudo isso. E até hoje inspira pessoas do mundo todo, como o arquiteto Fernando Goes, de Belo Horizonte, que fez a provocação abaixo para protestar contra a demolição de uma casinha na rua Timbiras, na capital mineira (leia AQUI a reportagem de Humberto Trajano sobre o caso).

Fotomontagem feita por Fernando Góes. Foto: Reprodução / Facebook

Fotomontagem feita por Fernando Góes. Foto: Reprodução / Facebook

Mas o filme faz refletir sobre mais um punhado de coisas difíceis. A nostalgia que prende demais, a ganância desmedida que pode cegar e isolar, o envelhecimento que também pode nos tornar rabugentos e isolados, o impacto do divórcio na vida das crianças pequenas, a importância de se preservar os breves redutos paradisíacos que ainda existem na natureza…

HISTÓRIA DE AMOR

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Ellie e Carl. Foto: Divulgação

Ao pesquisar sobre “Up”, no entanto, não foi nenhum desses assuntos cabeludos que se destacou nas buscas. O que mais parece ter encantado e repercutido foi a felicidade conjugal de Carl e Ellie. A mensagem do filme é clara: é possível ser feliz — muito feliz — no casamento, mesmo após anos e anos, e ficar bem velhinho junto ao seu amor, literalmente “até que a morte os separe”. Mesmo que o casal tenha personalidades praticamente opostas. Carl não vive todas as suas aventuras a bordo da casa ao lado de Ellie, mas, antes, já tinha vivido uma aventura bem maior e mais difícil com ela: a aventura de conviver um com o outro e construir essa convivência com muito amor.

Como tratar de tantos assuntos emocionantes, bonitos e difíceis em um filme supostamente feito para crianças? Aí está a maestria do diretor Pete Docter, que neste ano ganhou o Oscar por “Divertida Mente” e, em 2010, ganhou com “Up” — que ainda foi indicado a melhor roteiro, melhor edição de som e na categoria mais importante, de melhor filme do ano! (Até então, só a animação “A Bela e a Fera” tinha tido esse reconhecimento).

Mas não basta uma história bem contada e uma arte maravilhosa: quando se trata de tocar a fundo nas nossas emoções, há que haver música. E a trilha sonora feita por Michael Giacchino, que também levou o Oscar em 2010, é a verdadeira alma do filme. É uma delícia! Quer ver? Pense em um matrimônio feliz, em um casal alegre, devotado e unido, que vive muitos anos juntos, até um dos dois morrer, bem velhinho, deixando o outro cheio de saudades tristes. Agora ouça esta faixa da trilha sonora de “Up”, “Married Life”, e veja se ela não traduz exatamente tudo o que você pensou — e sentiu:

Em tempo: se você também quiser levantar sua casa pelos ares com balões de hélio, vai precisar de bem mais que os 20 mil usados por Carl na animação: sim, fizeram esta conta, e seriam necessários quase 13 milhões de balões 😉

Assista ao trailer do filme:

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4 comentários sobre “‘Up’: um filme sobre morar, conviver e amar

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