Santuário do Caraça, um paraíso a duas horas de BH

Como contei aqui na última sexta, passei o fim de semana em um lugar escondido na natureza, sem sinal de celular, tranquilo como quase nenhum outro lugar do planeta. Só não tinha dito que lugar era este. Mas hoje dedico o post inteiro a ele, o Santuário do Caraça.

Placas que nos recebem logo que chegamos à estradinha do santuário do Caraça :) Clique na imagem para ver em tamanho real. Todas as fotos: CMC ou Beto Trajano

Placas que nos recebem logo que chegamos ao Caraça 🙂 Clique para ver em tamanho real. Todas as fotos: CMC ou Beto Trajano

Estamos falando de um dos recantos mais históricos nos arredores de Belo Horizonte. Fundado em 1774, a quase 1.300 metros de altitude, encrustado no alto da serra do Espinhaço, o complexo arquitetônico é patrimônio cultural do Brasil e o terreno, de 12 mil hectares, é patrimônio natural da Unesco. É centro de peregrinação religiosa, de turismo, de educação (recebe trocentas excursões de estudantes) e de pesquisa ecológica. Batizado de uma das “7 Maravilhas da Estrada Real”, o santuário fica a apenas 120 km da capital mineira.

Feita toda essa apresentação preliminar, passo a falar da minha experiência por lá nesta minha primeira visita (de muitas, espero!).

Chegamos no fim da hora do almoço de sábado, às 14h, e fomos direto ao refeitório, que ainda conserva aquela cara dos internatos de antigamente, com mesões enormes e todos interagindo. As refeições são uma atração à parte do fim de semana no Caraça. A diária da hospedagem inclui café da manhã, almoço e jantar, e posso dizer que (principalmente o café) foram algumas das melhores refeições que já fiz na vida.

Clique na foto para ver maior.

O refeitório esvaziado, no fim do almoço. Clique na foto para ver maior.

Na tarde do sábado, passeamos pelas belas trilhas que levam ao bosque (onde até fiz qi gong), ao Banho do Imperador (poço onde Dom Pedro II foi se refrescar e em que, se não estivesse tão seco, poderíamos ter nadado também), ao calvário, ao mirante… Também exploramos o próprio complexo do santuário, onde há o claustro, a Casa das Sampaias (onde viviam as funcionárias do colégio de padres quando ele ainda era ativo), a igreja (fundada em 1883), as catacumbas… além de sala de jogos, biblioteca, jardins etc.

Existem trilhas maiores e mais difíceis (algumas parece que exigem até escaladas), que levam a pontos como a gruta de Lourdes, a capelinha que a gente avista bem de longe, a Pedra da Paciência e a cascatinha, mas não percorremos nenhuma delas neste primeiro fim de semana.

À noite, antes e depois do jantar, pudemos ver o visitante mais ilustre do santuário: o lobo guará, que aparece ao chamado do padre, surge tímido em meio à roda de turistas, come alguns ossos deixados para ele em um tabuleiro, e depois some de novo. Vai e volta, vai e volta, posa para cliques e flashes, e ficamos ali admirando aquele bicho esquisito, meio-cachorro-meio-raposa, ameaçado de extinção, e que, mesmo assim, não se importa de entrar num território cheio de humanos estranhos tomando taças de vinho e copos de cerveja. Enquanto isso, vamos ouvindo uma verdadeira aula do padre (infelizmente, esqueci de anotar o nome dele), sobre os hábitos desse animal.

O padre e o lobo

O padre e o lobo

Dizem que uma anta também aparece de vez em quando para comer com o lobo, mas não tivemos a sorte de vê-la.

A ala em que dormimos, que tem uma linda vista para a serra, é, assim como todo o complexo, uma construção bastante antiga, daquelas casas que parecem ter vida como seus habitantes. Que ecoam os passos, as vozes, e se silenciam de repente, no fim da noite, num breu total. Foi um sono profundo que eu dormi naquela noite, de 23h às 6h30, ininterruptamente, e acordei tão cedo assim (como não fazia há séculos) porque já estava revigorada. Saí andando de pijamas e de câmera em punho, fotografando o santuário, ainda dorminhoco, envolto em neblina. Os jacus agora comiam os restos dos ossos deixados pelo lobo-guará, só migalhas.

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Os jacus, bem cedinho.

No domingo, depois do café da manhã mais farto do mundo, fomos visitar o museu. Ali conhecemos a história do colégio interno, que já abrigou várias personalidades importantes das letras e da política, e cuja história foi interrompida por um incêndio, em 1968, que começou na oficina de restauração de livros e se propagou pelos dormitórios da criançada (ninguém se feriu, mas os bombeiros levaram mais de cinco horas para chegar, de Belo Horizonte, e começar a conter as chamas). O museu tem fotos, vistas bonitas de todo o santuário e um relato interessantíssimo escrito por Dom Pedro II em seu diário. Fiz questão de fotografar para reler mais vezes (clique para ver as imagens em tamanho real e ler também):

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Fomos embora perto da hora do almoço, passando agora pela estrada que leva a Ouro Preto, que tem paisagens deslumbrantes da Serra do Espinhaço e é muito mais bonita que a tenebrosa BR-381, embora seja um caminho mais longo para Belo Horizonte.

Foi um fim de semana mágico, encantado, mergulhado no passado, na natureza e no descanso, cercada por pessoas relaxadas, interessadas, sorridentes, de várias crianças e famílias, por passarinhos, jacus, lobos, araucárias e montanhas de cartão postal. Fiquei tão pouco, mas foi como se eu tivesse me distanciado uma semana desse caos barulhento e poluído onde moramos.

Quem quiser só passar o dia no santuário também pode! A visita começa às 8h e vai até as 17h, com taxa de R$ 10 por pessoa, se não me engano. Eles entregam um mapinha na entrada. O local para visitantes tem lanchonete, banheiros e uma lojinha para comprar souvenires (claro que comprei um ímã de geladeira!).

Abaixo, separei uma galeria de fotos, com 40 imagens, que ajudam a ilustrar o que já descrevi até agora. As legendas também contam bastante coisa:

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Veja nos links as informações sobre como chegar, preços das hospedagens e mais informações sobre o santuário.

Leia também:

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