O texto abaixo foi originalmente publicado no “Montbläat” número 331, de março de 2010. Não sabe o que é isso? Leia o post de ontem ;)
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“A seguir, listamos as propostas. Outras existirão, algumas poderão até ser rejeitadas pela maioria de nossos leitores, mas alguém tem que começar e aí estão, na mesa, com a mesma abertura (e ingenuidade) que durante a última campanha presidencial perguntei (em vão, com exceção de Ciro Gomes), nas páginas do JB aos candidatos o que fariam para erradicar a miséria do Brasil no espaço de uma geração. Pelo que vemos da atuação do governo do neoPT e do PSDB ninguém estava realmente interessado nisso (apenas Ciro Gomes respondeu).
As propostas:
1 – Prioridade máxima ao ensino público universal, leigo e gratuito nos níveis fundamental e médio. Valorização da carreira do magistério pagando aos professores salários com um piso de R$ 6 mil e um teto equivalente ao salário atual dos parlamentares (R$ 12 mil 500). Se podemos dar isso a uma besta como o Severino [Cavalcanti] por que não a um professor?
Incentivo financeiro nos moldes do Bolsa Escola para manter estudando crianças pobres. Como complementação, estimular a “adoção” de um menor pobre por família de classe média. Essa “adoção” implicaria em ajudar a pagar os estudos e o material necessário do “afilhado” e acompanhar o seu desempenho escolar.
2 – Enxugamento e extinção de pelo menos um terço dos ministérios. Estabelecimento de uma carreira para os servidores públicos, pagar bem para atrair as melhores cabeças e formá-los como faz a França que dispõe da Escola Nacional de Administração, ENA, uma escola de elite (a mais prestigiosa do país) para moldar e formar os quadros do Estado.
3 – Voto distrital, com os parlamentares sendo cobrados por seus eleitores.
4 – Proibição de mudar de partido depois das eleições. O político eleito que o fizer perde automaticamente o mandato.
5 – Restabelecimento do mandato tradicional de cinco anos para presidentes e governadores sem direito à reeleição.
6 – Cargo de vereador sem remuneração nas cidades com menos de 50 mil habitantes.
7 – Fim dos apartamentos funcionais em Brasília, admitindo-se, no máximo, um auxílio moradia de até R$ 2 mil para os deputados alugarem um apartamento no mercado.
8 – Redução substancial da verba de gabinete. Contratação de no máximo três assessores a serem pagos diretamente pelo Congresso, ficando expressamente proibido contratar parentes próprios ou de outros parlamentares.
9 – Adoção do recall, isto é, a possibilidade de convocar uma eleição no meio do mandato do político para decidir se ele continua ou vai para casa.
10 – Obrigatoriedade de todo político eleito, ministro ou secretário de usar para si e sua família os serviços públicos de saúde e educação. Fica proibido constituir serviços “especiais”.
11 – Proibição de voto secreto durante as sessões parlamentares a todos os deputados e vereadores. Os eleitores – como patrões – têm o direito de saber o que os seus representantes andam defendendo.
12 – Fim do Senado. O Senado, também chamada de câmara alta, nas repúblicas sucede aos conselhos de anciãos tribais e é tida como uma instância mais madura, mais vivida e sábia, onde os atos da câmara baixa são revisados, melhor analisados e às vezes corrigidos. Com José Sarney, Inocêncio e Renan Calheiros? [Nota da Cris: mais atual que nunca, em tempos de Renan reconduzido ao cargo de presidente da Casa, hein]
13 – Fim do recolhimento compulsório do imposto de renda e adoção, pura e simples, dos procedimentos da Receita Federal Norte-Americana. O Brasil é o único país onde o governo toma adiantado o dinheiro dos cidadãos de classe média, em geral tomando mais do que é devido e a devolução não obedece aos mesmos critérios usados para arrecadar.
14 – Revisão geral dos impostos e fim dos impostos em cascata e da dupla tributação. Obrigação de incluir nos preços dos bens comprados a discriminação do total correspondente a impostos, para que o cidadão saiba exatamente o que o Estado lhe toma. Taxar mais fortemente operações financeiras e menos o trabalho e limitar o chamado “capital motel”.
15 – Reforma agrária para incentivar a agricultura familiar para abastecer as cidades e uso de grupos de sem-terra numa grande ação nacional de reconstituição da mata atlântica.
16 – Investimentos em Ciência e Tecnologia nas áreas de biotecnologia e fontes de energia, aproveitando a imensa biodiversidade e os potenciais do Brasil.
17 – Frentes de trabalho para refazer a infra-estrutura do Brasil. Em estradas, abrir a grupos estrangeiros a construção, manutenção e exploração das rodovias. Rodovias mesmo, como na Europa e nos EUA e não o que está aí.
18 – Política ferroviária e de navegação (reconstrução da marinha mercante e das ferrovias, principalmente para carga), igualmente admitindo-se a participação estrangeira.
19 – Estatização, unificação e integração dos sistemas de transporte das cinco maiores regiões metropolitanas do país nos moldes da Port Autority de Nova Iorque ou da RATP (Régie Autonome des Transports Parisiens, de Paris).
20 – Incentivo à criação de uma indústria bélica brasileira para buscar a autonomia no setor e reformulação completa das Forças Armadas, para que elas possam cumprir o seu dever constitucional.
21 – Reformulação total da Justiça e da Polícia.”
E aí, concordam?





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