Sou uma grande defensora da ampliação dos direitos para as empregadas domésticas. Acho um absurdo que, no país onde houve avanços em tantas áreas, as domésticas ainda não façam jus à limitação das oito horas diárias de trabalho, por exemplo. Todos nós sabemos que, em muitos lugares do Brasil, elas ainda dormem nas casas e, por isso, trabalham o dia inteiro, como escravas. Muitos podem dizer que não é bem como escravas, já que recebem salário, mas ainda é comum a prática de reter o salário por causa de dívidas (lembram do sistema feudal?) ou de pagamentos em comida ou moradia.
Isso para não falar de crianças que são trazidas das regiões mais pobres do país, como o Vale do Jequitinhonha, para “serem criadas” em casas de famílias de cidades maiores, onde, na verdade, trabalham como domésticas o dia inteiro. Claro, tudo isso está diminuindo, especialmente nas capitais. Mas no interior e nos rincões do país, ainda é corriqueiro. E tampouco não é incomum ver as domésticas serem discriminadas em condomínios de luxo e clubes onde vão trabalhar para as madames. Eu mesma fiz matéria a respeito disso não faz muito tempo.
Pois bem. Agora está finalmente avançando na Câmara projetos de lei que garantem diversos direitos trabalhistas às domésticas. E eu sou obrigada a ler, de uma entrevistada, que “nada adianta ter um Camaro se não é possível mantê-lo”.
Resta informar a algumas pessoas que, se ter uma doméstica em casa sai caro, é porque ela é uma empregada como qualquer outra, que precisa ter suas garantias pagas em dia, como qualquer um de nós. E que, se isso virou um luxo para poucos, é assim mesmo que tem que ser. Inclusive porque não é toda moça que está se submetendo mais àquele regime semiescravo de outrora, não. Está difícil encontrar nas grandes cidades uma doméstica que aceite dormir no trabalho, ralar o dia inteiro, e receber um salário mínimo. Que bom para elas, que assim está sendo. Talvez estejamos caminhando para o patamar a que os Estados Unidos chegaram nesse assunto (após muita luta, que começou muito mais cedo que a nossa e teve ligação direta com a luta pelos direitos dos negros). Lá, doméstica é, sim, artigo de luxo, porque recebe bem e é valorizada. Quem não pode pagar, que contrate uma faxineira esporadicamente ou aprenda a cuidar da própria sujeira.
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