
Só jornalista tem o hábito de ler o nome do repórter que assina uma matéria. Os demais mortais vão direto da foto pro título pro olho pro lide e, lá pelo quarto parágrafo, se tanto, costumam já pular para a próxima reportagem.
Mas quando eu ainda não era nem rascunho de jornalista, tinha lá pelos meus 17 anos, eu já me empenhava em ler tudo, inclusive as assinaturas. E assim descobri o nome do André Caramante, repórter de polícia da Folha que, há alguns anos, já fazia reportagens diferenciadas, daquelas que fazem o leitor não-jornalista decorar o nome do sujeito que escarafunchou todas aquelas informações.
[Não é que eu esteja chamando o André de velho, mas acho que ele começou novo no ofício…]
Assim, foi com muita honra que me vi trabalhando ao lado dele (e de outros ótimos repórteres, que não preciso enumerar). Tento aprender todo dia com esse povo.
Esse nariz-de-cera é para explicar por que hoje me vi indignada com uma clara tentativa de intimidação que foi feita contra ele.
Tudo começou com uma matéria, que acabou editada como nota do jornal, com apenas quatro parágrafos, mas altamente informativa, descritiva, sem espaço para opinião. Em poucas linhas, apresenta um perfil de um coronel reformado da PM que é candidato a vereador de São Paulo pelo PSDB. Diz que ele tem vários “seguidores” no Facebook, onde exibe imagens de caveiras com o uniforme da Rota (tipo esta acima), outras de sunga com a mulher, na praia, e relata supostos confrontos com “vagabundos” (civis), chegando a postar a foto de alguns deles, incitando a violência de usuários.
Me recuso a dar o link para a página do coronel aqui em meu blog.
Mas a matéria pode ser lida AQUI.
Muito bem. Eis que o coronel resolve intimidar o repórter, chamando-o de “notório defensor de bandidos” e outros quetais.
Felizmente, a reação foi imediata. Dezenas de pessoas já se solidarizaram com Caramante e o Sindicato dos Jornalistas soltou uma nota de repúdio e pediu diversas providências contra a intimidação e em proteção ao jornalista (proteção é algo muito necessário a repórteres de polícia, como já relatei certa vez).
O que me exaspera é saber que as ideias do coronel são compartilhadas por centenas de pessoas, como se vê em comentários pela internet. Então são grandes as chances de ele integrar o quadro da Câmara Municipal paulistana a partir do próximo ano. Desejo sorte aos “bandidos” da cidade, sabe-se lá quantos de nós.





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