Ir para conteúdo

Nada a declarar, governador Anastasia?

Texto de José de Souza Castro:

Não faz tanto tempo assim, a denúncia que o cientista político Fernando Massote, professor aposentado da UFMG, publicou em seu blog, seria pauta para a imprensa mineira e para as sucursais dos jornais de fora do Estado. No JB dos anos 70 e 80, certamente seria. Agora, provavelmente cairá no vazio. Como mudou a imprensa!

O que não mudou muito ainda, a julgar pelo caso narrado e pela notícia sobre manipulação dos números de crimes em Minas é a Polícia Militar, que teve seus dias mais negros durante a ditadura pós 64.

A íntegra da denúncia de Massote pode ser lida AQUI. Em resumo, ele diz que sua casa foi invadida por policiais militares, por duas vezes, sem qualquer mandato judicial. A casa fica no bairro Ouro Velho Mansões, em Nova Lima. O professor vem lutando ali, há muito tempo, contra um grupo de moradores que querem fechar o bairro para obrigar a todos a pagar uma taxa – algo parecido com o que faziam os barões assaltantes de estradas nos tempos medievais. “Barões” que contam com o apoio da PM.

Vale replicar um trecho da denúncia do professor Massote:

“Na última vez fui estúpida e violentamente preso por um soldado, um cabo e uma tenente que, como da primeira vez, entraram em minha residência empurrando uma de minhas filhas e minha mulher. Fui agarrado dentro de casa, colocado na jaula da viatura e levado à força, sem nenhuma explicação legal, à Delegacia, onde ouvi ainda desaforos da tenente, minha carcereira. Qual a razão de tratar dessa forma um homem pacífico, um estudioso, já vítima de violência, dessa forma? Por quê essa perseguição criminosa sem nenhuma justificativa? Minha filha, que é advogada, pediu à tenente um documento que justificasse a invasão de minha casa e minha prisão. A tenente respondeu que “– Eu sou autoridade!” A tenente não tinha a mínima consciência do que é uma “autoridade” que, para ela, não é coisa que emana da ou das leis mas depende de uma pura autonomeação! Minha filha, sem pestanejar, por isto mesmo, respondeu: “Autoridade, minha senhora, é quem cumpre a lei!” A tenente “autoridade” fascista, replicou com um violento empurrão em minha filha! É fascismo ou não é?”

Eu acho que é. E o que acha disso o governador Antonio Anastasia, professor de Direito Constitucional da UFMG? Será que, como aquele nefasto ministro da Justiça do governo Geisel, Armando Falcão, o governador não tem “nada a declarar”?

Armando Falcão morreu há dois anos, aos 90 anos. O lugar está vago, e o governador, se quiser, poderá usar a mesma expressão, sem reclamação do autor, por muito tempo. Até desaparecer no olvido da história…

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

Deixe aqui seu comentário! ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: