Prefeito de BH, amigo dos bancos

Texto de José de Souza Castro:

Tenho criticado a imprensa mineira por não cumprir o seu papel mais importante, que seria dar voz aos que não se conformam com a má administração pública, tanto no governo estadual como em prefeituras. Por isso, devo reconhecer que houve uma mudança. Por enquanto, se limita a um jornal diário da capital, o “Hoje em Dia”, mas é importante.

Para mim, a mudança se tornou mais clara a partir do momento em que um ex-repórter da “Folha de S. Paulo”, Hélcio Zolini, voltou em 2011 ao “Hoje em Dia”, onde havia sido editor de Economia, para ser o diretor de Jornalismo. O jornal fundado por Newton Cardoso, quando governador, para se contrapor ao “Estado de Minas” – que pela primeira e única vez em sua longa história fazia oposição a um governador –, foi comprado pouco depois pelo grupo do bispo Edir Macedo, que atualmente controla também a TV Record, a emissora com maior audiência no Estado, depois da Globo.

O bispo Fabiano Freitas, da Igreja Universal do Reino de Deus, é o presidente do “Hoje em Dia” e da “Record Minas”. Se ele mantém a mesma orientação de independência jornalística também na televisão – não sei, pois raramente assisto TV –, a situação passa a não ser tão fácil para os ocupantes de cargos públicos no Estado continuarem a enganar os eleitores desinformados pela imprensa.

Muitos devem ter-se surpreendido, neste domingo, com a manchete da primeira página do “Hoje em Dia”, pouco favorável ao prefeito da capital, que tenta se reeleger, mais uma vez, com o apoio do PT e do governo mineiro, controlado pelo PSDB e por uma chusma de partidos caudatários do governador. Revela a manchete: “Prefeitura tem R$ 1 bilhão em caixa e obras paradas”. A reportagem, assinada por Humberto Santos, ocupa toda a página 3. Primeiro parágrafo:

“Empresário bem-sucedido, o prefeito Márcio Lacerda (PSB) levou para a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) os preceitos da administração privada. Estabelecimento de metas, premiação por produtividade e lucro. Nos três primeiros anos de seu mandato, Lacerda fez o montante de dinheiro da prefeitura aplicado em bancos saltar de R$ 492 milhões, em 2008, para R$ 1 bilhão em 2011. Entretanto,o dinheiro que está investido em aplicações financeiras poderia ter outra destinação, que não fosse render dividendos. Se fosse investido em intervenções urbanas, poderia tirar do papel obras que há anos embalam os sonhos dos belo-horizontinos. Os números estão disponíveis no site da transparência da administração municipal.”

Os interessados podem ler mais AQUI.

Termino com uma questão simples, que o leitor saberá responder: a quem beneficia, além dos próprios banqueiros, tanto dinheiro público depositado em bancos?

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