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Cada livro para cada idade

Minha sobrinha, de 3 anos e meio, é doida com “O Mágico de Oz”. Conhece até as falas de cor do filme que viu 573 vezes e do livro que alguém leu para ela.

Eu, por minha vez, fui ler esse clássico da economia (!) aos 15 ou 16 anos – e, como era de se imaginar, achei um lixo.

Livros têm idade certa para serem lidos. Passada essa idade, tornam-se bobos.

Já passou pela terrível experiência de reler, lá pela adolescência, um livro que você amou a infância, e ficar com aquele gosto amargo na boca, de pura decepção? O melhor é nunca relê-los, ficar apenas com a doce memória (a exceção é meu ritual de ler “Milagre na Rua 34” até hoje, às vésperas do Natal).

Outro problema é ler antes da hora um livro que seria melhor entendido anos mais tarde. Acho que isso me aconteceu na leitura de “Crime e Castigo” e de “Metamorfose”. Mas sobre isso falo em outro post.

O que me interessa aqui é falar da frustração do meu pai, até hoje, por eu ter passado por toda a infância e juventude sem experimentar dois autores que o marcaram imensamente: a condessa de Ségur e o escritor alemão Karl May, de “Pelo Curdistão Bravio” (que, reza a lenda, escrevia sobre os países da Ásia sem nunca ter pisado neles).

Ele tentou de todo jeito encontrar esses livros quando eu era criança, sem sucesso. Hoje, que temos sebos virtuais e Mercados Livres da vida, é tarde demais: eu provavelmente já acharia esses livros uma bobagem. E se meu pai os relesse, ficaria com o gosto amargo substituindo a doce lembrança dos tempos em que devorava as bibliotecas das escolas de padres com histórias cheias de aventuras.

Todo modo, deixo aqui como dica para meus amigos que tenham filhos pequenos. Ou para o Thor Batista, que também está começando…

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

2 comentários em “Cada livro para cada idade Deixe um comentário

  1. Cris, já adulto, sempre que me lembrava da condessa de Ségur e de alguns de seus livros, como aquele de título curioso, “João que chora João que ri”, eu me perguntava o que outros, de nosso tempo, achavam da autora. E nas minhas leituras, ninguém citava a tal condessa. Até que neste mês li quatro referências a ela feitas por Carolina Nabuco, em “8 décadas”, o livro de memórias da filha do escritor Joaquim Nabuco.

    Primeira, na página 14: “Minha mãe familiarizou-me com o francês, que era para ela uma segunda língua materna. Abriu-se com isso, para mim, o acesso à delícia dos livros da condessa de Ségur, hoje quase todos traduzidos, mas que naquele tempo só existiam nas edições de capa de percalina vermelha da série da Bibliothèque Rose. As lições de mamãe corroboravam com minha ansiedade em entender as historias do livro, que eu manuseava com delícia antecipada aplicando-me em adivinhar o sentido.”

    Na página 15: “De todos os presentes que recebi na infância o que maior alegria me causou foi trazido por meu pai, inesperadamente, uma tarde ao voltar da cidade. Pareceu-me um verdadeiro milagre receber de uma só vez quatro livros (incrivelmente quatro!) da pena de minha querida condessa de Ségur.”

    Na página 22: “Era como se os livros da condessa de Ségur se estivessem materializando aos meus olhos [Carolina descrevendo a primeira vez que pisou em Paris, em 1899, quando tinha nove anos]

    E na página 215: “Sempre fui dada à leitura, mas os livros para crianças que existiam nas livrarias do Brasil eram só os que nos vinham da França. Entre esses, agradavam-me sobremodo os da condessa de Ségur, de quem já falei. Vim a conhecer muitos deles de cor. Ambicionava chegar a lê-los todos. Isto demorou bastante porque são mais de vinte volumes.”

    Pois é, eu também tive essa ambição, mas no internato onde eu estudava só havia uns quatro ou cinco. Depois nunca mais vi nenhum. E só agora, fazendo uma pesquisa no Google para escrever isso aí, soube que a condessa se chamava Sofia Fedorovna Rostopchine. Só quando se casou passou a ser a condessa de Ségur. Ela era filha do general russo Rostopchine, ministro do Czar e governador de Moscou, e quem teve e executou a ideia de incendiar Moscou e outras partes da Rússia para impedir a tomada do pais pelos exércitos de Napoleão Bonaparte (em “Guerra e Paz”, Tólstoi faz uma bela descrição desses incêndios).

    Foi ao ver a alegria com que você recebeu “Alice no País das Maravilhas”, aos sete anos, se não me engano, que tive a ideia de lhe dar os livros da condessa de Ségur… Pois era aquela a alegria que me pareceu sentir ao lê-los, aos dez anos. Quem sabe, você vai poder realizar esse desejo, daqui a alguns anos, com seus próprios filhos.

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