Minha sobrinha, de 3 anos e meio, é doida com “O Mágico de Oz”. Conhece até as falas de cor do filme que viu 573 vezes e do livro que alguém leu para ela.
Eu, por minha vez, fui ler esse clássico da economia (!) aos 15 ou 16 anos – e, como era de se imaginar, achei um lixo.
Livros têm idade certa para serem lidos. Passada essa idade, tornam-se bobos.
Já passou pela terrível experiência de reler, lá pela adolescência, um livro que você amou a infância, e ficar com aquele gosto amargo na boca, de pura decepção? O melhor é nunca relê-los, ficar apenas com a doce memória (a exceção é meu ritual de ler “Milagre na Rua 34” até hoje, às vésperas do Natal).
Outro problema é ler antes da hora um livro que seria melhor entendido anos mais tarde. Acho que isso me aconteceu na leitura de “Crime e Castigo” e de “Metamorfose”. Mas sobre isso falo em outro post.
O que me interessa aqui é falar da frustração do meu pai, até hoje, por eu ter passado por toda a infância e juventude sem experimentar dois autores que o marcaram imensamente: a condessa de Ségur e o escritor alemão Karl May, de “Pelo Curdistão Bravio” (que, reza a lenda, escrevia sobre os países da Ásia sem nunca ter pisado neles).
Ele tentou de todo jeito encontrar esses livros quando eu era criança, sem sucesso. Hoje, que temos sebos virtuais e Mercados Livres da vida, é tarde demais: eu provavelmente já acharia esses livros uma bobagem. E se meu pai os relesse, ficaria com o gosto amargo substituindo a doce lembrança dos tempos em que devorava as bibliotecas das escolas de padres com histórias cheias de aventuras.
Todo modo, deixo aqui como dica para meus amigos que tenham filhos pequenos. Ou para o Thor Batista, que também está começando…






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