Como foi assistir ao ‘Menino Maluquinho’ junto do meu filho

Junim (Samuel Brandão), Tonico (Levindo Júnior), pai do Maluquinho (Roberto Bomtempo), Irene (Edyr de Castro), Julieta (eu) e mãe do Maluquinho (Patrícia Pilar). Foto: arquivo pessoal.

Eu sempre imaginei como seria assistir ao filme Menino Maluquinho, tão importante na minha infância, junto com meu filho.

Mas achei que o Luiz só teria interesse em ver um filme de 1h23 de duração quando fosse mais velho, com pelo menos 5 anos, sei lá.

Eis que o garotinho de 2 anos e 5 meses descobre a existência daquele DVD em casa. E fica intrigadíssimo quando eu digo que “mamãe está lá”. E assiste a tudo, sentadinho no meu colo, com os olhos vidrados. E depois pede pra assistir de novo, e de novo, e de novo. “Quero ver mininu maiuquim”. “Quero ver a mamãe”. E ele mesmo pega o DVD, coloca no aparelho e dá play.

Ele não ficou comentando as cenas, então não sei dizer o que achou delas. Mas ficou compenetrado, vendo as crianças brincando na tela, vendo o carrinho de rolimã, o balão fazendo o resgate no alto da mangueira etc.

Na primeira vez que vimos até o fim, na semana passada, eu chorei em vários momentos. Fiquei feliz com a experiência, nostálgica com a minha infância e também com um conceito de infância e de pureza infantil que parecem estar se perdendo, ou durando cada vez menos tempo.

Quando eu era criança, queria ser criança pra sempre. “Peter Pana”, dizia meu pai.

Hoje, as crianças de 6, 7 anos já se portam como adolescentes.

Pela primeira vez na vida, assisti ao Menino Maluquinho com olhar de mãe. Junto com meu filho. E pensando em como eu gostaria que o Luiz tivesse uma infância plena como aquele personagem do Ziraldo, com tantas brincadeiras na rua, ao ar livre, sem um adulto controlando ou monitorando tudo o tempo todo. E em como isso tem se tornado cada vez mais difícil nesses tempos de violência, de muitos carros nas ruas, enclausuramento em condomínios e substituição dos contatos e conversas pessoais por virtuais.

Foi como se eu estivesse assistindo ao filme pela primeira vez, sendo que já vi mil vezes antes. Continuar lendo

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O reencontro da turma do filme ‘Menino Maluquinho’, 21 anos depois, em vídeo e fotos

Parte da turma, na época do filme e mais de 20 anos depois :)

Parte da turma, na época do filme e mais de 20 anos depois 🙂 Clique para ver maior

Desde que fiz aquele post “Por onde anda a turma do filme Menino Maluquinho, 20 anos depois“, estou querendo reunir a turma de novo para relembrar nossas memórias daquele período incrível que tanto marcou nossa infância.

Na primeira versão do post, ainda faltava encontrar alguns personagens, mas hoje, um ano depois de publicado, já consegui contato com todos os 18 atores mirins do elenco, embora cinco deles tenham preferido não participar das memórias. Encontrei inclusive o Lúcio, que foi alvo de uma campanha do blog, já que eu não tinha nenhuma pista de seu paradeiro.

A turma já trocou vários emails neste último ano e acabamos criando um grupo no WhatsApp. Foi assim que, 21 anos desde que nos vimos pela última vez, na estreia do filme nos cinemas, finalmente conseguimos marcar o tão esperado reencontro!

Como era previsto, não deu para reunir todos os 18. Tem gente que mora em outro Estado, outros tiveram contratempos inadiáveis, outros tiveram plantão no dia etc.

Mesmo assim, apareceu o Junim, que mora na Itália e estava em Belo Horizonte no dia. E a Carol, que mora em São Paulo, mas, assim que soube do encontro, fez as malas, pegou estrada e veio participar, animadíssima. Além do Toquinho e do Bruce Lee, que moram em Beagá (como eu, a Julieta).

Assim, cinco pessoas da turma marcaram presença na reunião e, por três horas, ficamos conversando sem parar, relembrando um milhão de coisas de quando tínhamos 9 anos de idade e contando o que aconteceu com cada um de nós desde então.

O encontro aconteceu no último domingo, 3 de julho, no restaurante Redentor, na Savassi, em Beagá. Para guardar de lembrança, fiz um registro em fotos e vídeo, que compartilho aqui no blog para que toda a turma maluquinha possa ver 🙂

Assista ao vídeo:

Veja a galeria de fotos:

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Que venham mais encontros! 😀

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Em busca de Thiago Rodrigues (ou: Lúcio, cadê você?)

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Depois que publiquei o post de segunda-feira, sobre as memórias de todas as crianças do elenco do filme “Menino Maluquinho“, já consegui acrescentar mais duas entrevistas! A Carol respondeu e encontrei o Jô Soares (Rafael Vidigal), com a ajuda de um leitor anônimo, que me enviou o Facebook dele. Além disso, já consegui encontrar parentes do Levindo Barbosa (que fez o Tonico), também graças à ajuda de um leitor, e estou tentando contato com ele.

Assim, o único que ficou faltando é o Thiago Rodrigues, que interpretou o Lúcio no filme. Acho fundamental que ele esteja no post, seria muito legal! Mas já esgotei minhas formas de encontrá-lo sozinha. Por isso, conto com a ajuda de vocês. Vamos criar a campanha “Lúcio, cadê você?” e espalhar pelos quatro ventos da internet que ele está sendo procurado ansiosamente? 🙂

Seguem algumas pistas para ajudar nesta caçada: encontrei em jornais antigos, da época das gravações (1994), que o nome completo dele era Thiago Rodrigues de Souza. Ele deve ter hoje entre 30 e 31 anos. Quando criança, fez capoeira e estudou na Escola Estadual Antônio Carlos, no Carmo, em Belo Horizonte.

E o rostinho dele no filme era assim:

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Que tal me ajudar nesta campanha? 🙂 É só compartilhar este post ao máximo e, se conhecer alguém que conhece um Thiago com essas características, talvez ainda em BH, não deixe de sondar essa pessoa! 😉


O DIRETOR MALUQUINHO – O post de segunda-feira também saiu em forma de reportagem na edição do dia do jornal mineiro “O Tempo”. O que achei mais legal foi a entrevista que o repórter Rafael Rocha fez com o diretor Helvécio Ratton sobre o filme, que foi o segundo longa-metragem da carreira dele.

Depois, Ratton brilhou nas telas em outros filmes nacionais importantes, como Batismo de Sangue, Uma Onda no Ar, o documentário O Mineiro e o Queijo e o mais recente, também infantojuvenil, O Segredo dos Diamantes. Mas, segundo ele, foi o Menino Maluquinho que fez ele “vencer a síndrome do primeiro filme”.

Diz a entrevista:

Um discreto orgulho emana da voz de Ratton ao falar sobre um feito: o filme funciona mesmo com as crianças de hoje em dia. ‘O personagem tem uma força que perpetua no tempo, não fica datado e é moderno. Esse foi o grande acerto'”

CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

filmemosaico

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Por onde anda a turma do filme Menino Maluquinho, 20 anos depois

filmeO filme “Menino Maluquinho“, de Helvécio Ratton, clássico do cinema infantojuvenil brasileiro, completa 20 anos de lançamento neste mês de julho de 2015.

Já contei por aqui que participei do filme, quando eu tinha 9 anos, como a Julieta. Depois que escrevi aquele post, várias pessoas apareceram para perguntar se eu tinha alguma notícia dos outros atores mirins do filme, mas eu tinha perdido contato com todos havia muito tempo.

Quando percebi que este era um ano de aniversário importante do filme, resolvi correr atrás do pessoal para responder à pergunta de todos: por onde anda aquela criançada? O que fizeram da vida? Algum seguiu carreira de ator?

Iniciei a saga no último dia 10 de abril, buscando principalmente nas redes sociais e no Google, e contando com a ajuda das pessoas já encontradas. Dos 18 personagens que compunham a turma mirim do filme, só não encontrei dois: Thiago Rodrigues (Lúcio) e Levindo Barbosa Junior (Tonico). Dos 16 encontrados e devidamente contatados, três não responderam às minhas perguntas e não retornaram mais, então presumi que não quiseram participar do reencontro. (Atualização em 28/6/2016: consegui encontrar TODOS os 18, mas cinco não quiseram responder)

Assim, o post de hoje traz a história de 13 personagens do filme, incluindo o ator Samuel Costa, que deu vida ao Menino Maluquinho. Cada um deles conta um pouquinho de sua história nesses 20 anos e compartilha uma foto recente, para que todos possam ver como estão, hoje com cerca de 30 anos de idade (alguns não mudaram NADINHA!). Fiquei muito feliz com o resultado, porque deu pra matar as saudades de uma parte que foi muito querida na minha infância. Espero que gostem também! 😉

Clique em cada personagem abaixo e boas descobertas!

samuel_costa


Ator:
Samuel Costa
Personagem: Menino Maluquinho
CLIQUE AQUI para ver a história dele, sua foto recente e formas de contato com ele

 


bocao


Ator: João Barbosa Romeu
Personagem: Bocão, o melhor amigo do Menino Maluquinho
CLIQUE AQUI para ver a história dele, sua foto recente e formas de contato com ele


nina
Atriz: Fernanda Guimarães Miranda
Personagem: Nina, a irmãzinha de Bocão
CLIQUE AQUI para ver a história dela, sua foto recente e forma de contato com ela


julieta
Atriz: Cristina Castro
Personagem: Julieta, a namoradinha do Menino Maluquinho
CLIQUE AQUI para ver mais uma parte da história e uma foto recente

 


carol
Atriz: Carolina Galvão
Personagem: Carolina, a personagem sonhadora da turma do Menino Maluquinho
CLIQUE AQUI para ver a história e uma foto recente da Carol

 


shirley
Atriz: Camila Paes
Personagem: Shirley Valéria, a mais bonita da turma e cobiçada por todos os meninos
CLIQUE AQUI para ver a história dela, sua foto recente e forma de contato com ela

 


junin


Ator:
Samuel Brandão
Personagem: Junim, o mais baixinho da turma do MM
CLIQUE AQUI para ver a história dele e sua foto recente

 


herman
Ator: Caio Reiss
Personagem: Herman, o valentão da turma
CLIQUE AQUI para ver a história dele e sua foto recente


 

lucio

Ator: Thiago Rodrigues
Personagem: Lúcio, intelectual da turma do Menino Maluquinho
ENCONTRADO, MAS NÃO RESPONDEU! 😦

 


tonico
Ator: Levindo Barbosa
Personagem: Tonico, o primo da roça do Menino Maluquinho, criado especialmente para o filme
ENCONTRADO, MAS NÃO RESPONDEU! 😦


toquinho
Ator: Bernardo Cunha
Personagem: Toquinho, o mais novinho da turma da roça
CLIQUE AQUI para ver a história dele, sua foto recente e uma forma de contato com ele


brancadeneve
Ator: Jair Estevão Castro
Personagem: Branca de Neve, da turma da roça
CLIQUE AQUI para ver a história dele e sua foto recente


brucelee
Ator: Felipe Malzac
Personagem: Bruce Lee, também da turma da roça
CLIQUE AQUI para ver a história dele, sua foto recente e uma forma de contato com ele


josoares
Ator: Rafael Vidigal
Personagem: Jô Soares, da turma da roça
CLIQUE AQUI para ver a história dele e sua foto recente

 


 

quincasAtor: Gustavo Toledo
Personagem: Quincas
CLIQUE AQUI para ver a história dele, sua foto recente e formas de contato com ele

 


toaquiAtor: Raphael Brum
Personagem: Tô aqui, um dos gêmeos da turma da roça
NÃO RESPONDEU! 😦 CLIQUE AQUI para ver uma foto recente do Raphael


toali
Ator: Raul Brum
Personagem: Tô ali, outro gêmeo da turma da roça
NÃO RESPONDEU! 😦 CLIQUE AQUI para ver uma foto recente do Raul


surubim
Ator: João Fiúza
Personagem: Surubim, da turma da roça
NÃO RESPONDEU! 😦 CLIQUE AQUI para ver uma foto recente do João

 

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Infância maluquinha

Existiu um mês no meu passado — mais precisamente julho de 1994, quando eu tinha 9 anos de idade — sobre o qual pouco falo a respeito. (Acho que porque, quando eu era criança, meus pais falaram para eu não ficar me gabando disso na escola, pra meus coleguinhas não me acharem metida. Continuei em silêncio pelos anos seguintes, mesmo quando o conselho já não fazia mais sentido). Hoje resolvi quebrar o tabu.

É que, naquele ano, eu fiz uma incursão cinematográfica como a Julieta do filme O Menino Maluquinho, de Helvécio Ratton — o melhor do cinema infantil brasileiro, na minha suspeita opinião.

Sou esta aí da foto, com blusinha vermelha de raio branco, cabelo cacheado e sempre com dificuldade de conter as saias brancas rebeldes.

Junim (Samuel Brandão), Tonico (Levindo Júnior), pai do Maluquinho (Roberto Bomtempo), Irene (Edyr de Castro), Julieta e mãe do Maluquinho (Patrícia Pilar). Atrás, Shirley Valéria (Camila Paes). Foto: arquivo pessoal.

Já escrevi sobre como a memória infantil é traiçoeira, mas lembro em detalhes de tudo o que envolveu essas minhas “férias especiais” em uma filmagem.

Primeiro, como fui parar no filme.

Lembro que olheiros da produção estiveram na minha escola (e em várias outras da cidade), em busca de crianças interessadas em fazer o teste. Também foi noticiado no MGTV, com direito a mostrar os candidatos em meio à “prova”. Como eu achava que não teria a menor chance, nem pensei em tentar. Até que um dia a chefe da minha mãe disse que havia levado a filha dela — que não tinha sido escolhida — e que eles estavam desesperados para encontrar a Julieta, a única que faltava, e eu tinha o perfil. Será que minha mãe não queria arriscar?

Ela arriscou.

Fui lá na casa da produção e lembro que o teste consistia, basicamente, em representar uma cena do filme. Havia outras cinco ou seis candidatas e cada hora uma fingia que era um personagem. Depois houve uma breve “entrevista” e lembro que eu contei que gostava de fazer teatros na minha escola e apresentações natalinas para minha família, na sala de casa. Eu já era falante naquela época.

Fomos pra casa e, não muito depois, no começo da noite, ligaram para dizer que o diretor havia visto o vídeo (ou seria o próprio Ziraldo?) e eu era a escolhida. Lembro que naquela mesma noite fomos assinar o contrato e tomar as medidas para o figurino.

Logo depois, começaram os ensaios. Eles aconteciam numa sala do antigo prédio da Fafich e não me lembro muito bem o que tínhamos que fazer, mas era tudo uma grande brincadeira e levava várias horas por dia (eu já estava em férias escolares). Os outros integrantes da turma eram todos de Beagá, com exceção do próprio Menino Maluquinho, de São Paulo, e do Bocão, do Rio. Entre um ensaio e outro, logo na primeira semana, inventei de apostar corrida com um pé só com a Carol e talvez outros amiguinhos. Acontece que, no fundo da sala, havia vários degraus bem altos, e eu fui tentar pular sobre eles com um pé só. Resultado óbvio: caí de cara na quina do degrau e quebrei o nariz. Lembro que o Alexandre (seria esse o nome? Chamávamos ele por um apelido, acho que Xanxão) comentou, bravo, com alguém: “Era só o que faltava… A menina é uma capetinha.” Mas no fim deu tudo certo. O nariz não ficou roxo, nem torto, e, quando as filmagens efetivamente começaram, já não tinha qualquer problema visível. E passei a ser a mais comportadinha da turma.

Lembro também que, na época, meu cabelo era bem liso (na minha família, ele tende a cachear depois da adolescência). E a Julieta tinha que ter um cabelo sarará. Primeiro, fizeram um repicado no meu cabelo. O Ziraldo viu e disse que não estava suficiente. Aí fizeram um permanente, sempre mantido na base de muito gel, que deixou aquela armação semi-black power que se vê na foto. O Ziraldo viu de novo e disse que estava “perfeito”.

Boa parte das gravações aconteciam na rua Congonhas, no bairro Santo Antônio, em Beagá. Também houve filmagens na escola Sagrado Coração de Maria e em Tiradentes. Foi assim que, pela primeira vez, conheci essa cidadezinha que hoje é uma das minhas favoritas.

Lá havia aventuras à parte. Quando não estávamos filmando, estávamos brincando de esconde-esconde e pega-pega e outras mil coisas por aquelas ruas e dentro da pousada. Lembro que o Lúcio era muito espevitado e um dia jogou alguma coisa nas costas do Bocão, que ficou chorando. Se não me engano, eram bombinhas, ou outra coisa do gênero. Os produtores ficaram muito bravos e ameaçaram expulsar o Lúcio do filme, que já estava bem adiantado àquela altura. Mas era só coisa de criança…

Também teve uma vez que passei muito mal, com dor de estômago e vômitos. Minha mãe não pôde ficar comigo a semana inteira em Tiradentes, porque tinha que trabalhar, então as mães de outras crianças cuidavam de mim. Uma delas me deu Coca Cola, dizendo que era bom para enjôo, e nunca mais desassociei a Coca do enjôo, que acho que foi uma das razões pra eu ter demorado muito tempo pra “gostar” de Coca Cola.

Lembro que fazia muito frio à noite nas gravações da fazenda e que, se não me engano, o Vovô Passarinho gostava de tomar uma pinguinha. Lembro que comíamos sempre num mesmo restaurante, chamado Senzala, e um dia “protestamos” contra a ida ao lugar, que não era dos melhores. Lembro que eu gostava de brincar com o Herman de “quem ri primeiro”. E que a Carol e o Maluquinho se gostavam (no que é possível se gostar, àquela alturinha da vida). Que eu era a única que gostava de brincar de Barbie com a Nina, três anos mais nova que todos, e, por isso, ela ficou muito minha amiga. Que fiquei doida pra andar de balão, mas chegamos depois que essa cena já tinha sido gravada. E também lamentei ter perdido a cena com milhões de doces e bolos da avó.

Na cidade, lembro que acreditei quando disseram que os picolés eram de mentira. Que foi difícil decorar o poema recitado no filme. Que aprendi brincadeiras das quais nunca tinha ouvido falar (como o bente-altas). Que existe homem que trai mulher, como o Maluquinho traiu a Julieta. E eu achava lindo mesmo era o menino que fazia o papel do playboy do bairro e já devia ter uns 15 anos.

Eu aprendi que jornalistas são pouco criativos e malpreparados (toda hora tinha um jornal presente, para cobrir as gravações na cidade, e os jornalistas sempre me perguntavam se eu também era bagunceira e da pá virada como minha personagem. Por fim, comecei a dar as respostas que eu sabia que eles queriam ouvir). Que às vezes é preciso repetir um milhão de vezes uma mesma cena. Que dá pra fazer um filme bom gravando em pouco tempo, mesmo com um elenco provavelmente difícil de dirigir (o grosso das filmagens foi em julho, depois teve uma ou outra coisa em agosto e setembro. A edição se seguiu e o filme foi lançado um ano depois, em 1995). Aprendi (e amei!) a descer de carrinho de rolimã, em pleno tobogã da avenida do Contorno. E aprendi o que é “cara disgusting”, que estava no roteiro se referindo à cara que eu e a Carol deveríamos fazer quando víssemos a Shirley Valéria.

Tudo isso, passados 17 anos, parece um sonho que aos poucos já está se apagando da minha memória. Uma hora ou outra lembro de alguma coisa, bem doce, geralmente lá em Tiradentes, e ela paira na minha memória como um balão. Eu queria rever aquela molecada e saber se eles lembram das mesmas coisas que eu, se podem corrigir algum desvio involuntário da minha memória, e queria ouvir o que andaram fazendo em todos esses anos.

Hoje de manhã foi a pré-estreia do filme “Uma Professora Muito Maluquinha”. O Samuel Costa me mandou um email convidando para ir e fiquei toda animada, na expectativa de encontrar com alguns deles. Mas depois ele disse que não iria, nem sabia de mais alguém que fosse, então acabei trocando o filme por algumas horas a mais de sono. Mas esse contato já serviu para ressuscitar algumas coisas que estavam fechadinhas numa gaveta do meu cérebro e que ajudaram a tornar minha infância um mundo todo especial, que até hoje me povoa e me faz uma pessoa mais alegre.

Ah sim: ganhei R$ 500 pelo papel (500 URV, pra ser mais precisa). Mas também ganhei todas essas lembranças impagáveis de uma infância paralela. E acho que fiquei bem mais maluquinha depois dessa experiência 😉