- Texto escrito por Cristina Moreno de Castro
Eu sempre assisto aos principais filmes indicados ao Oscar, mas é raro eu ver os curtas – tanto os documentários quanto os live-action quanto os de animação. Também é bem raro eu ver os documentários de longa-metragem. Inclusive porque nem sempre consigo encontrá-los para assistir. São categorias que acabam passando batido aqui no blog.
Mas vi que três filmes nestas categorias estavam disponíveis na Netflix e resolvi assistir. E, principalmente no caso do documentário “A Vizinha Perfeita”, gostei muito deles.
Primeiro, vou colocar aqui quais estão no páreo em cada categoria e onde podem ser vistos (infelizmente não tenho os streamings listados abaixo, além da Netflix). Mais adiante, vou trazer minhas resenhas e trailers dos três que pude ver, ok?
Indicados ao Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem em 2026
- A Vizinha Perfeita (disponível na Netflix)
- Embaixo da Luz de Neon (disponível na Apple TV)
- Alabama: Presos do Sistema (disponível no HBO Max)
- Rompendo Rochas (ainda não chegou ao Brasil)
- Mr. Nobody Against Putin (ainda não chegou ao Brasil)
Indicados ao Oscar de Melhor Documentário de Curta-Metragem em 2026
- Quartos vazios (disponível na Netflix)
- O diabo não tem descanso (disponível no HBO Max)
- Armado com uma Câmera: Vida e Morte de Brent Renaud (disponível no HBO Max)
- Children No More: Were and Are Gone (ainda não chegou ao Brasil)
- Perfectly a Strangeness (ainda não chegou ao Brasil)
Indicados ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action em 2026
- Os Cantores (disponível na Netflix)
- Duas Pessoas Trocando Saliva (disponível no YouTube)
- O Drama Menstrual de Jane Austen (disponível no Filmicca)
- Um Amigo de Dorothy (ainda não chegou ao Brasil, mas deve entrar no Disney+)
- Butcher’s Stain (ainda não chegou ao Brasil)
Resenha e trailer do documentário A Vizinha Perfeita
Vale ver na Netflix: A Vizinha Perfeita (The Perfect Neighbor)
2025 | 1h36 de duração | Classificação: 14 anos | nota 10
Assisti a este documentário ontem (considerando que estou escrevendo este post em 21/2) e ainda estou bastante impactada por ele.
A sinopse é simples: “Um pequeno desentendimento entre vizinhos na Flórida toma um rumo letal, com imagens de câmeras corporais da polícia e entrevistas investigando as consequências das polêmicas leis estaduais de legítima defesa.”
Poderia ser só um filme sobre brigas entre vizinhos, e já teria me causado um grande impacto, já que eu também fui vítima da perseguição de dois vizinhos lunáticos (compartilhei a novela com um deles aqui no blog, na época). Sei como é terrível e assustador morar perto de alguém que só quer tornar sua vida um inferno.
A escolha do título “a vizinha perfeita”, que vem de uma das falas da personagem, também me bateu em cheio. Porque as pessoas que fazem esse tipo de terrorismo NUNCA acham que estão erradas. Para elas, estão agindo com perfeição, dentro do seu direito, e TODOS os outros é que estão agindo mal.

Mas há muitas outras camadas exploradas neste documentário: o racismo (ou ódio racial), o ódio contra crianças, a maternidade, a legislação que privilegia os brancos e ricos, o sistema policial e judicial, que também costuma ser assim.
Não quero contar muito do que acontece no filme em si, porque é interessante ir descobrindo ao longo da história – e ela nos pega de jeito, graças à narrativa construída a partir de câmeras corporais usadas pelos policiais. A gente se vê no meio da ação, como se fôssemos um dos envolvidos.
Mas vale dizer que ele retrata toda uma briga que começa lá em 2022, se arrasta por meses, culmina em uma tragédia (e a gente fica o tempo todo pensando que sem dúvida ia “dar merda”) e termina com um julgamento, em 2024.
Quem faz o quê e como se desenrola esta história com cara de “Law & Order” eu não vou contar, mas recomendo fortemente que assistam para descobrir.
O que posso dizer é que este documentário vai despertar muitas emoções em vocês, principalmente se também desconheciam o caso real, que parece ter ganhado cobertura relevante da imprensa na época, pelo menos na Flórida.
O que eu mais senti, na maior parte do tempo, foi RAIVA. Mas, em certa altura, também senti uma grande TRISTEZA, principalmente quando um garoto disse, quando perguntaram se ele estava machucado, que estava “com o coração partido”. Isso doeu como um soco na minha cara.
E, embora esta história desperte tantos sentimentos ruins, ela também nos traz grande INDIGNAÇÃO e desejo de JUSTIÇA. Traz aquela vontade que eu sinto desde a adolescência de viver em um mundo mais humano, em uma sociedade mais harmônica e pacífica.
E, se isso foi despertado em mim, um indivíduo que vive a quilômetros de distância de onde aquilo ali se desenrola (mas que já viveu, viu e reportou casos parecidos bem mais próximos), tenho a esperança de que desperte também em níveis maiores e mais coletivos.
Que leve, por exemplo, a mudanças em leis absurdas, que são criadas apenas para gerar mais preconceito, discriminação, conflito, ódio e violência.
Os especialistas apontam “A Vizinha Perfeita” como o grande favorito a levar o Oscar de melhor documentário em 2026. Tomara que leve. Eis um filme que deveria ser visto por todos, e fico feliz que a Netflix nos possibilite esse acesso a ele.
Resenha e trailer do curta documentário Quartos Vazios
Vale ver na Netflix: Quartos Vazios (All the empty rooms)
2025 | 0h34 de duração | Classificação: 12 anos | nota 8
O jornalista Steve Hartman, da CBS, foi cobrir pela primeira vez um tiroteio em uma escola norte-americana em 1997. Em 1999, aconteceu o massacre em Columbine, que chocou o mundo inteiro e foi retratado no ótimo documentário “Tiros em Columbine”, de Michael Moore, vencedor do Oscar em 2003.
De lá pra cá, esse tipo de crime virou uma epidemia nos Estados Unidos. Eram 17 tiroteios em escolas por ano naquele país, hoje são 132.
E uma coisa que incomodava o jornalista era que, pelo menos no início, o foco da cobertura midiática estava sempre voltado para os assassinos. Com isso em mente, ele resolveu fazer um projeto totalmente voltado para as vítimas: junto com o fotógrafo Lou Bopp, ele resolveu mostrar como tinham ficado os quartos vazios das crianças mortas.
Quartos muitas vezes mantidos intactos por anos pelas famílias enlutadas.

Este documentário em curta-metragem é sobre quatro desses quartos. Santuários bagunçados que mostram que vidas muito jovens foram interrompidas por lunáticos. E que famílias inteiras foram destruídas pela culpa de não terem conseguido proteger aquelas crianças.
É um filme bem triste e bem pesado, mas que traz este olhar poético e humano para um tipo de crime que se tornou tão comum nos Estados Unidos que acabou banalizado.
As pessoas se acostumaram com os tiroteios em escolas, eles não geram mais o choque que Columbine gerou. E o jornalista faz seu papel de mostrar que não deveria ser assim.
Resenha e trailer do curta-metragem Os Cantores
Vale ver: Os Cantores (The Singers)
2025 | 0h18 de duração | Classificação: 16 anos | nota 7
Este curta é inspirado em um conto homônimo do russo Ivan Turguêniev, escrito em 1850, e publicado no livro “Memórias de um Caçador”.
Mostra um grupo de homens solitários e bêbados, em uma taverna decadente, sempre prontos para a briga.
O que difere este cenário de vários outros bares decrépitos que já vimos na literatura e no cinema é que um dos personagens propõe uma competição para ver quem canta melhor.

E vemos como a música é capaz de trazer alma para cada um daqueles sujeitos sujos e tristes, e até para aquele lugar escuro.
É curtinho mesmo, coisa de 16 minutos, mas muito interessante como consegue nos fazer perceber rapidamente o perfil de cada um dos personagens e os sentimentos que eles guardam.
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