Se eu tivesse pernas, eu te chutaria: leia minha resenha e veja o trailer do filme

Rose Byrne brilha em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Rose Byrne brilha em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

Vale ver: Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (If I Had Legs I’d Kick You)
2025 | 1h53 de duração | Classificação: 16 anos | nota 7

Este foi provavelmente o filme de que menos gostei no Oscar 2026. Fiquei em dúvida se daria uma nota 6, mas acabei deixando passar um 7, porque estou super generosa com minhas notas neste ano (dei até um 8 pra Marty Supreme!).

Mas minha nota foi maior especialmente por conta da atuação excepcional de Rose Byrne. Eu estava acostumava a vê-la em filmes mais bobos, tipo “Pedro Coelho”, e fiquei realmente impressionada com este papel.

Pra começar, a câmera fica em cima do rosto dela em 99% do tempo do filme. E ela consegue nos transmitir toda a exaustão, estresse, tensão e sensação de impotência que a personagem sente. Não sei como ela faz, mas conseguimos ver até o tique nervoso do olho dela mexendo nos momentos de maior esgotamento. Nunca vi nada igual.

Sua personagem é uma mulher sobrecarregada. Se eu pudesse resumir este filme em duas palavras, seriam estas: mulher sobrecarregada. A carga dela é pesada: sua maternidade é pesada, porque sua filha é muito doente; seu trabalho é pesado, porque ela é psicóloga e está atendendo uma paciente muito problemática; seu casamento é pesado, porque seu marido é totalmente ausente. Pra piorar, até seu lar está em ruínas, literalmente, depois que o teto desabou em cima de sua cama, a obrigando a se mudar para um hotel de segunda categoria com a filha.

A casa despencando foi a literalidade de sua vida, que parece desmoronar sob qualquer aspecto que se olhe. E ela se sente acuada, encurralada, exausta, presa nesse círculo dos infernos e sem ter a quem pedir ajuda.

Ela até pede, mas quase todos ao seu redor são hostis: o marido, a médica da filha, até seu terapeuta. Todos parecem culpá-la por todos os seus problemas, aumentando ainda mais o peso do fardo.

Rose Byrne brilha em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Rose Byrne brilha em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

Sério, a gente até se cansa ao assistir a este filme. É um drama/suspense psicológico, que nos deixa em alerta o tempo todo, pensando como aquela mulher está dando conta, se é que está, e se as coisas não vão acabar de desmoronar de uma vez.

Pra piorar a sensação de incômodo e desconforto, nunca vemos o rosto da filha, ficamos sempre diante do rosto exausto da mãe, e ouvindo aquela vozinha sem dono, que não gera empatia na gente.

Daí porque foi um dos filmes que menos gostei de ver. De pesada, já basta a vida real.

Mas, tá: é o nosso “Baleia” de 2026. Um filme feito de angústias. E baseado na angústia real vivida pela diretora, roteirista e atriz Mary Bronstein, quando sua filha adoeceu gravemente e ela teve que se mudar para outra cidade, para fazer o tratamento, perdendo a rede de apoio e também ficando à beira de um colapso, físico e mental. 

Mary, que interpreta a médica insensível deste filme, conseguiu passar para a tela o que ela viveu, graças à interpretação de Rose. E, do lado de cá, nos fez refletir sobre todos os fardos que recaem não só sobre as mães, mas sobre todas as pessoas cuidadoras de quem está doente ou vulnerável de alguma forma (que, em 90% das vezes, são mulheres).

Algumas recorrendo a “soluções” extremas. Outras só desejando ter “pernas” para extravasar toda a frustração e o desamparo.

A pergunta que Mary e Rose evocam é uma só: “Quem cuida de quem cuida?”

Rose Byrne em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Rose Byrne em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria concorre a 1 Oscar em 2026 (não venceu):

  1. Melhor atriz (Rose Byrne)

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Assista ao trailer de Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria:

 

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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