Vale ver: Frankenstein
2025 | 2h29 de duração | Classificação: 18 anos | nota 9
- Texto escrito por Cristina Moreno de Castro
Li o livro “Frankenstein”, de Mary Shelley, em 1997. Ou seja, aos 12 anos de idade. Lembro que não gostei muito. Ou talvez não estivesse madura o suficiente para entender este clássico, publicado pela primeira vez em 1818.
(Naquele ano, eu ainda alternava leituras mais infantis, como “A Bolsa Amarela”, “O Gênio do Crime”, “A Droga da Obediência” e “O Escaravelho do Diabo”, a outras mais adultas, como “Minha Vida de Menina”, de Helena Morley, que tinha caído no vestibular da UFMG.)
Então, passei a vida toda com uma certa preguiça de Frankenstein, embora já tenha assistido a inúmeras adaptações, em todos os formatos, da história que é contada ali, do cientista obcecado, ambicioso e mau-caráter que consegue criar uma pessoa, fazendo as vezes de um deus. (Uma das mais recentes foi “Frankie e os monstros“, que vi no cinema com o Luiz em novembro passado).
Não por acaso, este foi um dos últimos filmes do Oscar a que resolvi assistir. E olhe que sempre esteve lá, disponível e acessível no cardápio da Netflix.
Mas a verdade é que, depois que venci a desconfiança (ou preconceito?) e resolvi encarar as 2 horas e meia de filme, não só não me decepcionei como gostei bastante do que vi.
Eu já devia saber que o diretor e roteirista mexicano Guillermo del Toro capricharia neste trabalho, assim como já tinha caprichado em “A Forma da Água” (vencedor de 4 Oscars), “O Beco do Pesadelo” (4 indicações), “Pinóquio” (vencedor de 1 Oscar), e tantos outros.
O próprio Guillermo já recebeu 244 indicações a prêmios em sua carreira, e venceu 145 delas, inclusive 3 Oscars, 3 Baftas, 1 Cannes, 1 Globo de Ouro, 1 Goya e 4 prêmios no festival de Veneza.
Mas, voltando ao Frankenstein, ele parece ter chegado para coroar seu diretor com mais troféus e estatuetas douradas. Foram, até o momento, 264 indicações e 67 vitórias. Venceu no Bafta, no Critics Choice Awards, no Festival de Veneza e em vários outros prêmios, em diversas categorias – com destaque para melhor maquiagem, figurino e direção de arte.
No Oscar, ele foi indicado a estas três categorias, além de outras seis, incluindo melhor filme do ano (veja a lista completa no fim do post).

Acho que ele tem grandes chances de vitórias, principalmente nestas categorias que reconhecem o esforço de nos colocar lá no final do século 18, com figurino e cenários irretocáveis. Cenários, aliás, totalmente construídos, incluindo o laboratório de Victor Frankenstein e o navio do capitão Walton/Anderson.
“Eu quero cenários reais. Não quero digital, não quero inteligência artificial, não quero simulação. Quero o trabalho artesanal à moda antiga: pessoas pintando, construindo, martelando, rebocando”, disse o diretor Guillermo del Toro.
A maquiagem que transforma o galã Jacob Elordi na criatura formada por retalhos de cadáveres também é impressionante. Li no IMDB que ele passava até dez horas na cadeira de maquiagem, chegando a trabalhar 20 horas por dia (alô, sindicato!). Acabou indicado, também, como melhor ator coadjuvante.
Merecidamente. Porque não basta uma maquiagem para nos convencer de que estamos diante de um “monstro” recém-criado por um cientista maluco. A interpretação realmente nos faz crer que ele não conhece nada deste mundo louco (como Emma Stone também fez em seu papel premiado de Pobres Criaturas).
E a interpretação que Elordi dá a sua criatura não me faz vê-la como monstruosa em nenhum momento. Aliás, embora este seja apontado como um filme de terror (assim como “Pecadores“), não me vi pensando neste filme como terror em nenhum momento. Pra mim é um drama, ponto.

O roteiro adaptado também foi indicado. Mas, neste caso, será que o mérito é mais de Mary Shelley (que não pude compreender aos 12 anos) ou de Guillermo del Toro, que manteve os pontos de reflexão da história, ainda que com várias mudanças nas personalidades dos personagens?
Hoje, aos 40, pude entender melhor todas as nuances desta obra tão poderosa, que gerou tantas releituras em seus mais de dois séculos de existência.
Pude perceber que “Frankenstein” é uma história sobre o bem e o mal, sobre a redenção da morte, sobre paternidade violenta, sobre humanidade e humanismo, sobre nossa capacidade de desumanizar pessoas apenas por serem diferentes de nós (quantas vezes já não fizemos isso na História? Contra pessoas de outras nações ou etnias, por exemplo? Contra pessoas de países em guerra com o nosso? Contra pessoas escravizadas, vistas mais como “objeto”, ou “coisa”, que como gente?).
Também é uma história sobre perdão, e a liberdade que ele nos traz. Ou, como disse Guillermo del Toro:
“É sobre o espírito humano: é sobre perdão, compreensão e a importância de ouvir uns aos outros.”
São todos temas muito profundos e abrangentes, que nos fazem refletir de várias formas, e que são abordados com muita poesia. Como só os clássicos conseguem fazer.
Frankenstein foi indicado a 9 Oscars em 2026:
- Melhor roteiro adaptado
- Melhor fotografia
- Melhor maquiagem e cabelo
- Melhor trilha sonora
- Melhor som
- Melhor direção de arte
- Melhor figurino
- Melhor ator coadjuvante (Jacob Elordi)
- Melhor filme do ano
Assista ao trailer de Frankenstein:
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