Sonhos de Trem: leia minha resenha e veja o trailer do filme

Filme Sonhos de Trem, indicado a 4 Oscars
Filme Sonhos de Trem, indicado a 4 Oscars

Vale ver na Netflix: Sonhos de Trem (Train Dreams)
2025 | 1h42 de duração | Classificação: 14 anos | nota 8

Todo ano o Oscar abre espaço para um tipo de filme que é pura poesia. São filmes com imagens belíssimas, poucos diálogos e muita reflexão.

Alguns exemplos recentes: Dias Perfeitos, Vidas Passadas, A Menina Silenciosa, Flow, Minari.

Neste ano, “Sonhos de Trem”, disponível na Netflix, ocupa esse papel. É um filme sobre a vida de um homem, Robert Grainer, que trabalha como operário nos Estados Unidos do início do século 20, principalmente cortando árvores imensas para abrir espaço para linhas ferroviárias.

O filme tem bem poucos personagens: é ele (bem interpretado por Joel Edgerton, que ficou injustamente de fora do Oscar), sua esposa Gladys (com a sempre ótima Felicity Jones), o colega Arn (William H. Macy), a vizinha Claire (Kerry Condon), e o restante são praticamente figurantes.

Afinal, Robert e Gladys vivem de maneira isolada, em uma floresta. Isso quando ele está em casa, porque na maior parte do tempo trabalha longe, ajudando a construir pontes.

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Nem sempre esses filmes-poesia, com tão pouca história e tão poucos diálogos, funcionam. São o tipo de obra “ame ou odeie”. Já dei notas ruins para vários deles, inclusive. Mas, neste caso específico, eu gostei muito do resultado.

Estamos diante de um homem comum, vivendo uma vida prosaica, e tentando encontrar algum sentido nessa vida. Não sei se encontra, em meio a tanta dor, sofrimento e amor, mas a beleza permeia tudo muito intensamente (inclusive da natureza que ele ajuda a destruir, com seu trabalho).

Fiquei com muita vontade de ler o livro que inspirou esse roteiro, mas não encontrei para comprar, nem na biblioteca que frequento. “Sonhos de Trem”, de Denis Johnson, foi publicado em 2011, e chegou ao Brasil pela Companhia das Letras um ano depois, com curtinhas 88 páginas.

A resenha do leitor Davi, na Amazon, me fez pensar em como o filme conseguiu transmitir as mesmas reflexões e emoções que ele sentiu ao ler a obra:

“O que mais me comoveu nesta novela é o modo como, por meio da vida de um indivíduo, ele fala muito sobre a condição humana em geral. Como Grainier, nós nascemos, crescemos, acumulamos um punhado de dores e alegrias, conquistas e perdas, e então morremos. Não há nada especialmente transcendente, nenhuma redenção aqui, nenhuma intervenção da providência ou da civilização: o que é a vida enquanto vivida, e só.”

E ainda:

“Grainier pertence a uma classe de pessoas que vive à margem dos grandes acontecimentos históricos e dos avanços da civilização. Ele ajuda, com sua força de trabalho, a construir ferrovias, usufrui do produto de seu trabalho viajando frequentemente de trem, tem a oportunidade até de dar um passeio num avião, mas tudo que ele pode possuir é uma carroça. (…) Esse homem não sabe nada sobre suas origens e ninguém vai perpetuar sua memória. (…) O que sobressai é o fato de ele ser um homem que, destinado a viver à margem da sociedade, abraça seu destino com certa dignidade estoica. Creio que nisso está a principal beleza do livro.”

Vários dos grandes livros e filmes já feitos foram sobre personagens assim, anônimos, que, de uma maneira bela, conseguem representar quase que toda a humanidade. E talvez estes personagens sejam ainda mais interessantes do que os famosos (ou pseudofamosos), como aquele chato retratado em Marty Supreme.

Só não dou uma nota maior porque achei algumas coisas um pouco mal contadas no filme, principalmente a questão do assassinato do operário chinês, que fica assombrando o personagem ao longo de toda a vida (em seus sonhos, inclusive), e que abre o livro (você pode ler um trecho da obra aqui). Pela importância do episódio na história, acho que ele deveria ter sido destrinchado melhor no roteiro adaptado, que acabou indicado ao Oscar.

O filme também recebeu indicações por sua fotografia maravilhosa (a cargo do brasileiro Adolpho Veloso), pela canção original de Nick Cave (também muito poética!) e na categoria principal, de melhor filme do ano.

Acredito que o prêmio de melhor fotografia já está ganho. E tem minha torcida fervorosa – não só por ser a primeira vez de um brasileiro nesta categoria, mas porque ela é uma das grandes responsáveis por toda a poesia que chega aos nossos olhos.

***

P.S. Se você é da turma que prefere ir ao cinema a pular num bloquinho de Carnaval, fica sendo esta a sugestão para o “feriadão”, com a vantagem de este filme estar disponível na Netflix 😉

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Sonhos de Trem foi indicado a 4 Oscars em 2026:

  1. Melhor filme do ano
  2. Melhor fotografia
  3. Melhor canção original
  4. Melhor roteiro adaptado

Assista ao trailer de Sonhos de Trem:

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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