- Texto escrito por Cristina Moreno de Castro
Trata-se de um livro de memórias sobre a família da autora, em formato de história em quadrinhos (HQ). Uma família sem muito espaço para afeto, que vive cercada por tensões, que culminam em um divórcio e, depois, em uma morte.
O centro da história é a relação entre Alison e seu pai, Bruce. Que, no primeiro capítulo, ela descreve de um jeito que me faz pensar ser um cara violento, frio, que tratava mal os filhos e a esposa, doentio, maníaco e misterioso. Mas que, ao longo dos seis capítulos seguintes, vai ganhando alguma humanidade.
Essa ilustração que aparece logo no início do livro e na capa de algumas edições (que destaquei no topo deste post), resume bem o espírito do livro e até a escolha irônica para o título: “Fun Home”, ou lar divertido, complementado pelo subtítulo “uma tragicomédia em família”. Como se vê na cena, pai e filha estão brincando de aviãozinho, o que seria um momento de “diversão”, mas ambos mostram os rostos sérios, ou até meio tristes, o que deixa clara a tensão naquela família e especificamente naquele relacionamento.
Além de abordar as relações familiares, a autora também explora muito o tema da (homo) sexualidade, já que ela relembra sua vida desde a infância até o início da fase adulta, passando por sua autodescoberta como lésbica na adolescência, e, mais tarde, a revelação de que seu pai se envolvia com outros homens.
Alguns episódios da vida dela rendem boas histórias ou reflexões, como quando ela desenvolveu transtorno obsessivo-compulsivo grave aos 10 anos, que ela descreve com alto nível de detalhes.
Também é um livro que explora muito a literatura em si, ao traçar paralelos entre as vidas reais e as de personagens de obras clássicas – até porque o gosto pela leitura é um dos pontos de aproximação entre Alison e o pai, professor de inglês.
“Fun Home” entrou na lista de melhores livros do século 21 do New York Times e foi chamado de “obra-prima” por alguns. Na minha singela opinião, é um livro que vale a pena ler (inclusive para ver as belas ilustrações realistas da autora), mas que é um pouco repetitivo e tendendo a cansativo em alguns momentos.
Ou seja, não está na minha lista de favoritos da vida, mas não deixa de ser uma boa HQ para adultos.
“Fun Home: uma tragicomédia em família”
Alison Bechdel
ed. Todavia
233 páginas
R$ 53 na Amazon (preço consultado na data do post; sujeito a alterações)
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