- Texto escrito por Beto Trajano
Assim como a prefeitura caiu no colo do atual administrador da capital mineira, com a morte de Fuad Noman (PSD), uma pauta moderna e extremamente popular está pulando na frente dele: Belo Horizonte pode ser a primeira capital do Brasil a ter o passe livre no transporte coletivo de ônibus, com o projeto Busão 0800, que está tramitando na Câmara Municipal, o PL 60/2025.
Antes de chegar ao prefeito Álvaro Damião (União Brasil), o projeto tem que passar pela aprovação de 28 dos 41 vereadores da capital. Conforme o movimento Minha BH, que acompanha o andamento do projeto e está à frente da campanha, 24 políticos já se declararam favoráveis, faltando apenas quatro nomes para a aprovação em dois turnos na CMBH.
Na lista dos vereadores ainda contrários ao projeto do ônibus grátis, temos a presença de um time de seis bolsonaristas e correligionários de Nikolas Ferreira, do PL, e três asseclas de Zema, do Partido Novo, também segundo o Minha BH.
Geralmente estes partidos representam os interesses da elite, virando as costas para o povo trabalhador e, neste placar do Minha BH, isto fica evidente. Chama a atenção nesta lista a presença de Bruno Miranda, do PDT, um partido mais à esquerda. Para estes 20 vereadores que ainda não apoiam o projeto, dá tempo de mudar de posição, e votar a favor da população de Belo Horizonte e do PL da Tarifa Zero, do Busão 0800.

Também estão contra o projeto as entidades que representam o empresariado da capital – a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) –, mesmo a iniciativa sendo uma proposta de vanguarda, e que, conforme estudo da UFMG, vai trazer inúmeros benefícios econômicos para Belo Horizonte.
Em caso de aprovação, vai ser uma grande vitória para a população. A locomoção municipal gratuita traz um ganho absurdo para quem vive na cidade. É mais acesso à saúde e à educação, é mais segurança, é mais convivência, é mais cultura, é mais comércio e até mais fé. A pessoa, as famílias, os trabalhadores, os estudantes, todos vão poder se locomover pela cidade de uma forma mais digna e justa.

Fiemg e CDL estão pressionando os vereadores para votarem contra o projeto, inclusive apresentaram um estudo, que, segundo o Movimento Tarifa Zero BH, tem dados inconsistentes e ignorados. Esta avaliação foi apresentada em reportagem do jornal O Tempo pelo economista e integrante do movimento, André Veloso. Para ele, o estudo publicado pela Fiemg teria como objetivo descredibilizar a iniciativa.
Fico imaginando o lobby das empresas de ônibus junto a estas entidades. Por falar nisto, os dados dos lucros deste segmento continuam dentro de uma caixa bem fechada. Que nenhum governante abre, mesmo que seja promessa de campanha de todos eles.
O empresariado do transporte capitaneado pelo Setra é muito poderoso, e ainda não vi este sindicato empresarial se manifestar sobre o tema, até porque o recurso destinado ao transporte vai ser fechado e não mais volátil como é hoje, baseado na arrecadação com passagens no dia a dia.
A votação em primeiro turno está marcada para esta sexta-feira, 3 de outubro, às 14h, na Câmara Municipal de Belo Horizonte.
É preciso o apoio massivo da população, de quem transita pela cidade, se locomove diariamente e para quem a passagem, uma das mais caras do país, pesa no bolso.

Trabalhadores, estudantes, jovens, adultos, todo mundo, convido até quem é de fora, da Região Metropolitana, do interior de Minas, de outros estados, que em viagem por Beagá também vão poder desfrutar do serviço, fomentando o turismo e os negócios.
Somente o clamor das ruas e das redes sociais vai pressionar os vereadores para que 28 deles votem a favor, e a Tarifa Zero siga tramitando.
Para os vereadores e o prefeito Álvaro Damião, uma mensagem de coração: tenham coragem! Coragem para entrar para a história política desta cidade e fazer a diferença. E transformar Belo Horizonte em uma capital mais moderna, mais acessível, mais justa e muito melhor para todos. A hora é agora!

O que diz o PL 60/2025, o Busão 0800
O Projeto de Lei 60/2025, que está tramitando na Câmara, tem um texto objetivo. Além do atual subsídio que já é pago às empresas, de mais de R$ 700 milhões, o valor complementar será custeado pelas empresas instaladas na capital que tenham a partir de 10 funcionários.
Estas organizações, que atualmente pagam o vale-transporte dos trabalhadores, passariam a contribuir com uma taxa por funcionário, sendo que o valor começaria a ser cobrado a partir do décimo funcionário. De acordo com Projeto, com este recurso já é possível implementar a gratuidade.
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Nota da Cris: Não preciso nem lembrar duas coisas: a primeira, que os protestos que varreram o país em 2013 tiveram início por causa de 20 centavos de aumento na passagem de ônibus. Lembram? Eis um assunto (o transporte público) que realmente faz a diferença na vida do povo. A segunda, que quando o povo se mobiliza de verdade, ele realmente consegue mexer com seus representantes. Um exemplo recente foram os protestos de 21 de setembro, que conseguiram derrubar a PEC da Bandidagem.
Leia também:
- BH em pé de guerra pelos 20 centavos
- O brasileiro trabalha mais para pagar seu ônibus
- Cenas do busão em Beagá
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