Como já falei aqui no blog mil vezes, neste ano consegui ver 17 filmes indicados ao Oscar, teve muuuuuito filme bom, distribuí notas 9 a torto e a direito, mas só um deles recebeu nota 10 com louvor: “Ainda Estou Aqui“.
E não acho um filme automaticamente bom só por ser brasileiro. “O Menino e o Mundo“, por exemplo, indicado ao Oscar em 2016, recebeu minha nota 6.
Mas não é o caso de “Ainda Estou Aqui”. Este filme me arrebatou de verdade, como só os filmes nota 10 fazem. Saí do cinema impressionada com a história, as atuações (principalmente das duas Fernandas), o ritmo da narrativa, com tudo. O filme é tecnicamente perfeito. E é perfeito por colocar o dedo em uma ferida dos brasileiros, que vinha sendo escondida atrás de Band-Aids velhos há décadas.

Sim, ocorreu uma ditadura militar brutal no Brasil. Sim, este regime autoritário destruiu famílias inteiras. Sim, Rubens Paiva foi torturado, morto e seu corpo foi escondido para que sua família nunca pudesse enterrá-lo. E, sim, existiu uma mulher extraordinária chamada Eunice Paiva, que, como bem disse Walter Salles em seu discurso de vitória, decidiu não se dobrar e resistir.
“Ainda Estou Aqui” não deixa a gente esquecer esta história tão recente, e que os bolsonaristas querem que volte a vigorar no país, clamando por novos golpes de Estado e novas ditaduras militares. E escancara essa história para o mundo. Foi escolhido como um dos dez melhores filmes do ano e agora venceu o maior prêmio do cinema mundial como melhor filme internacional, batendo produções da França, Dinamarca, Letônia e do Irã.
Por tudo isso, fiquei imensamente feliz com o primeiro Oscar do Brasil. Não só por ter sido o primeiro Oscar do Brasil, mas por ter sido merecidíssimo, por ter sido para o melhor filme dos 17 candidatos ao Oscar que vi neste ano, por ter sido “Ainda Estou Aqui”.
Como diz o bordão de Fernanda Torres: “A vida presta“. Não deixemos que os fascistas nos façam esquecer disso.
Assista ao trailer do filme “Ainda Estou Aqui”
***
Metade das minhas torcidas levaram o prêmio do Oscar
Registrada minha felicidade pela vitória no Oscar, deixo agora registrado aqui o resultado do meu tradicional bolão do Oscar.
Como expliquei ontem, neste ano resolvi não apostar naqueles que eu achava que iam vencer em cada categoria, mas sim nos que levavam minha torcida. Por isso, é claro, coloquei “Ainda Estou Aqui” nas três categorias a que concorria, e coloquei também “Sing Sing” em duas, mesmo sabendo que tinham menos chances, pela lógica própria do prêmio.
Mas foi bom assistir ao Oscar como torcedora, e não como jornalista, pela primeira vez em tantos anos. Não levei o computador pra sala, fiquei feliz por metade da minha torcida ter levado os prêmios, lamentei os que perderam, mas não vi nenhuma grande injustiça nas escolhas. O maior vencedor da noite, que foi “Anora“, também é um filmaço nota 9.
Só lamentei a escolha de “Flow” como melhor animação (Robô Selvagem era bem melhor) e por Um Completo Desconhecido ter sido completamente deixado de fora.
| Filmes com mais Oscars em 2025 | |
| Filme | Estatuetas |
| Anora | 5 |
| O Brutalista | 3 |
| Wicked | 2 |
| Emilia Pérez | 2 |
| Duna: parte 2 | 2 |
| Ainda estou aqui | 1 |
| A verdadeira dor | 1 |
| Conclave | 1 |
| A Substância | 1 |
| Flow | 1 |
A lista de vencedores do Oscar 2025
Vejam, a seguir, meus acertos e meus erros neste ano em que preferi torcer do que realmente apostar (lembrando que deixei de fora cinco categorias em que eu não tinha visto parte dos concorrentes, como efeitos visuais, curtas e documentários):
| Categoria | Torci para | Vencedor |
| Melhor ator | Timothée Chalamet | Adrien Brody |
| Ator coadjuvante | Kieran Culkin | Kieran Culkin |
| Atriz principal | Fernanda Torres | Mikey Madison |
| Atriz coadjuvante | Zoe Saldaña | Zoe Saldaña |
| Animação | Robô Selvagem | Flow |
| Fotografia | O Brutalista | O Brutalista |
| Direção | Sean Baker (Anora) | Sean Baker (Anora) |
| Montagem | Conclave | Anora |
| Melhor filme internacional | Ainda Estou Aqui | Ainda Estou Aqui |
| Maquiagem e cabelo | A Substância | A Substância |
| Trilha Sonora | Conclave | O Brutalista |
| Canção original | Sing Sing | Emilia Pérez |
| Direção de arte | Wicked | Wicked |
| Figurino | Wicked | Wicked |
| Som | Um Completo Desconhecido | Duna: parte 2 |
| Roteiro Adaptado | Sing Sing | Conclave (que era minha opção antes de ver Sing Sing) |
| Roteiro Original | Anora | Anora |
| Melhor filme do ano | Ainda Estou Aqui | Anora |
| Melhor filme do ano | – | In the Shadow of the Cypress |
| Documentário de Curta-Metragem | – | The Only Girl in the Orchestra |
| Documentário | – | No Other Land |
| Efeitos visuais | – | Duna: parte 2 |
| Curta-Metragem em Live-Action | – | I’m not a Robot |
Assista ao trailer do filme Anora:
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parabéns por trocar o jornalismo por um dia pela torcida. Idem pela torcida merecida e vitoriosa.
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Merecida mesmo!
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A impressão que tenho é que o cinema brasileiro é isso, o saber contar uma história. Sem estardalhaços, explorando personagens. Glauber fazia isso, Cacá fazia isso…Não atoa gostamos tanto de crônicas na literatura. Tomara agora outras grandes histórias de personagens nacionais sejam tão bem contadas no cinema.
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A impressão que tenho é que o cinema brasileiro é isso, o saber contar uma história. Sem estardalhaços, explorando personagens. Glauber fazia isso, Cacá fazia isso…Não atoa gostamos tanto de crônicas na literatura. Tomara agora outras grandes histórias de personagens nacionais sejam tão bem contadas no cinema.
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Tomara mesmo!
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