A importância dos radinhos de pilha para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul e de outras catástrofes ambientais

Radinho de pilha ou rádio a pilha é essencial para levar informação a pessoas vítimas de desastres ambientais, como as enchentes do Rio Grande do Sul e terremotos, ou que vivem em áreas muito remotas. Essa mídia analógica sobrevive à falta de energia elétrica ou de tomadas, enquanto os modernos smartphones sucumbem rapidamente. Crédito: Adobe Stock
Rádio a pilha: essa mídia analógica sobrevive à falta de energia elétrica ou de tomadas nos desastres climáticos | Foto: Adobe Stock

Veja por que o rádio a pilha é essencial para levar informação a pessoas vítimas de desastres ambientais, como as enchentes do Rio Grande do Sul e terremotos, enquanto os modernos smartphones sucumbem rapidamente

Texto escrito por Beto Trajano:

Os radinhos de pilha são uma importante ferramenta de comunicação em catástrofes. Acompanhando entrevistas veiculadas nesta semana com pessoas resgatadas nas enchentes no Rio Grande do Sul, uma resposta comum em algumas falas me chamou a atenção:

– Estava acompanhando as notícias em um radinho de pilha.

As pessoas ilhadas, que perderam tudo e passaram horas e até mesmo dias em telhados ou sótãos das casas, lugares não alcançados pela água represada, questionadas pelos repórteres sobre como estavam se informando responderam que estavam em companhia de um radinho de pilha – sim, aquele velho AM/FM cujas pilhas duram meses, sem necessidade troca, que são sintonizados por uma rodinha cercada de números.

Na hora, me recordei de uma aula que assisti da professora Nair Prata, estudiosa da mídia hertziana, quando ela apresentou uma ação, realizada no Chile, de distribuição de rádios FM a pilha em regiões afetadas por terremotos. Me lembrei dela falando sobre a força desta mídia diante de situações extremas, e sobre o alcance e a importância das transmissões para atingir lugares remotos e inóspitos, nesta era da alta tecnologia em que estamos vivendo.

Telas de LCD e computadores foram levados ou se afogaram nas águas, celulares morreram sem tomadas para recarga, mas o pequeno radinho, assim como as baratas e ratos, sobreviveu e continuou ali, nas mãos das pessoas que esperavam por um socorro.

Do outro lado, profissionais de comunicação e de engenharia mantinham ligadas e vivas as estruturas de transmissão, produzindo conteúdo, informando sobre a meteorologia, sobre o que estava acontecendo, sobre o que estava para acontecer. Levando notícias para aqueles seres vivos, totalmente desamparados, no meio do caos e da tragédia que se formou no Rio Grande do Sul.

Universidade faz campanha para arrecadar rádios a pilha para as vítimas

Fiz uma busca na internet sobre o tema e encontrei uma notícia no portal “Tribuna Online” (ES), postada na quarta-feira (8), de que Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) deu início a uma campanha de arrecadação de rádios a pilha, que serão destinados a populações vulneráveis atingidas pelas chuvas, especialmente em áreas rurais.

A matéria conta com uma entrevista com o professor Willian Araújo, subcoordenador dos cursos de Comunicação da universidade, em que ele destaca a importância do aparelho e da mídia em questão – o rádio. Ele disse o seguinte:

“As pessoas não têm acesso à informação, não sabem o que fazer para receber donativos ou onde ficar quando as casas ficam alagadas, por exemplo. Vendo que muitas dessas pessoas ainda estão alagadas, perderam tudo e ainda vão ficar um bom tempo sem energia elétrica e internet, começamos a arrecadação dessa tecnologia que é quase ‘jurássica’, o rádio a pilha, que estava em desuso, e a situação no Rio Grande do Sul nos provou que é extremamente útil, porque independe de internet e energia. A única forma que algumas pessoas encontraram de se manter informadas sobre o que estava ocorrendo na sua volta foi o rádio a pilha”.

As doações recebidas pela Unisc serão destinadas a moradores de Sinimbu e de áreas periféricas e rurais de Santa Cruz do Sul, como o distrito de Rio Pardinho e o bairro Várzea. Que venham mais iniciativas como esta para abranger novas regiões.

É uma ação extremamente importante, que nos mostra toda a força desta mídia, assim como a fragilidade de várias coisas que se tornaram essenciais nas nossas vidas, mas que não suportam as catástrofes que temos enfrentado.

Vida longa ao povo do Rio Grande Sul e ao rádio!

***

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Por Humberto Trajano

Jornalista e gestor de Comunicação com passagens pelo Governo de Minas, Prefeitura de Belo Horizonte e Rede Globo. Especialista em jornalismo digital multimídia e em processos criativos pela PUC-MG e mestrando em Comunicação Social na UFOP. Mineiro de Belo Horizonte.

3 comments

  1. Sim, vida longa ao rádio e aos gaúchos. No final da década de 1940, meu pai comprou um rádio. Alegrou com isso os moradores da Fazenda das Laranjeiras, da qual ele era capataz, e os vizinhos, que chegavam a cavalo ou a pé para, quando anoitecia, assistir ao “Direito de Viver” (ou seria Direito de Nascer?), uma novela radiofônica mexicana que, traduzida e interpretada por artistas nossos, fez grande sucesso no Brasil. O rádio funcionava com uma bateria formada por uma dúzia de pilhas coladas e ligadas em série, para durar mais tempo. O problema é que essas baterias, depois de esgotadas, eram descartadas no quintal – o lado ruim da tecnologia, já naquele tempo.

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    1. Isto daí, seu José! A conexão com o mundão. Sobre as pilhas. Até hj o descarte é um grande problema. Eu antes juntava as velhas e descartava em um ponto de recolhimento. Agora estou sem saber de ponto de descarte.

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