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Memento a mais uma vítima da pandemia: Márcio Garcia Vilela

Texto escrito por José de Souza Castro:

Márcio Manoel Garcia Vilela, secretário de Estado da Fazenda de Minas Gerais, em foto de 1989. Fonte: Acervo fotográfico da Coleção Memória da ALMG

 

A Covid-19 vai matando tanta gente, que a morte de algumas que em certa época foram fontes importantes de notícia vai passando despercebida. É o caso de Márcio Garcia Vilela, de cuja morte, há dois meses, só vim a saber nesta segunda-feira, ao ler na revista “Matéria Prima”, de Belo Horizonte, um artigo sobre Hélio Garcia, escrito pelo jornalista Itamar José de Oliveira, que está ultimando uma biografia do ex-governador de Minas.

Formado em Direito pela UFMG e professor de Direito Constitucional na PUC Minas entre 1969 e 1975, Márcio Garcia Vilela foi secretário de Governo de Aureliano Chaves, de Indústria e Comércio de Ozanam Coelho e da Fazenda no governo Francelino Pereira, além de presidente do Bemge no governo Tancredo Neves.

Nascido em Nepomuceno, no Sul de Minas, há 81 anos, Márcio era primo de Hélio Garcia, que o introduziu na vida pública, logo depois de se formar em Direito. Era grande amigo de outro advogado, Acílio Lara Resende, que foi meu chefe por 16 anos no “Jornal do Brasil“. E que, aos 87 anos, ainda publica um artigo semanal no jornal “O Tempo“.

Num desses artigos, há seis anos, Acílio escreveu:

“Certa vez, meu amigo Márcio Garcia Vilela, de supetão, me perguntou: “Mas, enfim, há algum encanto na velhice?”. Se há, disse-lhe, não sei dizer, só sei que ela é o único meio para se viver muito. E é, segundo Bobbio, o momento em que se aprende a “respeitar as ideias alheias, a deter-se diante dos segredos de cada consciência, a compreender antes de discutir, a discutir antes de condenar”.”

Se aprendeu a lição, Márcio teve pouco tempo para aproveitar os encantos da velhice. O vírus levou-o antes de chegar aos 82 anos, na companhia de 470 mil brasileiros.

E sem ver concluído um antigo sonho – o da reforma tributária.

Numa entrevista ao Caderno Minas Gerais publicado pelo “Jornal do Brasil” em dezembro de 1974, o então secretário da Fazenda Márcio Garcia Vilela disse que a reforma tributária era “extremamente necessária” quando se falava em abertura política. Tanto quanto a descentralização do Poder, “que não existirá sem uma efetiva autonomia dos Estados”.

Márcio Garcia Vilela e seu colega Paulo Roberto Haddad, o secretário do Planejamento, defendiam, por exemplo, que o ICMS volte às origens, retirando-se dele gradativamente todas as suas desonerações fiscais. A atual sistemática deixou os Estados em situação difícil, necessitados que estão de investimentos maciços em favor da qualidade de vida de sua gente, argumentavam o ainda jovens advogado e economista.

Mais de 30 anos depois, ao relembrar isso, escrevi que continuávamos a amassar barro igual e a pensar que estávamos a construir um Brasil melhor, já que, em meados de 2003, o Congresso Nacional começava a discutir um projeto de reforma tributária apresentado pelo governo Lula.

Ainda estamos a esperar, contra toda a desesperança de sairmos bem deste governo, haver um jeito de construir um Brasil melhor a partir de 2023. A Márcio Garcia Vilela, a pandemia poupou-o de mais uma desilusão…

 

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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