Os gigantes a serem enterrados pela Cúpula do Clima: petróleo, gás e carvão

Indústria de carvão mineral na Indonésia. Foto: Dominik Vanyi / Unsplash

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma das excelentes charges do Duke.

Para ter sucesso efetivo, a Cúpula do Clima, que começa nesta quinta-feira (22), on-line, convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, precisa ir muito além do Acordo de Paris. Este simplesmente não teve a ousadia de responsabilizar os principais causadores do aquecimento global: petróleo, gás e carvão.

Isso fica evidente na carta aberta aos líderes globais que pode ser lida aqui. Em linguagem clara e sucinta (pouco mais de mil palavras), 101 laureados pelo Nobel da Paz, Literatura, Medicina, Física e Economia apontam a falha do Acordo de Paris de não se comprometer “em manter os combustíveis fósseis debaixo da terra”.

Ao não encarar o problema há seis anos, o Acordo de Paris deixou a indústria de combustíveis fósseis livre para seguir planejando novos projetos que os bancos continuam a financiar.

“De acordo com o último relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, até 2030 serão produzidos 120% a mais de carvão, petróleo e gás do que é compatível com a limitação do aquecimento global a 1,5°C”, diz a carta aberta.

Entre os signatários estão o tibetano ganhador do Nobel da Paz de 1989, Dalai Lama, e o argentino Adolfo Pérez Esquivel, laureado em 1980. Quando Lula estava preso em Curitiba, Esquivel o indicou ao Nobel da Paz, não concedido até hoje a nenhum brasileiro.

Além de Esquivel, há entre os signatários dois latino-americanos ganhadores do Nobel da Paz: Juan Manuel Santos, ex-presidente da Colômbia, em 2016, e Rigoberta Menchú Tum, da Guatemala, em 1992. Esta é também ativista pelos direitos humanos.

O direito à vida é o mais importante desses direitos. Um direito que se acha ameaçado “pela grande questão moral do nosso tempo: a crise climática e a consequente destruição da natureza”,  reforçam os signatários da carta, que deveria ser lida pelos que se reúnem nesta semana na Cúpula do Clima. Entre eles, o presidente brasileiro.

A Amazônia não é citada, para alívio de Bolsonaro. Mas, com atenção, ele pode se sentir incluído nos seguintes parágrafos:

“As mudanças climáticas ameaçam centenas de milhões de vidas, assim como os meios de subsistência em todos os continentes, e põem em perigo milhares de espécies. A queima de combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás – é, de longe, a principal causa para a mudança climática.”

“Neste 21 de abril, véspera do Dia da Terra e da Cúpula do Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, nos dirigimos aos líderes mundiais para instá-los a agir imediatamente para frear a expansão do petróleo, gás e carvão e, assim, evitar uma catástrofe climática.”

Outra charge do Duke, sempre ótimo!

Apesar do poderio da indústria do petróleo, gás e carvão, tão grande que o Acordo de Paris preferiu não enfrentá-la, os ganhadores do Nobel não desistem. Para eles, a solução é bastante clara, desde que os líderes mundiais se comprometam a:

  1. Eliminar a produção existente de petróleo, gás e carvão de uma maneira justa e equitativa, considerando as responsabilidades dos países pelas mudanças climáticas, sua respectiva dependência de combustíveis fósseis e sua capacidade de transição;
  2. Investir em um plano de transição que garanta 100% de acesso à energia renovável globalmente, apoie as economias dependentes para que diversifiquem sua produção e se afastem dos combustíveis fósseis e possibilite às pessoas e comunidades de todo o mundo prosperarem por meio de uma transição global justa;
  3. Os combustíveis fósseis são a principal causa das mudanças climáticas. Permitir a expansão contínua desse setor é inaceitável. O sistema de combustíveis fósseis é global e requer uma solução global – uma solução em que a Cúpula dos Líderes do Clima deve trabalhar. E o primeiro passo consiste em manter os combustíveis fósseis debaixo da terra.

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Por José de Souza Castro

Jornalista mineiro, desde 1972, com passagem – como repórter, redator, editor, chefe de reportagem ou chefe de redação – pelo Jornal do Brasil (16 anos), Estado de Minas (1), O Globo (2), Rádio Alvorada (8) e Hoje em Dia (1). É autor de vários livros e coautor do Blog da Kikacastro, ao lado da filha.

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