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‘Nomadland’: poderia ter contado a mesma história em 30 minutos

Não vale a pena assistir: NOMADLAND
Nota 5


Você pode dizer deste filme: poético, filosófico, bonito.

E também pode lançar estes outros adjetivos: lento, parado, arrastado, monótono.

Sim, admiro que a fotografia seja linda, que Frances McDormand esteja bem em seu papel (e olha que ela aparece em 100% das cenas, então chega a ser exaustivo ver seu rosto depois de um tempo), e que a gente possa pensar um bocado sobre a vida que levamos, o ritmo insano em que vivemos, as coisas materiais sem fim que possuímos, e mais uma porção de coisas, enquanto vemos uma mulher vivendo como nômade em seu trailer, trabalhando de bicos e incapaz de criar qualquer vínculo mais duradouro com alguém.

Mas a verdade é que: NADA ACONTECE. Me desculpem, mas o filme de 1 hora e 47 minutos poderia ter sido reeditado em 30 minutos e virado um belíssimo curta-metragem, e tenho certeza de que teria gerado mais impacto.

Uma das curiosidades dessa produção, que todo mundo destaca, é que a maioria dos personagens que aparecem são realmente nômades, são realmente eles próprios, e não atores. Mas, sinceramente? Talvez por isso mesmo, por ter o filme virado uma espécie de documentário, com um roteiro baseado em um livro de não-ficção, talvez por isso mesmo a gente termine de assistir sentindo falta de BOAS HISTÓRIAS. Porque uma trama bem costurada em um roteiro elaborado com cuidado é muito diferente de um emaranhado de cenas dispersas mostrando as pessoas tocando suas vidas.

E dá-lhe Frances empacotando caixas, lavando banheiro, pegando pedrinhas, fazendo cocô, raspando uma chapa de hambúrguer, conversando frivolidades, dirigindo, trocando pneu, pensando na vida, e dá-lhe silêncios, e dá-lhe Frances fazendo mais um monte dessas coisas de novo.

Uma das cenas triviais de ‘Nomadland’

Terminei o filme sentindo que havia uma boa história ali, debaixo de todas aquelas camadas de paisagens áridas, mas que ela foi desperdiçada. Não foi bem aproveitada, ao contrário, por exemplo, do similar “Na Natureza Selvagem“, que é nota 10. Ou requer uma sensibilidade e uma paciência que não amanheceram comigo hoje – quem sabe revendo em outro momento da vida eu tivesse me comovido mais.

Nomadland, esta terra de nômades, concorre em seis categorias do Oscar. Frances, dá-lhe Frances, que já recebeu cinco indicações por sua atuação e já levou duas estatuetas, está no páreo de novo. Sinceramente, dos filmes que já vi neste ano, acho que Viola Davis e, principalmente, Carey Mulligan merecem mais este prêmio.

O filme também concorre por sua linda fotografia, pela edição, roteiro (!!!) e direção de Chloé Zhao, e ainda pode ser considerado o melhor filme do ano. A minha torcida não tem.

Assista ao trailer do filme:

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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