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Infectologista clama população a se vacinar contra a Covid-19 e diz: ‘Os negacionistas têm que aprender com a ciência’

Sérgio Cimerman faz discurso sobre a vacinação contra Covid-19. Foto: Reprodução

Não consegui acompanhar todo o noticiário neste dia histórico que foi o da liberação de duas vacinas contra a Covid-19 no Brasil. Não vi ainda a transmissão da reunião dos diretores da Anvisa.

Mas assisti a um pedaço da coletiva do ministro da Saúde e a um trecho da coletiva do governo de São Paulo. Vi toda a politização e todo o circo que, infeliz e previsivelmente, foi feito de ambos os lados. Mas, em meio a tudo isso, vi o discurso, bastante emocionado, do médico infectologista do hospital Emilio Ribas, Sérgio Cimerman. Acho que ele fala o principal, resume o que interessa, e ainda finaliza com um clamor à população. Por isso, decidi transcrevê-lo para que todos possam ler. Se você preferir assistir ao vídeo, basta ir para por volta dos 49 minutos dessa transmissão de YouTube.

Segue abaixo o discurso transcrito e com meus trechos favoritos destacados:

 

Enfermeira Monica Calazans, do Instituto Emílio Ribas, é a primeira brasileira a receber vacina contra a Covid-19.Foto: Governo de SP / Divulgação – 17.1.2021

“Fico muito emocionado, como infectologista que sou, na luta da nossa especialidade, sofrendo ameaças de morte constantes por parte de negacionistas. Não só eu como todos os diretores da Sociedade Brasileira de Infectologia, que não apoiamos cloroquina, ivermectina, tratamento precoce. Não nos furtaremos, e não nos furtamos até hoje, a fazer a ciência. E vamos continuar, com ameaças de morte ou não, seguindo a luta que é da ciência.

Perdão pela emoção. Hoje a gente vê uma luz no fundo do túnel no enfrentamento da pandemia da Covid-19. Não temos até o momento medicação efetiva pra Covid-19, mas agora que nós temos duas vacinas aprovadas pela Anvisa, em reunião que durou mais de cinco horas, de instituições centenárias – públicas, diga-se de passagem –, como Butantan e Fiocruz, que enchem de orgulho todos nós, médicos e cientistas.

As vacinas devem ser o alicerce nesta luta que ora se inicia. Vamos dar a resposta ao mundo todo. Os dados mundiais apontam o Brasil com 2,3% dos casos mundiais e respondendo por 10% dos mortos do mundo todo.

Entre 250 mil admissões hospitalares por Covid-19, 80% de mortalidade foi naqueles indivíduos que necessitaram de ventilação. Isso está claramente impactado agora com a chegada da vacina, que é não evoluir pra doença grave ou moderada. Poderíamos ter salvo 250 mil vidas às custas da vacina. A Sociedade Brasileira de Infectologia, nas próximas 24 horas, vai lançar uma nota aprovando o uso de vacinas, pedindo que se salve vidas, e  evitando tratamento precoce, mais uma vez largamente difundido de modo errôneo, sem ter (base na) Ciência.

(…) É um orgulho pra mim fazer parte deste momento histórico. (…) Queria reforçar a rapidez com que a Anvisa, nosso órgão regulatório, com maestria e rigor técnico, comparado a outros países, como EUA, Reino Unido e Canadá, avaliou toda a documentação. Demos a resposta à população, e à imprensa que clamava por dados mais robustos e em outras coletivas questionava essa possível eficácia, aí está: a Anvisa, nosso órgão regulatório, dá aprovação para uso emergencial. Isso é muito importante. Uma vacina segura. Em torno de 3% de efeitos adversos de grau 1 ou grau 2, ou seja, ínfimos. Eficaz sim: 50,39%. Vou me pautar na fala do doutor Gustavo, da Anvisa: ‘Que não tem efeito prático algum a questão de mais 50% ou menos 50%’. Ele foi muito feliz, na minha avaliação, quando ele coloca isso. Os negacionistas, os antivacinas têm que aprender com a ciência. A ciência está comprovando a importância.

Enfermeira Monica Calazans, do Instituto Emílio Ribas, é a primeira brasileira a receber vacina contra a Covid-19.Foto: Governo de SP / Divulgação – 17.1.2021

2021 é o ano da luta. É o ano da vida. É o ano da esperança. No momento é a melhor opção que temos. Sem mudança de comportamento e conscientização social nós não vamos vencer.  Não podemos esquecer as medidas preventivas. Hoje nós já temos o “Dia D”, 17 de janeiro, Mônica (primeira brasileira a se vacinar) nos provou. E já temos a “hora H”, 15 horas e 30 e poucos minutos (hora em que ela recebeu a vacina). (…) A infectologia está feliz, a infectologia está aliviada. E vamos começar um novo processo, e vamos fazer essa fase 4, que é a vacinação em massa, render frutos e dar as respostas necessárias. (…) Precisamos ter paciência. As pessoas querem imediatismo, não dá pra ter.

Precisamos fazer nossa parte: distanciamento, máscara, álcool em gel, e as vacinas. E que a população, por favor, eu clamo como infectologista, que a população se vacine no momento que vai ser adequado pra cada grupo que for sua vez. Por favor, sem isso nós não vamos conseguir vencer a Covid-19.”

Enfermeira Monica Calazans, do Instituto Emílio Ribas, é a primeira brasileira a receber vacina contra a Covid-19.Foto: Governo de SP / Divulgação – 17.1.2021

 

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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