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Quem é Patricia Campos Mello, a repórter insultada por Bolsonaro

Charge de Fernandes, no Diário do ABC (SP)

O presidente da República, mais uma vez, abriu a boca para proferir um insulto, desta vez contra a repórter da “Folha de S.Paulo” Patricia Campos Mello. Ele não apenas “insinuou”, como disse a própria “Folha”. Ele falou, com todas as letras: “Ela queria dar o furo”. Mais literal, impossível. Comentário não só mentiroso, tendo em vista o alto nível da jornalista em questão, como também machista, cruel. Ele quis manchar o nome dela e, embora isso não seja um consenso, porque o presidente se valeu do duplo sentido da expressão “furo”, há quem defenda que houve quebra de decoro. O jurista Miguel Reale Jr., por exemplo, que assinou o pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, disse à revista “Veja” que Bolsonaro pode sofrer impeachment por essa agressão.

Vale lembrar que a fala de Bolsonaro faz uma referência ao depoimento de uma testemunha na CPMI das Fake News que claramente mentiu, como comprovou a “Folha” revelando os prints das conversas entre a testemunha e a repórter Patricia Campos Mello. Tanto a mentira da testemunha quanto a fala do presidente da República foram veementemente repudiadas por entidades sérias, como a OAB e a Abraji.

Ao dar uma declaração abjeta como esta, Bolsonaro insuflou ainda mais a militância digital, que não tem pudores em criar memes e factóides para tentar manchar ainda mais o nome da repórter Patricia Campos Mello. Vivemos a era das fake news, em que a verdade parece ser o que menos interessa a algumas pessoas. O UOL fez uma breve reportagem mostrando o passo a passo de como essas mentiras são plantadas e disseminadas. O Intecept foi mais a fundo e mostrou que grupos de WhatsApp bolsonaristas, que eles monitoram há meses, e que contribuem para disseminar esse tipo de coisa, são administrados por ninguém menos que Flávio e Eduardo Bolsonaro, filhos do presidente e também senador e deputado federal, respectivamente.

Quem tiver um mínimo de preocupação em saber se está disseminando mentiras ou verdades, vai tomar, antes de mais nada, o cuidado de procurar saber quem é a repórter Patricia Campos Mello.

Aqui está minha contribuição:

  • A repórter Patricia Campos Mello. Foto: Reprodução / Twitter @camposmello

    Patricia é formada em jornalismo pela USP e tem mestrado em business and economic reporting pela Universidade de Nova York, onde recebeu uma bolsa de estudos.

  • Já esteve em mais de 50 países – inclusive diversas vezes na Síria, Iraque, Turquia, Líbia, Líbano e Quênia, onde fez reportagens sobre os refugiados e a guerra.
  • Foi a única repórter brasileira a cobrir a epidemia de ebola em Serra Leoa em 2014 e 2015.
  • Foi correspondente em Washington do jornal “O Estado de S. Paulo”, de 2006 a 2010.
  • Fez coberturas sobre a crise econômica nos EUA e cobriu as eleições americanas de 2008, 2012 e 2016.
  • Cobriu a guerra do Afeganistão em 2009, “embedded” com as tropas americanas.
  • Cobriu também os atentados de 11 de Setembro em Nova York, em 2001.
  • Foi vencedora do Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa do CPJ, do prêmio especial Vladimir Herzog de Direitos Humanos, do prêmio Internacional de Jornalismo do Rei da Espanha, prêmio de Jornalismo Humanitário do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, grande prêmio Petrobrás, grande prêmio Folha e Prêmio Estado.
  • É autora do livro “Lua de Mel em Kobane”, da Companhia das Letras, sobre um casal de sírios sobrevivendo do cerco do Estado Islâmico, que ela conheceu na Síria. Também escreveu os livros O mundo tem medo da China (Mostarda, 2005) e Índia – Da miséria à potência (Planeta, 2008)
  • É senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).
  • Hoje Patricia é repórter especial e colunista da “Folha de S.Paulo”, onde fez a premiada cobertura sobre o uso de redes sociais e WhatsApp para disseminação de desinformação na eleição brasileira de 2018.
  • Clique aqui para ver o currículo de peso da jornalista.

Como bem escreveu o linguista Gustavo Conde: “O trabalho dessa jornalista, a fibra e a dignidade que ela demonstrou enfrentando as mentiras e a baixeza de bolsonaristas e do próprio Bolsonaro via Twitter e redes sociais a enquadram como a nossa principal e mais combativa jornalista no presente momento histórico. Ela acaba por representar também a energia feminina que está contraposta a um governo masculinizado, autoritário e truculento, que ofende jornalistas, professores e todos os profissionais ligados a práticas humanistas.”

Força, Patricia! Um dia esta era de mentiras e de ódio há de acabar.

 


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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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