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PF já caçou boi no pasto para garantir carne na mesa do brasileiro – e agora volta a caçar Lula

Texto escrito por José de Souza Castro:

Polícia caçou boi em 1986. Manchete do ‘Jornal do Brasil’ noticiando o episódio. Foto: Reprodução

No dia 9 de outubro de 1986, no governo Sarney, foi montada pela Polícia Federal uma operação para pegar boi no pasto. No primeiro dia, foram desapropriados 2.000 bois em três fazendas de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. O objetivo era encontrar a carne que estava faltando na mesa dos brasileiros. Hoje a carne está sobrando nos açougues e supermercados, apesar da grande exportação para a China, mas falta na mesa da maioria dos brasileiros que, desempregos ou com salários arrochados, não podem comprar carne cujo preço disparou nos últimos dias.

Bom para a Polícia Federal, que não precisa montar a cavalo para laçar bois nos pastos, e pode se dedicar ao que melhor sabe fazer: cumprir mandados judiciais para descobrir como Luiz Inácio Lula da Silva roubou ao longo dos governos petistas. Nesta terça-feira (10), foi iniciada nova fase da Operação Lava Jato e, entre os mandados de busca e apreensão, um dos alvos é Fábio Luís, filho do presidente Lula. A suspeita é que uma empresa de Lulinha, a Gamecorp, tenha recebido do grupo Oi/Telemar R$ 132 milhões, entre 2004 e 2016, para ser beneficiada pelo governo petista. Parte desse dinheiro teria sido usada na compra do sítio de Atibaia, frequentado por Lula.

Será que finalmente a PF vai descobrir que Lula roubou? Descobrir com provas e não apenas com ilações da turma de Dalagnol e Sergio Moro?

Há 33 anos, a carne sumiu porque grandes pecuaristas se negavam a vender bois pelo preço tabelado pelo governo. Agora a carne está sumindo do prato dos brasileiros porque o governo neoliberal não acredita em tabelamento e acha que o próprio mercado se encarregará dessa questão.

Foto: José Ignacio Pompé / unsplash

O governo chinês não acredita nisso e tomou suas providências para garantir segurança alimentar aos súditos. E incentivou a importação de carne do Brasil, inclusive liberando a compra do produto de frigoríficos que não vinham cuidando bem da segurança sanitária. Entre uma eventual dor de barriga e uma barriga roncando de fome, os comunistas – que sabem bem o que é passar fome e o perigo do ronco das ruas – fizeram sua opção.

A opção de nosso governo parece ser apressar a volta de Lula à prisão, antes das eleições – e antes que seja tarde.

Recebi hoje um artigo do empresário e cientista político Stefan Salej, sobre o qual tenho escrito. Ele profetiza que atrás do boi vai o frango, arroz, milho, soja, verdura, feijão e tudo mais – e tudo isso faltará à mesa dos brasileiros. Quem ainda tem emprego não consegue pagar a conta e logo vai começar a pressão sobre os salários.

Para piorar, quem ainda acredita nas estatísticas divulgadas pelo governo sobre índices de inflação? Basta lembrar que recentemente “o governo teve que corrigir os dados do comércio exterior, erros de digitalização, o que coloca dúvida sobre se não pode haver outros erros”, observa Salej. “E a outra pergunta que fica é se panelas vazias, desta vez de fato, vão ficar só em casa, ou vão sair para a rua”, diz o preocupado ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) – o primeiro a liderar uma greve de empresários.

No governo Lula? Não, no governo Fernando Henrique Cardoso…

Na próxima semana, ameaça-se com uma nova greve dos caminhoneiros autônomos, todos eles pequenos empresários. Não sei se haverá ou não. Mas, se houver, dificilmente o governo Bolsonaro vai mandar que a Polícia Federal os force a rodar com seus caminhões parados nas rodovias. Afinal, não é Bolsonaro um defensor da livre iniciativa? Ou será só o seu ministro da economia?

Qualquer que seja, o que querem ambos é que se dane o trabalhador brasileiro.

Depois de escrever isso, com o desânimo de sempre, tive a oportunidade de renovar as esperanças, ao ouvir o discurso do novo presidente da Argentina, Alberto Fernández (se eu pudesse aconselhar alguém, aconselharia a ler e ouvir a íntegra; veja ao fim deste post). Aí um trecho que não vou tentar traduzir, para não errar. Acho que qualquer leitor vai entender:

Es tiempo de ciudadanizar la democracia. Tenemos una democracia con cuentas pendientes y siento que expreso a una generación que llega en esta hora al poder para tomar la decisión de saldarlas.

Una democracia sin justicia realmente independiente no es democracia.

Supo decir un penalista clásico, que cuando la política ingresa a los Tribunales, la justicia escapa por la ventana.

Sin una justicia independiente del poder político, no hay república ni democracia. Solo existe una corporación de jueces atentos a satisfacer el deseo del poderoso y a castigar sin razón a quienes lo enfrenten.

Hemos visto el deterioro judicial en los últimos años. Hemos visto persecuciones indebidas y detenciones arbitrarias inducidas por los gobernantes y silenciadas por cierta complacencia mediática.

Por eso hoy vengo a manifestar frente a esta Asamblea y frente a todo el Pueblo Argentino, un contundente Nunca Más.

Nunca Más a una justicia contaminada por servicios de inteligencia, “operadores judiciales”, procedimientos oscuros y linchamientos mediáticos.

Nunca más a una justicia que decide y persigue según los vientos políticos del poder de turno.

Nunca más a una justicia que es utilizada para saldar discusiones políticas, ni a una política que judicializa los disensos para eliminar al adversario de turno.

Lo digo con la firmeza de una decisión profunda: Nunca más es nunca más.

Porque una justicia demorada y manipulada significa una democracia acosada y denegada.

Assista na íntegra:

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

Um comentário em “PF já caçou boi no pasto para garantir carne na mesa do brasileiro – e agora volta a caçar Lula Deixe um comentário

  1. O que escrevi deve preocupar todo brasileiro que gosta do Brasil. Mas a situação é muito mais grave, compreendi hoje ao ouvir o economista Eduardo Moreira, em entrevista ao site 247. Ele explica de forma bem didática o que está acontecendo no país. Acontecendo com o que lele chama de Plano para Destruir o Brasil. Um plano que começou no governo Temer e está sendo incrementado rapidamente no atual governo. Vale a pena ver e ouvir aqui o que Eduardo Moreira gravou neste vídeo do Youtube:

    Se o plano de ceder toda a terra no Brasil aos latifundiários (eles são donos hoje de 60% da produção rural) e aos estrangeiros (já existe lei em vigor que permite que eles comprem até 25% das terras de cada município em todos os estados), o brasileiro vai morrer de fome. Não só os pobres. Todos que não conseguirem fugir do Brasil, pois toda a produção rural estará voltada à exportação.

    Eduardo Moreira alerta que é preciso baixar o vídeo, porque teme que vai acontecer com este o que aconteceu como outros que fez, e cujos assuntos eram menos graves que este: será logo retirado do Youtube. Ele pede ainda que cada um tente divulgar ao máximo de pessoas o vídeo baixado, pois é preciso que elas tenham informação para que saiam da letargia em que se encontram e se unam para reagir para derrubar esse plano.

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