‘Paraopeba’, um poema de Carlos Seixas

Rio Paraopeba na divisa dos municípios de Betim e São Joaquim de Bicas, em Minas Gerais. Foto de 2014, anterior, portanto, à tragédia da Vale. Crédito: Wikipédia.

 

Diante de tanta tristeza e revolta causadas pelo crime da Vale em Brumadinho (isso para não falar de Mariana), muitas vezes, nos faltam palavras. Sobram informações no noticiário, e a gente vai até se perdendo, diante de tantas notícias. O jornalismo, nessas horas, sozinho, não dá conta de abarcar todo o nosso sentimento. É aí que entram os poemas, tão eloquentes, por mais curtos que sejam. Poemas nos ajudam a extravasar nossas emoções. É por isso que, pela terceira vez desde a chamada “tragédia de Brumadinho”, em menos de um mês, publico aqui um poema que diz mais do que muito textão junto. Este foi escrito e enviado para publicação no blog pelo leitor Carlos Seixas, que é um funcionário público de 58 anos, natural de Manaus e que hoje mora no Recife (PE). Boa leitura:

 

PARAOBEPA

De Carlos Seixas

 

rio, vivo da vida
hoje, vivo da lama

chamam-me
rio de lama
chama apagada
depois da enxurrada

de jeito
desceu rejeito

levando vidas
deixando lágrimas

påginas soterradas
onde havia terra e mata
não há mais nada

odor de dor
é o que há

esta dor
após a tempestade
não tem bonança
só o respiro do amor

 


Quer enviar sua contribuição para o blog? Pode ser um poema também, ou um conto, uma análise, uma resenha… CLIQUE AQUI e saiba como 😉

Leia também:

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog

Anúncios