Trama Fantasma: amor, estranho amor

Vale a pena assistir: TRAMA FANTASMA (Phantom Thread)
Nota 7

O personagem principal deste filme, Reynolds Woodcock, fictício, é um dos sujeitos menos carismáticos que já conheci na tela. Genioso, mimado, cheio de manias, autoritário, que não suportava ser interrompido no trabalho (“a xícara de chá vai, mas a interrupção fica”), provavelmente obsessivo-compulsivo. Sua vida de rei, estilista de reis e rainhas, estrelas e socialites, com tudo girando ao redor de suas vontades, é desordenada com a chegada da garçonete Alma, que ele leva para casa por ver nela as medidas perfeitas para suas roupas. Daí, num roteiro que corre de forma bastante lenta, é construída uma das histórias de amor mais estranhas que já foram contadas. Um misto de submissão e devoção, com um “ingrediente secreto” para estimular a renovação dos sentimentos.

Daniel Day-Lewis, como sempre, incorpora o personagem como se tivesse baixado um espírito nele. É impressionante a transformação. Não é à toa que esse cara já tem três estatuetas do Oscar na prateleira. Não levou desta vez, porque Gary Oldman, que nunca tinha ganhado o Oscar, também se transformou em um Churchill incrível.

A bem menos experiente Vicky Krieps, que interpreta Alma, foi esnobada pela Academia e pela maioria das premiações ao redor do mundo, mas achei seu sorrisinho de Monalisa na medida certa para a personagem, só aparentemente contida.

Lesley Manville completa a trinca de personagens mais importantes do filme, no papel da irmã Cyril, que ajuda a controlar os negócios de Woodcock. Sua atuação também rendeu indicação do filme ao Oscar, assim como a trilha sonora e a direção de Paul Thomas Anderson (“Vício Inerente”, “Magnólia”). Também indicado a melhor filme do ano, acabou que Trama Fantasma só levou o prêmio que apostei para ele, de melhor figurino. Merecido e condizente com a produção.

Acho que tenho que assistir de novo algum dia para tentar penetrar nas reentrâncias dessa trama fantasma, tão elogiada pela crítica, e cuja história achei apenas razoável. Talvez eu gostasse mais se um personagem tão incrivelmente enjoado como Woodcock fosse real, mas ele é meramente inspirado no espanhol Cristóbal Balenciaga, que também fez sucesso nos anos 50. O que aumentou um pouco minha simpatia foi ter lido que o diretor teve a ideia para o filme num dia em que estava doente, de cama, e viu sua esposa olhar para ele com uma ternura que ele não via há tempos. Nada como a fragilidade da alma para elevar a força do amor…

Assista ao trailer do filme:

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