O lar é onde a gente quer que seja

Não deixe de assistir: BROOKLYN
Nota 7

brooklyn

É possível mudar de país completamente, começando do zero, onde ninguém te conhece, e conseguir se sentir ainda mais em casa do que na terra natal?

“Brooklyn” fala da imigração irlandesa para Nova York, na década de 50, e é muito bonito ao costurar uma história de amor em meio ao drama da saudade. “Homesick”, a palavra inglesa muito usada no filme, passa a fazer mais sentido do que nossa palavra brasileiríssima, a “saudade”. Porque o que a personagem principal, Eilis (interpretada pela jovem Saoirse Ronan), sente é como uma dor — ou uma doença — pela falta de seu lar. A sensação de deslocamento que só quem já morou em outro país sabe como é.

Se o filme fosse só sobre a história de amor que acaba surgindo entre Eilis e o também imigrante Tony seria muito superficial. Também cheio de momentos clichês, como critiquei no filme “Carol“, “Brooklyn” é assumidamente água-com-açúcar. Mas o conflito interno de Eilis, que surge na terceira parte da história, agrega muito ao roteiro. Passa a ser um filme sobre pertencimento. Sobre a definição de lar. E de felicidade.

Mais do que isso, acho que não posso falar, ou eu estragaria bastante o final. Final, aliás, que foi alterado pelo escritor Nick Hornby, que escreveu o roteiro adaptado de uma novela de Colm Tóibín. O roteiro — bem costurado — concorre ao Oscar na categoria. O filme também concorre na categoria de melhor atriz, pela atuação convincente da descendente de irlandeses Saoirse Ronan, e concorre a melhor filme do ano.

Acho que também merecia concorrer a melhor fotografia, que é um dos pontos fortes do longa, além de design de produção e figurino. Somos transportados aos anos 50, e muito pelo tom envelhecido das imagens, que vai se tornando mais vibrante à medida que Eilis vai adquirindo maior confiança sobre sua nova vida. É como se a fotografia conversasse diretamente com os sentimentos da personagem retratada. E nos transportasse também para seu próprio estado de pertencimento.

Assista ao trailer:

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2 comentários sobre “O lar é onde a gente quer que seja

  1. Cris, corrigindo, quem escreveu a novela Brooklyn não foi Nick Hornby não, mas o irlandês Coilm Toilbin. A história é água com açúcar demais para ser do Hornby, rs.
    Como bem resumiu a crítica da FSP, Brooklyn é um filme fácil de ver e ainda mais fácil de esquecer, rs. Não gostei da reviravolta no meio da história, não. Faz com que o público perca toda a empatia pela protagonista. Por que ela faz uma coisa dessas????
    E outra coisa que eu achei manjada – que na verdade não é problema do filme, mas da história, problema do livro que originou o filme – é que no início a vida da protagonista era totalmente sem esperanças e futuro na Irlanda e, de repente, num passe de mágica, tudo – absolutamente tudo – que ela não tinha nem perspectivas de conseguir na sua cidade natal aparece na vida dela.
    Mas enfim, o fime é legalzinha e a Saoirse Ronan é uma excelente atriz.
    E o ator que faz o namorado também é uma revelação. Seu personagem desperta empatia total, incondicional e imediata. Durante o filme quis casar com ele, rs.

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    • Corrigi o texto, dona Elisa, obrigada! 🙂

      Vc tem razão, principalmente sobre essa súbita aparição de oportunidades na volta à Irlanda. Massss acho que isso pode ter a ver com a mudança gigantesca pela qual passou a personagem, né? Ela foi adquirindo mais autoconfiança, autoestima e mesmo habilidades práticas (com a faculdade) em sua temporada sozinha — algo que todo mundo que já morou longe ou sozinho sabe que é possível de acontecer, porque a pessoa se sente desafiada a melhorar e passa a conviver mais consigo mesma. Aquela cena (curtinha) dela entrando na casa da mãe, de óculos escuros e vestidinho azul, toda confiante, carregando as sacolas de compras, me lembrou a personagem de Joy, também no fim do filme, toda confiante e com outra aparência totalmente diferente, colocando seus óculos escuros depois de desafiar aquele cara corrupto. É até o que falei sobre a fotografia, que vai se tornando mais vibrante à medida que Eilis também vai. No fim das contas, talvez as portas se abram mais facilmente quando as pessoas estão bem com elas mesmas, né? 😉

      Concordo também quando você diz que a personagem perde empatia naquela terceira parte do filme. Pô, como assim ela faz aquilo?! Masssss talvez isso dê um ar mais humano a ela, que, até então, era aquela pessoa impecável, santa, sem defeitos, que se dava bem em tudo o que tocava, que era elogiada até pela dona da pensão…

      Por fim, concordo plenamente com o que você falou do italiano. Meu deus, aquele cara não existe! Por outro lado: meu deus, aquele cara não existe! rs… E, ao contrário de Eilis, ele não ganhou um lado humano, ele foi o santo do início ao fim. Gera empatia total, incondicional e imediata… mas será que alguém é assim neste planeta? rs

      Enfim, só tentando trazer o “outro lado” desses três ótimos pontos que vc levantou! 😀
      bjos

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