Estética linda, história pouco original

Veja se estiver com tempo: O MENINO E O MUNDO
Nota 6

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Confesso que fui assistir a “O Menino e o Mundo” com certa preguiça. Tinha acabado de ver “Divertida mente” — que também concorre ao Oscar deste ano na categoria melhor animação –, que tem toda aquela profusão de cores, detalhes e sons, além de um dos roteiros mais filosóficos da Disney. Achei muito bom, dei nota 8 aqui no blog. Aí fui ver o trailer da animação brasileira e percebi que não há diálogos e os traços do desenho parecem infantis. A estética é completamente diferente. E, ao mesmo tempo que acho o fim do mundo o complexo de vira-latas do brasileiro, também dispenso o ufanismo gratuito: não vou torcer por um filme numa premiação apenas por ter sido feito por um conterrâneo meu.

Mas, como eu disse, a estética de “O Menino e o Mundo” é oposta à de filmes de animação blockbuster. E é seu ponto forte, no fim das contas. A arte do filme é L-I-N-D-A. As cenas que mostram o céu, por exemplo, são de embasbacar. O brilho que conseguem imprimir na tela parece mesmo um sol, ou uma lua, ou um vaga-lume. É muito bonito mesmo.

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Além disso, o filme adora explorar as simetrias e formas geométricas. Se mostra uma plantação de algodão, por exemplo, traz a vista de cima, com várias formas ritmadas, como se os trabalhadores fossem formiguinhas [imagem abaixo]. O mesmo ao mostrar contêineres sendo embarcados num navio ou operários trabalhando na indústria.

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Esse ritmo e essa simetria são obviamente propositais dentro da crítica que o filme faz ao “progresso” do mundo moderno, ao esmagamento provocado pela indústria no ser humano, que se torna máquina. Aquela coisa que já vem sendo mostrada no cinema desde “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, ou antes.

Esteticamente, lindo. Em termos de história, velho. Ou, pelo menos, muito pouco original. Como o filme não tem diálogos, vamos absorvendo aquelas cenas maravilhosas, embalados por uma trilha sonora muito gostosa, mas senti falta da história mesmo. Parecia um videoclipe de fazer ninar. Aí vem outra confissão: faltando meia hora pro filme acabar, eu cochilei. Dormi mesmo, de apagar. Acordei bem no finzinho e tive que voltar para ver de novo o que tinha perdido. Ou seja, não basta ser lindo, se acabar dando sono.

Tendo “Divertida mente” como concorrente, será difícil que a animação de Alê Abreu leve a estatueta do Oscar. O filme da Disney já ganhou, por exemplo, o Globo de Ouro e o Bafta, que são duas premiações de quase tanto prestígio quanto o Oscar. Mas já é bacana ver o trabalho do brasileiro sendo reconhecido em vários festivais mundo afora. Que venham novas indicações!

Assista ao trailer do filme:

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