A grande divisão: quanto pior, pior

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Somos os 99%!

Texto escrito por José de Souza Castro:

Quem não quiser esperar o lançamento no Brasil de “Great Divide: Unequal Societies and What We Can Do About Them”, de Joseph Stiglitz, ganhador do prêmio Nobel de Economia, pode comprar o livro na Amazon, gastando pouco mais de 18 dólares. Mas o lançamento aqui, com o título provável de “A grande divisão:  sociedades desiguais e o que podemos fazer sobre isso”, deve sair ainda neste ano pela Alta Books.

Como outros livros de Stiglitz, este tem merecido grande atenção e já foi objeto de uma resenha na “Folha de S.Paulo”, no dia 3 de outubro, feita pela ex-editora executiva do jornal, Eleonora de Lucena. Trecho:

“Seu ponto central: a desigualdade galopante é fruto de políticas deliberadas e poderia ter sido evitada. Stiglitz ressalta que o fosso social fabricado nos Estados Unidos – e replicado pelo mundo –  impede uma recuperação mais robusta da economia, reforçando iniquidades e mais concentração de riqueza.

Com uma linguagem contundente e didática, o autor extrapola em muito o estrito mundo econômico. Sua reflexão passa pelo comportamento da elite, cada vez mais divorciada das necessidades da população.

Alienada das condições sociais gerais, da saúde, da educação, da segurança e da infraestrutura, essa fração dos superricos vive numa bolha, não liga para o que acontece com a maioria e gera efeitos perversos para o país. Nas palavras do Nobel:

“De todos os custos impostos pelo 1% para a nossa sociedade talvez o maior seja a erosão de nosso senso de identidade, no qual o jogo justo, a igualdade de oportunidade e o senso de comunidade são tão importantes”.

Stiglitz, 72, lembra que Alexis de Tocqueville (1805-1859) identificou nos norte-americanos a existência de um “interesse próprio bem compreendido”, ou seja: para o próprio bem-estar individual é preciso prestar atenção nas condições dos outros.

Segundo o Nobel, os americanos aprenderam que “ajudar os outros não é apenas bom para a alma, mas é bom para os negócios”. No entanto, agora a elite não entende que o seu destino está interconectado com o da maioria da população – os 99%.

“A história mostra que isso é algo que, no final, o 1% mais rico pode aprender – muito tarde”, diz. O alerta está em “Do 1%, pelo 1%, para o 1%”, famoso ensaio publicado originalmente pela revista “Vanity Fair”, em 2011, e que serviu de inspiração para protestos como o Occupy Wall Street.

O texto é um dos mais esclarecedores do livro, que recupera discussões de outras obras de Stiglitz, como “The Price of Inequality” (2012) e “Freefall” (2010). Ex-executivo do Banco Mundial e do conselho econômico da administração Bill Clinton, Stiglitz reforça, também nesta obra, seu ataque contra os bancos.”

Ainda não li o livro vendido pela Amazon desde abril, mas desde já me sinto reconfortado, pois tenho escrito aqui alguns artigos críticos ao sistema financeiro atual que vem se impondo sobre as políticas públicas no Brasil e na maioria dos países, para benefício de 1% da população mais rica e em grave prejuízo para os outros. Por exemplo, escrevi AQUI, AQUI, AQUI, e AQUI. Como observou Eleonora de Lucena, sobre o país mais rico do mundo, os Estados Unidos:

“O bem-estar das corporações foi engordando ao mesmo tempo que encolhiam os projetos de ajuda aos mais pobres. Um norte-americano típico ganha hoje menos do que ganhava há 45 anos – feitas todas as correções. Uma em cada quatro crianças vive na pobreza (na Grécia é uma em seis).

O 1% mais rico abocanha um quarto da renda e 40% da riqueza dos EUA. Há 25 anos, essas percentagens eram de 12% e 33% respectivamente. Políticos e parlamentares fazem dessa superelite e atuam em função dela.

Essa crescente desigualdade destrói o mito dos EUA como a terra de oportunidades, sabota a eficiência da economia e, principalmente, abala os pilares da democracia. O lema de “um homem um voto” está sendo convertido em “um dólar um voto”.

No Brasil, a situação é ainda pior. Nosso país é campeão mundial da desigualdade, apesar dos avanços observados neste século. E nada indica que a última reforma política anunciada pela presidente Dilma Rousseff venha para melhor. Como diz Jânio de Freitas neste domingo, no mesmo jornal, comentando as mudanças em seu ministério: “O que importa é estar tudo pronto, enfim: quanto pior, pior”.

Sim, mas não precisa ser assim. Há soluções. Algumas são apontadas pelo economista francês Thomas Piketty, NESTA entrevista à BBC Brasil. Ele estava em São Paulo para divulgar seu best-seller “O Capital no Século XXI” (Editora Intrínseca). Segundo ele, o nível de desigualdade no Brasil pode ser reduzido com uma série de políticas. Cita: “Investir em educação e em instituições sociais, (implementar) um sistema de impostos progressivo, em que os ricos pagam mais que os pobres, (criar) boas políticas para o mercado de trabalho e aumentar o salário mínimo – algo que no Brasil foi importante nos últimos 10, 15 anos. Todas essas políticas são complementares. Não dá para escolher.”

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