Em um espaço de menos de uma semana, vimos duas mortes trágicas de crianças sendo noticiadas com maior destaque que as demais mortes que acontecem todos os dias. E, quando temos acesso a detalhes tão tristes sobre a morte de duas pessoinhas como estas sobre as quais fomos minuciosamente informados, bate uma tristeza grande, aquele desalento que chega com pensamentos óbvios e quase corriqueiros: o que duas criancinhas de 6 e 7 anos poderiam ter feito para merecer mortes tão brutais, uma por queimaduras e outra por afogamento? Ao meu ver, nada, claro. Não se trata de merecimento. Não sei nem se existe mesmo essa coisa de termos “nosso dia” para morrer. Destino, missão. Qual era a missão daquelas pequeninas, além de alegrar os Natais e todos os demais dias do ano de seus familiares? (O bisavô da primeira ficou tão triste com a notícia de sua partida, que acabou morrendo também…)
Esse tipo de questionamento, cheio de confusão, sempre passa pela minha cabeça quando me deparo com mortes estúpidas. Aquelas perguntas que atormentam os filósofos desde que o mundo é mundo: o que é a morte? E o que é a vida? Para onde vamos? Por que estamos aqui? Etc.
Tudo isso me fez lembrar de uma carta que escrevi a deus em agosto de 2011, logo depois de perder minha madrinha. Podem achar que é muita pretensão escrever uma carta à entidade espiritual máxima, que supostamente nos observa e acalenta (e pune?). Eu não acho não. Dá na mesma escrever uma carta ou fazer uma oração ou ficar remoendo sozinhos com nossas ideias e pensamentos. A diferença é que tornei a minha pública, para provocação aos mortais que possam lê-la, aí incluindo os que nem acreditam na existência de um deus ou os que não têm certeza sobre o que acreditam.
Na carta, sugeri um sistema para substituir esse nosso atual, no que diz respeito às mortes. É um tiquinho grande, mas, se você tiver interesse de ler (ou reler), pode clicar AQUI.
(Depois deixe um pitaco aí nos comentários, para a gente aprimorar nossa confusão mental.)






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