Quando a gente pensa que já conhece todos os grandes autores do mundo, ao menos os da literatura clássica, vem um Horacio Quiroga, uruguaio, para nos lembrar que essa fonte é (felizmente, embora angustiosamente) infinita e inesgotável.
Quiroga nasceu em 1878, em Salto, e morreu em 1937, não sem antes se tornar um dos maiores contistas do mundo e um dos primeiros representantes do modernismo na América Latina.
Fui ler o primeiro livro de Quiroga agora. São 15 contos reunidos sob o título “Contos de Amor, de Loucura e de Morte”.
E estou encantada.
Não são muitos os contistas que me encantam. Quiroga conseguiu, pela objetividade com que escreve, a concisão, a precisão das palavras escolhidas, a perfeição técnica, o suspense que cria desde o primeiro parágrafo, a tensão criada ao longo de toda a narrativa e, principalmente, o susto com que nos deixa no fim, num estado de atordoamento pela solução encontrada para aquela historieta.
Só ele pode escrever com personagens que são cães, cavalos e vacas, e esses personagens se comunicarem de forma plausível, como se sempre soubéssemos que se comunicam daquele jeito. Só ele aborda a morte, a ruína e o amor de uma forma que ultrapassa qualquer clichê a respeito.
O melhor é que são contos marcantes, que ficam na cabeça da gente para sempre, como só me acontecia com os grandes romances. Mas nunca vou me esquecer do conto “O Travesseiro de Plumas”, do “Os Barcos Suicidas”, do “Os Mensá”, “Yaguaí”, “Nosso Primeiro Cigarro”, “Os Pescadores de Vigas”…
Enfim, não vou entrar no mérito de cada enredo, para não estragar a surpresa que tive com esta primeira leitura — e que deixo para vocês também terem.
“Contos de Amor, de Loucura e de Morte”
Horacio Quiroga
Abril Coleções
208 páginas
De R$ 25,66 a R$ 29,61
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“O arame farpado”, “o mel silvestre”, o perturbador “a galinha degolada”… essa edição é muito boa porque traz no apêndice o inspirador “Decálogo do contista”, citado por muitos escritores como “perfeito”.
Aliás essa coleção “Clássicos Abril” traz títulos pra lá de interessantes. Pena que seja meio difícil encontrar aqui por Salvador. Viva a internet! 😀
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É verdade!
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Taí uma boa sugestão pro “meu” próximo presente “surpresa” de amigo-oculto de Natal, hein Cris?!
: )
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vamos anotar 😉
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