O assalto da caixinha de música

Clique para ver maior a minha caixinha 🙂

Na minha primeira vez no MAM (Museu de Arte Moderna), em 2008, no parque Ibirapuera, em São Paulo, passei por aquela lojinha achando as coisas lindas, mas desproporcionalmente caras (a desproporção é reforçada pelo fato de que as exposições no museu eram de graça).

Tipo: um bloquinho magrelo por R$ 20.

Passeei por tudo com um olhar blasé, desinteressada. Até chegar ao caixa, onde vi, primeiro, os ímãs de geladeira (adquiridos para minha coleção), depois, aquelas caixinhas de música.

Não eram caixinhas de música quaisquer, daquelas que a gente dá corta e sai dançando bailarina ou começa a nevar. Não, não. Eram lindas, pequeninas, apenas o motorzinho que toca só na hora em que damos corta, nenhum segundo de esforço a mais. E tocavam, além do mais, coisas como “Singing in the Rain”, “In My Life” e “Imagine”.

Fiquei encantada. Minha vontade era levar todas. Mas o preço me estancou. Não lembro agora, exatamente, quanto era, mas foi algo absurdo, digamos que R$ 60. R$ 60 por uma caixinha de música!

Saí com um gosto ruim na boca, aquelas caixinhas dançando na minha cabeça. Um dia vou ter tanto dinheiro que não vou achar absurdo pagar R$ 60 numa caixinha, pensei.

Passaram-se meses, recebi visitas de Minas, levei-as ao MAM para conhecer. E pensei comigo: seja lá quanto custar, vou pagar pela caixinha! Vou arrombar meu bolso, vai ser dolorido, mas vou pagar, porque estou com ela na cabeça há tempo demais e vai valer a pena.

Mas tudo se repetiu: cheguei ao caixa, vi o preço (talvez fosse bem uns R$ 70) e me abismei. Não, não dá. Não ganho pra isso.

Isso aconteceu umas três vezes. Na última, desabafei no Facebook: pô, quero tanto aquela caixinha do MAM, mas por R$ 80 não dá (era a inflação ou minha memória ruim*?)! Sabem qual, gente? Aquela miudinha, do motorzinho, que toca Beatles?

Choveram comentários de amigos mais viajados que eu, conhecedores de Paris, dizendo que essas caixinhas existem em toda esquina da Cidade da Luz, a uma pechincha de $3 ou $5 euros. Como assim?! Então quase fui assaltada aqui em São Paulo?

Os amigos me prometeram que, na próxima viagem, trariam para mim. Afinal, minha geladeira já não comporta mais nada e bem pode ser a hora de começar outra coleção, uma que me faça viajar menos ao olhar aquelas imagens de lugares desconhecidos, mas me traga bons sentimentos ao passear por músicas tocadas de maneira tão infantil, quase como naquele disco novo do Pato Fu.

Um deles, o querido Bockinha, me trouxe minha primeira caixinha, redondinha, uma “Imagine” de Paris. Foi uma saga à parte resgatar o presente, mas ele alegrou muito meu coração, e vem alegrando toda noite, quando paro pra ouvir um pouquinho, já no escuro, antes de dormir.

Segue um trechinho para vocês, futuros viajantes trazedores de caixinhas para mim 😉

 

* Conferi o preço, finalmente: custa R$ 58! Caro mesmo, né?

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

2 comments

  1. Eu vi essas coisas fofas na Leitura da Cristóvão Colombo, aqui na Savassi. Procurei no site, pra ver se tinha o preço, que eu não lembro mais. Acho que eu também achei caro, mas era R$30 ou algo que o valha. Só pra constar…

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