Texto de José de Souza Castro:
Esta ação do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, do PSB, não pode passar sem registro aqui. Li há pouco na “Folha de S. Paulo” que o Diário Oficial do Município publica hoje a exoneração de todos os servidores não concursados que trabalham no gabinete do vice-prefeito, Roberto Carvalho, do PT. Se pudesse, o prefeito demitiria todos os 30 auxiliares do vice, mas oito são estáveis, porque concursados.
Antes de avançar, uma pergunta: o que faziam no gabinete do vice-prefeito 30 pessoas ganhando às nossas custas? Aliás, o que faz o vice-prefeito? No Brasil, sabemos que vice é uma figura que nada faz a não ser esperar a sua vez, no caso de vacância do titular. Por aqui, nem vice-campeão em campeonato brasileiro de futebol tem valor.
Segundo a explicação do prefeito, dada em nota distribuída por sua assessoria, “os servidores exonerados são de livre nomeação do prefeito” e “não estavam cumprindo suas funções em consonância com a administração”.
Há pelo menos uma meia verdade aí. O prefeito não os nomeou livremente, mas porque atendia a um pleito que ele não poderia negar, feito pelo vice. E Roberto Carvalho deu o tom dessa impossibilidade, ao declarar que Lacerda “só está prefeito porque o PT o elegeu”. Carvalho, que é presidente do Diretório Municipal do PT, diz também meia verdade. Lacerda só está prefeito porque o então governador, Aécio Neves, quis que ele fosse candidato e arrancou o apoio do então prefeito petista Fernando Pimentel, numa coligação criticada pelos mais autênticos petistas, entre eles, o ex-prefeito Patrus Ananias. E elegeu o “poste”, porque o governador tinha prestígio e dinheiro bastante para convencer os eleitores de que seu candidato era o melhor.
A razão verdadeira da atitude de Lacerda, de “desrespeito, deslealdade e traição”, segundo Carvalho, esquecendo-se de outros adjetivos perfeitamente adequados, como autoritária, intimidatória e arrogante, é esta: o vice-prefeito tenta, contrariando desta vez o ministro Fernando Pimentel e outros caciques petistas, formar uma chapa própria para disputar as próximas eleições municipais contra o prefeito.





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