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Quando Che acena, todos acenam de volta

Para pegar na locadora: DIÁRIOS DE MOTOCICLETA (The motorcycle Diaries)

Nota 9 – crítica escrita em 14/05/2004

A maioria dos jovens já teve esse sonho de sair por aí, continente afora, só com uma mochila nas costas. Viajar para conhecer novos povos, novas paisagens, novas culturas e para conhecer um pouco mais de si próprio.

 

Ernesto Che Guevara e Alberto Granado são dois jovens assim, que saem de Buenos Aires em direção à Venezuela, numa motocicleta caindo aos pedaços com o nome discrepante de “La Poderosa”. Idealistas, sonhadores, aventureiros, eles querem descobrir as realidades que só conheciam nos livros.

 

O começo do filme tem todo esse encanto que já permeia as aventuras como estão nos nossos sonhos: as paisagens da América do Sul são belíssimas, variando entre pastagens gostosas, regiões de neve no Chile e o deserto infernal do Atacama. Por onde passam, apesar das dificuldades normais do percurso, há muita festa, dança e paquera. Merece até um diário.

 

Mas, aos poucos, os dois vão descobrindo que a vida não é tão fácil assim para todos. E conhecem os pobres, os desempregados, os expulsos das terras em que sempre produziram, os perseguidos políticos, os explorados, e os leprosos discriminados da sociedade “sadia”. A realidade se descortina sem pedir licença e os dois aprendem e amadurecem com isso. Ernesto Guevara já não é mais apenas o estudante de medicina cativante e franquíssimo, mas alguém com olhos mais aguçados e planos ainda mais desafiadores.

 

Gael García Bernal prova, nesse protagonista, seu talento maravilhoso para a atuação. Conseguimos sentir o desespero por um pouco de ar toda vez que Che tem uma crise de asma, seu desejo pela mulher amada, sua indignação pela injustiça ao redor, sua atenção a todos os fatos que estão se passando. Já Alberto, interpretado por Rodrigo de la Serna, não fica muito atrás. E é toda essa emoção dos atores que dá algo mais ao filme. Não se trata apenas de uma história baseada em livro do personagem lendário que foi Che Guevara, nem uma biografia de Granada (ainda vivo e vivendo em Cuba), tampouco mero registro fotográfico da vasta riqueza cultural do nosso continente. O filme é sobre sonhos, possibilidades, descobertas. É sobre as mazelas escondidas em qualquer sociedade (muito bem escondidas, por sinal) e que conseguiram mudar a concepção de vida de um sujeito que era, naquela época, um jovem como qualquer outro.

 

Che Guevara virou revolucionário e hoje é estampa de camisa em lojas caras. De uma maneira ou de outra, é símbolo e exemplo. Numa das cenas mais bonitas do filme (mas é difícil escolher), ele acena decididamente e todos respondem. É um líder nato e o descobriu por acaso.

 

Quem sabe não somos também, todos nós, pessoas capazes de fazer História? Talvez baste apenas termos sensibilidade: a capacidade mágica de descrever olhares como se fossem fronteiras de nossas próprias almas.

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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