Post breve para os que insistem que não há racismo no Brasil

Hoje foi divulgado o Mapa da Violência, trabalho exemplar feito pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz há vários anos.

Uma das conclusões:

“houve queda no número absoluto de homicídios na população branca e aumento na população negra.”

Aos números:

  • Homicídios de brancos em 2002 no Brasil = 18.852
  • Em 2008 = 14.650
  • Homicídio de negros em 2002 no Brasil = 26.915
  • Em 2008 = 32.349

O número absoluto já seria abismante, mas algum alienígena poderia perguntar se a população do Brasil não tem 90% de negros, para relativizá-lo.

Só que, considerando a proporção da população branca e negra no Brasil, ainda assim morreram proporcionalmente 103,4% mais negros que brancos em 2008. Sim, meus caros: mais que o DOBRO.

Esse triste dado se junta a vários outros, sobre os quais já escrevi várias vezes, que demonstram que, eliminando todos os outros fatores, o fator “cor”, do ponto de vista social, interfere na inserção da pessoa na sociedade brasileira. Logo, que existe, sim, racismo no Brasil, pensando a raça do ponto de vista cultural e sociológico.

E quanto mais reconhecermos que o racismo existe, mais caminharemos em direção à luta persistente e consistente pelo fim do racismo.


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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

8 comments

  1. discordo, mas tudo bem.

    Reconhecer raça é uma faca de dois gumes.

    O aspecto econômico é mais importante q cor.

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    1. Se fosse mais importante, Schel, não haveria diferença de salário entre o pobre negro e o pobre branco, como há. Todos os moradores de favela teriam as mesmas condições e oportunidades no mercado de trabalho e ganhariam salários equiparados, como não ocorre. Sobre essas coisas eu escrevi em outros textos, inclusive no que linko neste. Este só apresenta um dado a mais. A propósito: há 103% mais negros pobres do que brancos pobres? Estou sem o dado agora, mas arrisco dizer que há bem mais. Acho que reconhecer o racismo é o primeiro passo para ações efetivas contra ele, tanto do ponto de vista da conscientização quanto das políticas públicas. É como reconhecer o alcoolismo para curar a doença 😉
      bjos

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    2. Sem contar o lado empírico da coisa. Os vários relatos, inclusive de amigos meus, de negros ricos e bem-sucedidos que têm que ouvir coisas como “você tem como pagar?” vindo da primeira atendente da loja que aparece. Ora, se é um fator meramente econômico, eles deveriam ser tão ou mais bem atendidos que os “brancos” mulambentos como eu, não?

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  2. Política pública? Não resolve.

    Só resolve dinheiro no bolso.

    Declarar raça é perigoso demais.

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  3. Ali Kamel insiste e até lança “tese” sobre isso, Cris! rs

    Sabe, eu moro em uma cidade cuja maioria esmagadora da população é negra ( dizem que 80% – não confirmo, estou sem os dados, mas talvez uma pesquisa no Google traga os dados com precisão). O racismo aqui, por incrível que pareça, é evidente. Desde quando cheguei aqui para viver, há 11 anos, perguntava como a cidade não explodia em uma revolta diante de tanta segregação e desigualdade. Hoje a BA sofre com altas taxas de homicídios – a turma pró-governo diz que a trupe de ACM escondia a informação, o que é verdade, mas é verdade também que há muito a BA e Salvador deixaram de ser um oásis de tranquilidade como a propaganda oficial tenta nos fazer crer – e o governo já fala em realizar um estudo para determinar o perfil das vítimas de homicídio em Salvador, principalmente. Mas só se for o perfil quanto à idade, pois quanto aos demais aspectos todos já sabem: negro, jovem, periférico, provavelmente ligado ao tráfico de drogas. Eis o perfil que sairá desse estudo.

    Aliás, Salvador é bem uma síntese do que acontece neste país: basta ver quanto vale a hora/trabalho de um negro em comparação com um branco. Acho que foi a universidade federal da Bahia que realizou um estudo desse tipo.

    Bom, em um estado onde um professor licenciado e concursado com carga horária 20h/aula ganha apenas (em torno de) R$ 140 a mais do que o atual salário mínimo, nada mais me espanta :/

    Abs!

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    1. Muito bom seu relato, porque eu jurava que em Salvador o racismo deveria ser menor, já que a população de negros é tão grande. Muito triste que seja diferente, embora, por outro lado, seja exemplar pra mostrar ao país que há algo muito errado acontecendo, esse algo se chama racismo e ele deve ser combatido de frente.
      bjos

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  4. não “existe” racismo no Brasil porque ele já esta institucionalizado….

    contratei uma mulher amarela(de acordo com o currículo) formada em administração e com conhecimentos avançados em informática.

    ninguém é racista…no máximo gosta de “gente bonita”, e ninguém é negro…no máximo moreninho…escurinho….amarelo….etc…

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